RESOLUÇÕES DE ANO NOVO
UMA VIDA COMPLETAMENTE DIFERENTE, TALVEZ MODERADAMENTE MENOS ESTRESSANTE...
UMA PIPA AZUL
UM PEDAÇO DE PAVE COM GUARANÁ ANTARTICA
FINALMENTE TER O TELEFONE E CONTATO DA MINHA MÃE
FINALMENTE SER RICA
FINALMENTE SER GOSTOSA
FINALMENTE FAZER AS PAZES COM MINHA AVÓ
FINALMENTE
FINALMENTE 2010...
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
prece de agradecimento
imagino que já fiz muitas coisas até aqui. conheci bonitos lugares e bonitas pessoas. fui até de certa forma privilegiada por antes dos 35 anos ter feito tantas viagens, ter amado tanto, ter tomado tanta cerveja gelada, tanta cachaça arretada. me alegro por ter conhecido o fundo do mar, as coxias dos teatros, o cheiro bom da cozinha da vó chica. agradeço por ter me formado, em duas faculdades, quando a maioria dos brasileiros não teve a chance de terminar o segundo grau. de terem ao menos se alfabetizado. sei que posso ser feliz por ter lido bons livros, comi bons acarajés, ouvido bons discos. ouvi discos de vinil, quando eles ainda existiram, e não virei fanática de cds. deveria agradecer por ter quase tudo que sonhei : um carro, um namorado, um laptop, um blog. me alegro até mesmo hoje, pelos foras que tomei, pelo sofrimento que vivi, pelas pessoas que idiotamente perdi. devo agradecer por cada dor, porque elas me tornaram essa pessoa forte que sou hoje. me ensinaram a ter coragem e renascer. agradeço por ter cama quente e até ter ar condicionado pros dias de calor. por ter uma faxineira tão compreensiva, que me consola e faz suco de laranja prá mim antes mesmo de pedir. devo ser realmente feliz por escrever assim, descomprissadamente, sem ter leitores ou fãs fanaticos, e ainda assim poder tornar gratuitamente pública minhas angustias. devo agradecer mais ainda por as vezes ter um leitor esporático, que no mar da net, as vezes cai aqui e aqui comenta o quanto foi bom sua descida. sou privilegiada por conhecer noronha, por conhecer o sana, por ver tanto lugar lindo, tão lindo que não contém na retina... e também por ver os lugares horrorosos que já vi, e saber que o que tenho é demais. sou feliz hoje e agradeço pelo cinema, pelo teatro, pela arte em minha vida, e essa vontade tão bonita que eu tenho de querer ajudar o mundo todo, e abraçar esse universo com as duas pernas. sou feliz por ter preguiça, sou feliz por estar disposta. feliz por estar viva, ter tido a chance de nascer e aqui poder passar por viver tudo isso...
e isso me faz imaginar, que posso ter algumas vezes, vergonha em pedir, em desejar mais e mais coisas... mas eu quero.
e será essa sede de querer, que jamais será saciada que me faz despertar, lutar e acordar a cada dia.
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Noite quente
A gente derretia no asfalto da praia de Copacabana. Aquela Copacabana tripulada de emoções intensas. Era 2 da manhã e fazia um calor de meio dia. Nem uma brisa leve vinha dar o ar da sua graça... engraçado era que a gente táva na praia, sabe! Carregando coisas, desproduzindo. Com camisa promocional de evento, sem vento. Eu só sei que fiquei umas quatro horas ouvindo meu proprio riso, que era a melodia que eu estava buscando a muito tempo. E pensei, que legal, sabe, que droga linda é essa que deixa a gente tão feliz ? De uma felicidade estranha, que faz a gente chorar muito, e a ver as pessoas tão blues.
Daí eu fui comprar uma outra cerveja blues, e isso me emocionou de novo. Me emocionou porque eu táva combinando com tudo : com as placas das ruas da cidade, com as pessoas que estavam comigo naquela hora...
E eu vi, juro que vi, na pista de dança, mais ou menos no fim da noite, quando só tinha sobrado seis de nós, os seis mais guerreiros, várias linha de luz pelo espaço. Ela passava pra lá e prá cá, e envolvia a gente inteiro. Envolvia numa onda de alegria, que era roxa, era rosa, era tão azul. Era blues. Blues e neon, e saía do nosso corpo como uma áura. E naquela hora eu chorei. Chorei por estar compartilhando aquela felicidade sem dizer uma única palavra com n inguém, chorei porque achei muito bonito, chorei como estou chorando agora, porque foi aquilo que tocou no centro, na minha gema amarela.
Mas voltando a cerveja blues e a praia de Copacabana, eu olhei pra ele e disse assim: amanhã eu vou escrever sobre ela. Simplesmente porque ela é AR. E olha como ela movimenta a gente. "ela é muito linda", e essa beleza dela me deixa com tanto medo de perdê-la. Eua tem que me jurar, que não vai deixar essa sensiblidade toda pura acabar, ou morrer. Tenho medo dessas pessoas sensíveis, que todo mundo ama. Porque em geral, o mundo maravilhoso, as chama muito rápido de volta. Entende o que eu digo? Tipo assim, o mundo leva primeiro essas pessoas melhores, essas ´pessoas especiais' essas pessoas tão AR. O mundo as consome rápido, porque elas consomem o mundo muito rápido também. Tenho medo delas, porque tenho medo que depois elas me deixem órfã. Órfã de um sentimento escroto, que se chama amor.
Daí eu fui comprar uma outra cerveja blues, e isso me emocionou de novo. Me emocionou porque eu táva combinando com tudo : com as placas das ruas da cidade, com as pessoas que estavam comigo naquela hora...
E eu vi, juro que vi, na pista de dança, mais ou menos no fim da noite, quando só tinha sobrado seis de nós, os seis mais guerreiros, várias linha de luz pelo espaço. Ela passava pra lá e prá cá, e envolvia a gente inteiro. Envolvia numa onda de alegria, que era roxa, era rosa, era tão azul. Era blues. Blues e neon, e saía do nosso corpo como uma áura. E naquela hora eu chorei. Chorei por estar compartilhando aquela felicidade sem dizer uma única palavra com n inguém, chorei porque achei muito bonito, chorei como estou chorando agora, porque foi aquilo que tocou no centro, na minha gema amarela.
Mas voltando a cerveja blues e a praia de Copacabana, eu olhei pra ele e disse assim: amanhã eu vou escrever sobre ela. Simplesmente porque ela é AR. E olha como ela movimenta a gente. "ela é muito linda", e essa beleza dela me deixa com tanto medo de perdê-la. Eua tem que me jurar, que não vai deixar essa sensiblidade toda pura acabar, ou morrer. Tenho medo dessas pessoas sensíveis, que todo mundo ama. Porque em geral, o mundo maravilhoso, as chama muito rápido de volta. Entende o que eu digo? Tipo assim, o mundo leva primeiro essas pessoas melhores, essas ´pessoas especiais' essas pessoas tão AR. O mundo as consome rápido, porque elas consomem o mundo muito rápido também. Tenho medo delas, porque tenho medo que depois elas me deixem órfã. Órfã de um sentimento escroto, que se chama amor.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Hoje tive vontade de escrever como em nenhum outro dia. Mas eu não quis publicar no blog. Quis escrever só prá mim, em segredo, porque eu ia dizer coisas muito feias. Ia falar das minhas dores e invejas. Ia falar dos meus defeitos mais escrotos e profundos. Não queria mostrar pro mundo (se um dia o mundo fosse ler isso aqui) que eu sou podre e escrota. Uma podrezinha invejosa e asquerosa. Uma egoísta e sem dúvida mau-amada. Uma que não deu certo na vida. Que não entende direito porque a vida não quis dançar um tango charmoso comigo. Afinal, eu fiz tudo certo, eu chorei, sorri e me sensibilizei na hora certa. Gastei o que tinha e o que não tinha com os amigos e meu grupo de teatro por amor à arte. Tive bons namorados, caras legais que só queriam meu bem. Tive até certo ponto bons amigos também. Então porque não me encontro comigo ? Porque estou insatisfeita com essa vidinha que levo ?
Tive vontade de escrever tudo isso, mas censurei essa vontade. Prendi o braço atrás das costas e fui fazer uma lasanha de abobrinha. Nada escrevi. Nada. Escondi não só do mundo , mas de mim mesma minha pobre podridão.
Me frustrei, me decepcionei com essa minha censura ridícula. Mas eu não quis admitir minha terrível face negra. Tudo isso porque não consigo desejar felicidade pra quem já é feliz e acabo mandando energias que não são saudáveis.
Eu quero escrever coisas boas, não só aqui prá mim também. Quero deixar de ser tão imunda e ser do bem. Do bem prá mim também...
Tive vontade de escrever tudo isso, mas censurei essa vontade. Prendi o braço atrás das costas e fui fazer uma lasanha de abobrinha. Nada escrevi. Nada. Escondi não só do mundo , mas de mim mesma minha pobre podridão.
Me frustrei, me decepcionei com essa minha censura ridícula. Mas eu não quis admitir minha terrível face negra. Tudo isso porque não consigo desejar felicidade pra quem já é feliz e acabo mandando energias que não são saudáveis.
Eu quero escrever coisas boas, não só aqui prá mim também. Quero deixar de ser tão imunda e ser do bem. Do bem prá mim também...
AH, LIGA UM POUCO ESSE AR, ESTÁ TÃO QUENTE. MEUS SEIOS DOEM, MAS NÃO SEI SE ISSO É BOM OU RUIM. NA TV SÓ PASSAM IMAGENS DE TORTURAS E EU NÃO SEI MAIS QUE CANAL ASSISTIR. COMEÇO A CONCORDAR QUE DEVO VOLTAR A PAGAR A TV À CABO, JÁ QUE A TV ABERTA NADA OFERECE DE BOM... SINTO-ME SÓ. E IMPRODUTIVA, EMBORA HOJE NO FERIADO NÃO TENHA SAÍDO DA FRENTE DO COMPUTADOR TRABALHANDO... FERIADO DOS MORTOS - TÃO ESTRANHO ESSE DIA. PENSAR NOS MORTOS É REVIVER, DIZ O REPÓRTER DA TELEVISÃO. SERÁ MESMO? SINTO O GOSTO FRACO E SECO DOS REMÉDIOS QUE ESTOU TOMANDO, E FICO IMAGINANDO COMO SOFRI ANTEONTEM - COM PRISÃO DE VENTRE POR CAUSA DESSES EFEITOS COLATERAIS INDECENTES. FICAR DOENTE É UM SACO. NÃO PODE COMER GORDURA, NÃO PODE IR NA PRAIA, NÃO PODE FAZER SEXO. ME SINTO DOENTE POR FORÇA DA VAIDADE, DA MINHA EXESSIVA VAIDADE. ESTOU MERECENDO CADA PRISÃO DE VENTRE. ONTEM PENSEI QUE TEMOS QUE PASSAR POR ISSO PARA SERMOS MÃES E PAIS. QUE TEMOS QUE VIVENCIAR ESSAS COISAS RUINS SÓ PRA TER EXPERIENCIAS DEPOIS COM NOSSOS FILHOS E DIZER : "VAI PASSAR...", OU "TOMA ISSO, ISSO, ISSO" OU AINDA : "SE NADA DER CERTO TE LEVO NO MÉDICO!" - É ISSO, SÓ PODE SER ISSO. DIANTE DISSO, TUDO SE TORNA PEQUENO E O CARMA DESAPARECE. DESLIGA O AR AGORA, JÁ ESTOU COM FRIO DE NOVO...
sexta-feira, 2 de outubro de 2009
geração anos 70
Li que sou de uma geração que foi criada prá acreditar que podia fazer de tudo. Com a máxima liberdade, com a inteira perfeição. Li, que sou fruto dos hippies, que pregavam a liberdade total e ilimitavam as possibilidades. E no meio de tantas possibilidades, essa geração se tornou perdida. Já que tudo podiam fazer, se multifocaram de tal forma, que agora se tornaram adultos infantilizados . Balzaquianos sem direção, ainda dependentes dos pais, ainda sem perspectivas sólidas de futuro. Amadurecem tarde, porque são prematuros, e não entendem como seus sonhos, antes creditados por seus pais , não se tornaram realidade. Adultos, que foram criados para acreditarem que o mundo era prá eles e não vice e versa. Uma geração de iludidos.
As vezes me sinto mesmo iludida. Iludida por acreditar por tanto tempo, o quanto eu era boa e podia fazer bem as coisas. Mas hoje, percebo que de fato, nunca fiz nada muito bem, porque simplesmente não estava ijnteiramente focada no que me propunha a fazer. E esse lance de foco, agora entendo que é de toda a minha geração.
Menos mal, afinal, não me sinto a única perdida, a única que ainda não sabe se quer ser mãe, fazer mestrado ou entrar numa academia e ter seios de silicone... ora bolas, todos esses são sonhos meus. Sonho em ir prá Europa, mas contraditóriamente, quero ficar aqui e montar um negócio meu. Sequer sei ainda o tipo de negócio que eu desejo - falta-me decisão.
E ainda com tantas incertezas, ainda sou uma das mulheres mais centradas, mais ' pé no chão' da minha geração. A maioria, se não se colocaram na vida por força do destino ( tornando-se mães precocemente), ainda está com um pé na adolescencia, querendo fazer outra faculdade, ou ainda decidido no que realmente querem trabalhar...
Esse filme novo do Caio Blat, que estreou no Festival do Rio fala sobre isso, e nos faz sentir exatamente isso. Filhos de uma não-geração.
Doida ou não, concordo plenamente, acredito nisso. Sempre quis compartilhar esse sentimento de me sentir deslocada, de ter muitas opções e ao mesmo tempo nenhuma...
A coisa positiva dessa história, é que agora , mais consciente, posso tentar me focar em tentar.
Ter medo do fracasso era a minha derrota. HOJE entendo que é melhor um fracassado, que ser
uma ETERNA promessa, que sempre está em vias de acontecer, mas nunca acontece, nunca explode, com medo não suportar seu proprio sucesso.
Aniliah
As vezes me sinto mesmo iludida. Iludida por acreditar por tanto tempo, o quanto eu era boa e podia fazer bem as coisas. Mas hoje, percebo que de fato, nunca fiz nada muito bem, porque simplesmente não estava ijnteiramente focada no que me propunha a fazer. E esse lance de foco, agora entendo que é de toda a minha geração.
Menos mal, afinal, não me sinto a única perdida, a única que ainda não sabe se quer ser mãe, fazer mestrado ou entrar numa academia e ter seios de silicone... ora bolas, todos esses são sonhos meus. Sonho em ir prá Europa, mas contraditóriamente, quero ficar aqui e montar um negócio meu. Sequer sei ainda o tipo de negócio que eu desejo - falta-me decisão.
E ainda com tantas incertezas, ainda sou uma das mulheres mais centradas, mais ' pé no chão' da minha geração. A maioria, se não se colocaram na vida por força do destino ( tornando-se mães precocemente), ainda está com um pé na adolescencia, querendo fazer outra faculdade, ou ainda decidido no que realmente querem trabalhar...
Esse filme novo do Caio Blat, que estreou no Festival do Rio fala sobre isso, e nos faz sentir exatamente isso. Filhos de uma não-geração.
Doida ou não, concordo plenamente, acredito nisso. Sempre quis compartilhar esse sentimento de me sentir deslocada, de ter muitas opções e ao mesmo tempo nenhuma...
A coisa positiva dessa história, é que agora , mais consciente, posso tentar me focar em tentar.
Ter medo do fracasso era a minha derrota. HOJE entendo que é melhor um fracassado, que ser
uma ETERNA promessa, que sempre está em vias de acontecer, mas nunca acontece, nunca explode, com medo não suportar seu proprio sucesso.
Aniliah
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
trocas
De dentro do escritório, ele percebia a cidade lá fora, como num quadro vivo. Devia estar quente, de uma quenturinha boa. Não aquele ar condicionado gélido que não soava nada criativo e nada humano. Ele mexeu a pequena xicara de chá, provou. Seu café estava frio. Tudo degenerativamente frio. Lembrou de quando tinha 17 anos e ainda não tinha carteira, e fora parado numa blits. Os policiais de merda queriam extorqui-lo. Parece que quem é sempre pago prá nos proteger , nos explora ridiculamente. Aqueles policiais também eram frios... ah deixa prá lá.
Queria estar lá fora. Tirar aquela gravata que enforcava e meter os pés na areia fofa da praia. Voltar a pegar onda, tomar picolé dragão-chinês. Eram duros aqueles tempos : o picolé, era seu café da manhã e as vezes tinha que segurar no estômago aquele dragão até umas quatro e meia, que era a hora de filar um sanduba na casa da vó. Mas tinha saudades daquela época dura e desempregada. Daquela época que não tinha tempo prá nada, mas viva desocupado. Agora,a vida era um eterno entra e sai de trabalho que não findava nunca. Tinha almoço certo, hora do almoço com vale e tudo. Mas de que adiantava ? Não era nada daquilo que ele queria fazer.
Trocou sua liberdade por um serviço burocrático. Seu dragão chinês por um vale refeição de 14 reais. É certo que ainda faltavam 25 anos prá que ele se aposentasse, e em breve, se fosse um bom cidadão cumpridor de suas tarefas, em breve ia poder estar de novo lá . Lá onde ele olhava pela janela, e ambicionava uma cadeira ao lado da morena de canga amarela...
Sua vida virou mesmo moeda de troca : trocou relação aberta com a doida a Dandara, pelo noivado careta com a Luiza. Trocou a faculdade de música, pela de Administração. Trocou seus amigos de surf, pelos chatos gordos do escritório. Ele próprio tinha virado um gordo. Também com um vale refeição de 14 reais... Nada daquilo que mais sonhava conseguira realizar. E ficava só de raiva num escritório de frente prá praia. Onde mal podia ver direito o mar, com tantos relatórios em pilhas na sua frente...
Será mesmo que fez as trocas certas ? Impossível saber. Era também quase hora do almoço. E seu vale precisava ser gastado. Pensaria nisso depois.
by aniliah
sábado, 12 de setembro de 2009
vida de passarinho
Passarinho, passarinho, seguidor pequeninino, pousa aqui, pousa acolá.
Pousa de leve, num sapato velho, num banco de praça que não senta ninguém.
Passarinho pica aqui, acha uns pedaços, desfaz uns laços e cata cabelinhos para seu ninho.
Passarinho abre mão de tudo : abre mão das coisas que deseja, das paragens que sonha voar. Passarinho dessiste mesmo. Ele está muito infeliz com a vida chata que leva, essa vida de ter que ciscar todo dia, e de ter que voar sempre a favor do vento.
Passarinho só canta lamento.
Passarinho não sabe mais o que é viajar. Ele não sai desse campo, com medo de não voltar.
Um dia passarinho morre, e aí é que eu quero ver. Passarinho tão pequeno, nada fez, nada quis ser. Morrerá como pingo de chuva que cai lá do alto, e de tão escasso, não molha ninguém.
Pousa de leve, num sapato velho, num banco de praça que não senta ninguém.
Passarinho pica aqui, acha uns pedaços, desfaz uns laços e cata cabelinhos para seu ninho.
Passarinho abre mão de tudo : abre mão das coisas que deseja, das paragens que sonha voar. Passarinho dessiste mesmo. Ele está muito infeliz com a vida chata que leva, essa vida de ter que ciscar todo dia, e de ter que voar sempre a favor do vento.
Passarinho só canta lamento.
Passarinho não sabe mais o que é viajar. Ele não sai desse campo, com medo de não voltar.
Um dia passarinho morre, e aí é que eu quero ver. Passarinho tão pequeno, nada fez, nada quis ser. Morrerá como pingo de chuva que cai lá do alto, e de tão escasso, não molha ninguém.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
relax
Eu quero mais é beber aquele guaraná sem gás que está na geladeira, colocar as minhas calças de pijamas largas e prender o cabelo no alto da cabeça sem penteá-los.
Quero um momento de relax, prá catar pulgas na minha gata, escrever para os amigos antigos, ou simplesmente ler aquele livro do Saramago que eu comprei há quatro meses e não passei da primeira página.
Quero um momento solitária pra curtir a TPM. Sem namorado, sem atores enchendo o saco, sem pensar em produzir todo dia.
Pegar minha caixa de lápis de cor, e colorir um desenho, arriscar uma pintura que está no esboço, não tomar uma neosaldina prá curtir a ressaca.
Vida de artista não tem relax. Não tem.
Temos momento certo prá sermos criativos, momento certo prá criação surgir. Não existe a palavra "não" ou "impossivel". Acha difícil ? Quem mandou querer encarar essa chuva colorida ?
Não posso me dar ao luxo há meses, digo, anos, de fazer duas refeições completas num dia. Nem aos domingos. Acho inclusive que perdi o hábito. Acho que jantar e almoçar no mesmo dia é exagero. Penso que se eu retornar a esse hábito antigo, poderei virar uma obesa. Já estou obesa.
Não tenho relax nem no sexo. Nem na hora de gozar. É foda.
Quero um momento de relax, prá catar pulgas na minha gata, escrever para os amigos antigos, ou simplesmente ler aquele livro do Saramago que eu comprei há quatro meses e não passei da primeira página.
Quero um momento solitária pra curtir a TPM. Sem namorado, sem atores enchendo o saco, sem pensar em produzir todo dia.
Pegar minha caixa de lápis de cor, e colorir um desenho, arriscar uma pintura que está no esboço, não tomar uma neosaldina prá curtir a ressaca.
Vida de artista não tem relax. Não tem.
Temos momento certo prá sermos criativos, momento certo prá criação surgir. Não existe a palavra "não" ou "impossivel". Acha difícil ? Quem mandou querer encarar essa chuva colorida ?
Não posso me dar ao luxo há meses, digo, anos, de fazer duas refeições completas num dia. Nem aos domingos. Acho inclusive que perdi o hábito. Acho que jantar e almoçar no mesmo dia é exagero. Penso que se eu retornar a esse hábito antigo, poderei virar uma obesa. Já estou obesa.
Não tenho relax nem no sexo. Nem na hora de gozar. É foda.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Eternas saudades
Acabei de ler no blog da minha prima que ela foi roubada... Eu tb que conscidência !
Ela faz um apelo pra que devolvam o laptop dela... também faço um apelo prá que devolvam as minhas coisas ( no meu caso foi minha câmera de filmar, minha máquina digital e meu celular), embora ache que será impossivel que esse hediondo ladrão visite sites ou blogs off-side internet, como o meu ou o dela.
Ainda assim seria maravlihoso ter minha filmadora de volta. Juntas fizemos o primeiro documentário da minha vida, e também registrei momentos bons... de ensaio, de trabalho árduo e artístico. Acho que ela sentirá muita falta de mim !
Eu cuidava bem da bichina. Na minha última viagem a Nova York lhe trouxe três presentes : uma bateria maior, uma lente grand angular e um flash externo prá cenas noturnas...
Enfim tínhamos uma relação de amor e respeito mútuos...
Sinceramente, chorei sua perda. Pelas coisas que vivemos juntos e principalmente pelas coisas que ainda não vivemos juntas !!! Mas, como diz o ditado, vão-se os aneis e ficam-se os dedos. Mais tem o Deus prá dar que o diabo prá tirar...
Finaliza aqui minha carreira de cineasta amadora (pelo menos até ter grana pra comprar outra parceira). De repente esse pobre ladão fez um favor pro cinema brasileiro !!
Mas o trabalho permanece e a respeito disso eu vi que ao menos as coisas que fiz nesse pouco tempo de convivencia com minha linda camera sony de filmar ficarão para sempre. Bom ou ruim, o cinema sempre eterniza.
aniliah
Ela faz um apelo pra que devolvam o laptop dela... também faço um apelo prá que devolvam as minhas coisas ( no meu caso foi minha câmera de filmar, minha máquina digital e meu celular), embora ache que será impossivel que esse hediondo ladrão visite sites ou blogs off-side internet, como o meu ou o dela.
Ainda assim seria maravlihoso ter minha filmadora de volta. Juntas fizemos o primeiro documentário da minha vida, e também registrei momentos bons... de ensaio, de trabalho árduo e artístico. Acho que ela sentirá muita falta de mim !
Eu cuidava bem da bichina. Na minha última viagem a Nova York lhe trouxe três presentes : uma bateria maior, uma lente grand angular e um flash externo prá cenas noturnas...
Enfim tínhamos uma relação de amor e respeito mútuos...
Sinceramente, chorei sua perda. Pelas coisas que vivemos juntos e principalmente pelas coisas que ainda não vivemos juntas !!! Mas, como diz o ditado, vão-se os aneis e ficam-se os dedos. Mais tem o Deus prá dar que o diabo prá tirar...
Finaliza aqui minha carreira de cineasta amadora (pelo menos até ter grana pra comprar outra parceira). De repente esse pobre ladão fez um favor pro cinema brasileiro !!
Mas o trabalho permanece e a respeito disso eu vi que ao menos as coisas que fiz nesse pouco tempo de convivencia com minha linda camera sony de filmar ficarão para sempre. Bom ou ruim, o cinema sempre eterniza.
aniliah
domingo, 12 de julho de 2009
Do ser mitológico - atrasado
Não curto muito colocar coisas que não são minhas aqui no blog, mas embora muitos tenham escrito sobre o Michael Jackson, só agora, quase um mês de sua morte tenho pensado e refletido sobre o ícone pop.
Hoje, mais uma vez recebi por e-mail uma texto sobre ele, do Tony Bellotto. O Tony, músico como é, escreveu sensívelmente sobre o outro músico, que como sublinham as piadas mais ácidas : nasceu negro, virou branco e morreu cinza.
Só prá não me tornar uma alienígena nesse assunto que moveu o mundo e abalou as estruturas e paradas musicais, transcreverei aqui o texto que eu considerei um dos mais sensíveis a respeito de MJ :
Free at last!
Do ser mitológico diz-se que nasceu em meados do século XX. E que, tendonascido homem, foi aos poucos transformando-se numa mulher. No fim,tornou-se um ser de aspecto hermafrodita, com sexualidade indefinível.Sabe-se que o ser mitológico nasceu negro e morreu branco. Foi, nainfância, um adulto: compromissos profissionais, responsabilidades,obrigações e pressão foram experimentados desde cedo em doses altas. Namaturidade, tornou-se uma criança: gostava de brincar, passear emcarrosséis e montanhas russas, ter crianças por perto e jamais compreendeuexatamente do que se tratava o tal "mundo dos adultos".Do ser mitológico diz-se que foi acusado de abusar sexualmente de crianças,o que nunca se comprovou. O que se sabe com certeza é que foi brutalmenteespancado pelo pai, na infância, e submetido por este a tortura e pressãopsicológicas. É comprovado que durante sua existência o ser mitológicoajudou crianças pobres e doentes, não só com dinheiro, mas com carinho ecompreensão verdadeiros. Com essas crianças comunicava-se da mesma formacom que são Francisco de Assis conversava com passarinhos.Do ser mitológico compreende-se que revolucionou a música pop mundial aoelevar a música negra (é importante lembrar: não importa quantastransformações e mutações tenha o ser sofrido em sua existência, ele nuncadeixou de ser um grande, talvez o maior, artista da música negranorte-americana) a um status nunca antes alcançado: qualidade musicalirresistível, ousadia de produção, competência e muito - muuuiiito -suingue.Quincy Jones, músico, maestro e arranjador de excepcional talento, ajudou oser mitológico nessa jornada. Do ser mitológico aceita-se que tinhahabilidades múltiplas - dançava, cantava e compunha como poucos - e que comelas conseguiu apaixonar pessoas do mundo inteiro, independente de suasraças, classes sociais, nacionalidades, religiões, crenças etc.Dele compreende-se que foi coroado rei pelos humanos e amado por estes comoum anjo. A morte chegou-lhe como alívio, inadaptado que era ao mundoestranho que o amou e não o compreendeu. Na morte sabe-se que a imprensa,que o criticara impiedosamente nos últimos anos de vida - e tanta atençãodera a suas bizarrices, idiossincrasias e excentridades - acabou porreconhecer que o que prevalecerá de seus feitos será tão somente abrilhante música que concebeu, cantou e dançou.Diz-se por fim que, ao morrer, o ser mitológico livrou-se do corpo que eraao mesmo tempo depósito de dons e talentos e também de dores e sofrimentos.E que se lembrou, no último instante de vida, da frase do discurso de umgrande e admirável conterrâneo: free at last! CD....... Off The Wall, de 1979, o primeiro disco da fase adulta do sermitológico, e primeira parceria com o produtor Quincy Jones. Está tudo ali:a riqueza da música negra, desenvolvida em décadas de trabalho porgravadoras como a Motown - e a mistura com elementos de rock e pop. É umdisco que aprendi a amar graças a minha mulher, Malu - a quem dedico estacrônica -, uma das maiores devotas de Michael Jackson de que se temnotícia. Ela já passou essa paixão aos nossos filhos, também admiradores dogrande músico negro norte-americano.
Por Tony Bellotto -
Por Tony Bellotto -
sexta-feira, 3 de julho de 2009
rsicos
"Bravo" largada do lado direito da cama, na tv, "caminho das índias", uma fominha razoável no estômago e essa vontade de fazer alguma coisa que marque a minha história.
Pensando bem, que história ? Nem mesmo eu tenho paciência de visitar essa casa abandonada, essa cidade inabitada, esse blog que é uma ilha no mar virtual da internet. Não tenho mais a mínima paciência para ler as coisas tão subjetivadas que escrevo, ou cismo em escrever. Meu namorado fica no outro computador e juntos aqui, estamos mais distantes do que nunca. Quiça longe, ele estaria mais perto, porque talvez longe ele estivesse pensando em mim - já perto, que ironia! Pensa em deveras outras coisas...
Não quero correr riscos o tempo inteiro, ou quero, não sei bem...
Pensando bem, que história ? Nem mesmo eu tenho paciência de visitar essa casa abandonada, essa cidade inabitada, esse blog que é uma ilha no mar virtual da internet. Não tenho mais a mínima paciência para ler as coisas tão subjetivadas que escrevo, ou cismo em escrever. Meu namorado fica no outro computador e juntos aqui, estamos mais distantes do que nunca. Quiça longe, ele estaria mais perto, porque talvez longe ele estivesse pensando em mim - já perto, que ironia! Pensa em deveras outras coisas...
Não quero correr riscos o tempo inteiro, ou quero, não sei bem...
sexta-feira, 26 de junho de 2009
curta copa
TRABALHANDO DURO, MUITO DURO...
ENFIM, OS FRUTOS
AS FOTOS DO CURTA COPA ESTÃO NO MY SPACE...
http://aniliah.spaces.live.com/
DIVULGUE PARA OS AMIGOS QUE FORAM E PEÇA PARA QUE ELES DEIXEM COMENTÁRIOS E CRÍTICAS PRA GENTE INCLUIR NA PROXIMA PRODUÇÃO
ENFIM, OS FRUTOS
AS FOTOS DO CURTA COPA ESTÃO NO MY SPACE...
http://aniliah.spaces.live.com/
DIVULGUE PARA OS AMIGOS QUE FORAM E PEÇA PARA QUE ELES DEIXEM COMENTÁRIOS E CRÍTICAS PRA GENTE INCLUIR NA PROXIMA PRODUÇÃO
terça-feira, 9 de junho de 2009
Insólitas
I
déias
nsólitas
Sempre tenho as melhores idéias quando não posso anotar.
Quando estou dirigindo ou comendo ou simplesmente sem caneta.
Sempre as idéias brilhantes brilham na hora errada.
E depois não sei mais como brilhavam.
Ou depois,
Nem me soam tão brilhantes assim.
São idéias que vão e vem.
São poesias, memórias, histórias...
São cenas de mim !
Geniais, espetaculares, inéditas
Que são perdidas docemente
Simplesmente porque vieram ao mundo
Na mais estranha hora
Para a mais insólita habitante.
déias
nsólitas
Sempre tenho as melhores idéias quando não posso anotar.
Quando estou dirigindo ou comendo ou simplesmente sem caneta.
Sempre as idéias brilhantes brilham na hora errada.
E depois não sei mais como brilhavam.
Ou depois,
Nem me soam tão brilhantes assim.
São idéias que vão e vem.
São poesias, memórias, histórias...
São cenas de mim !
Geniais, espetaculares, inéditas
Que são perdidas docemente
Simplesmente porque vieram ao mundo
Na mais estranha hora
Para a mais insólita habitante.
quinta-feira, 28 de maio de 2009
LEVANDO A VIDA NA FLAUTA
TODA VEZ QUE EU CRUZO A AV. CARIOCA E EU PASSO POR AQUELA LOJA DE MÚSICA EU TENHO VONTADE DE COMPRAR AQUELA FLAUTA.
POR DUAS VEZES EU ENTREI NA LOJA E PERGUNTEI O PREÇO, EMBORA JÁ SOUBESSE DE COR : R$ 183,00. NUNCA TIVE CORAGEM DE PEDIR PARA VÊ-LA NAS MINHAS MÃOS, PORQUE SEI QUE NESSE DIA NÃO RESISTIREI E A COMPRAREI.
UM DIA, PASSANDO NUM BUTECO, VI UM TRIO TOCANDO SAMBA ANTIGO. UM RAPAZ TOCAVA FLAUTA TRANSVERSA, FIQUEI MINUTOS IMPRESCIDÍVEIS OBSERVANDO COMO ELE ACARICIAVA E TIRAVA SOM DAQUELE INSTRUMENTO BRILHANTE.
É UM DESEJO BOBO, INEXPLICÁVEL, PORQUE NÃO SEI TOCAR FLAUTA. NUNCA TOQUEI QUALQUER INSTRUMENTO, E PROVAVELMENTE NÃO SABERIA QUEM PUDESSE ENSINAR A FLAUTAR COM HABILIDADE !!
MAS TODA VEZ QUE EU PASSO LÁ E VEJO A FLAUTA SINTO ESSA VONTADE DE COLOCAR A MENINA NA BOCA E SENTIR O SEU SOM. SEI QUE VAI SER HORRÍVEL, QUE NÃO VOU SEQUER PEGAR A EMBOCADURA, MAS QUE DROGA, SEMPRE QUE VEJO AQUELA FLAUTA FICO ASSIM.
PARECE QUE ELA FICA DO OUTRO LADO DA VITRINE PEDINDO PRÁ SER MINHA.
NA ÚLTIMA QUARTA, FIQUEI TRISTE QUANDO VI A LOJA FECHADA. NÃO IA VER A FLAUTA... MELHOR ASSIM. POR QUE COBIÇAR ALGO QUE NÃO LHE PERTENCE?...
ENFIM, PRA QUE MESMO ME SERVIRIA UMA FLAUTA?
DEVE SER PRA LEVAR A VIDA FLAUTANDO POR AÍ...
POR DUAS VEZES EU ENTREI NA LOJA E PERGUNTEI O PREÇO, EMBORA JÁ SOUBESSE DE COR : R$ 183,00. NUNCA TIVE CORAGEM DE PEDIR PARA VÊ-LA NAS MINHAS MÃOS, PORQUE SEI QUE NESSE DIA NÃO RESISTIREI E A COMPRAREI.
UM DIA, PASSANDO NUM BUTECO, VI UM TRIO TOCANDO SAMBA ANTIGO. UM RAPAZ TOCAVA FLAUTA TRANSVERSA, FIQUEI MINUTOS IMPRESCIDÍVEIS OBSERVANDO COMO ELE ACARICIAVA E TIRAVA SOM DAQUELE INSTRUMENTO BRILHANTE.
É UM DESEJO BOBO, INEXPLICÁVEL, PORQUE NÃO SEI TOCAR FLAUTA. NUNCA TOQUEI QUALQUER INSTRUMENTO, E PROVAVELMENTE NÃO SABERIA QUEM PUDESSE ENSINAR A FLAUTAR COM HABILIDADE !!
MAS TODA VEZ QUE EU PASSO LÁ E VEJO A FLAUTA SINTO ESSA VONTADE DE COLOCAR A MENINA NA BOCA E SENTIR O SEU SOM. SEI QUE VAI SER HORRÍVEL, QUE NÃO VOU SEQUER PEGAR A EMBOCADURA, MAS QUE DROGA, SEMPRE QUE VEJO AQUELA FLAUTA FICO ASSIM.
PARECE QUE ELA FICA DO OUTRO LADO DA VITRINE PEDINDO PRÁ SER MINHA.
NA ÚLTIMA QUARTA, FIQUEI TRISTE QUANDO VI A LOJA FECHADA. NÃO IA VER A FLAUTA... MELHOR ASSIM. POR QUE COBIÇAR ALGO QUE NÃO LHE PERTENCE?...
ENFIM, PRA QUE MESMO ME SERVIRIA UMA FLAUTA?
DEVE SER PRA LEVAR A VIDA FLAUTANDO POR AÍ...
segunda-feira, 25 de maio de 2009
ATAREFADA
UNHAS POR FAZER
DIETA POR FAZER
SEXO POR FAZER...
SERÁ QUE TODO DIA TEM COISAS POR FAZER?
SERÁ QUE NUNCA EU VOU ACORDAR UM DIA E DIZER :
PRONTO, HOJE EU NÃO PRECISO FAZER NADA!
NEM XIXI.
NEM LIGAÇÕES, OU CHANTAGENS,
NEM CHOPE COM AS AMIGAS PRÁ POR PAPO EM DIA.
PARECE QUE NÃO. QUE NUNCA.
SÓ MESMO QUANDO A MORTE DER SUAS CARAS
AÍ, NESSE DIA
NÃO PODEREI FAZER NADA MESMO.
ANILIAH
DIETA POR FAZER
SEXO POR FAZER...
SERÁ QUE TODO DIA TEM COISAS POR FAZER?
SERÁ QUE NUNCA EU VOU ACORDAR UM DIA E DIZER :
PRONTO, HOJE EU NÃO PRECISO FAZER NADA!
NEM XIXI.
NEM LIGAÇÕES, OU CHANTAGENS,
NEM CHOPE COM AS AMIGAS PRÁ POR PAPO EM DIA.
PARECE QUE NÃO. QUE NUNCA.
SÓ MESMO QUANDO A MORTE DER SUAS CARAS
AÍ, NESSE DIA
NÃO PODEREI FAZER NADA MESMO.
ANILIAH
sexta-feira, 22 de maio de 2009
num folder de teatro
...Lera aquela frase num folder de teatro... e de certa forma, viu verdade nua e crua naquelas palavras. Verdades verdadeiramente verdadeiras. rs,rs.
Pegou o folder e guardou na bolsa. Em casa leu com mais cuidado :
" São poucas as pessoas capazes de amar. E seu sofrimento é ilimitado. Elas estariam próximas de Deus. São espelhos que refletem sua luz e tornam a sua vida suportável para nós, infelizes que cabaleiam no escuro. É possível que este seja o caso. Não sei, escolhi outro caminho, chamado desprezo e indiferença. - Ingmar Bergman ."
...E entendeu finalmente porque indentificara-se tanto. Ela também tinha preferido o o desprezo e a indiferença.
anih
Pegou o folder e guardou na bolsa. Em casa leu com mais cuidado :
" São poucas as pessoas capazes de amar. E seu sofrimento é ilimitado. Elas estariam próximas de Deus. São espelhos que refletem sua luz e tornam a sua vida suportável para nós, infelizes que cabaleiam no escuro. É possível que este seja o caso. Não sei, escolhi outro caminho, chamado desprezo e indiferença. - Ingmar Bergman ."
...E entendeu finalmente porque indentificara-se tanto. Ela também tinha preferido o o desprezo e a indiferença.
anih
quinta-feira, 14 de maio de 2009
flashs cotidianos
flashs cotidianos
não gostava muito de comer carne, mas depois de assistir aquela versão de fando e lis de SB, ao voltar prá casa e passar pelo homem do churrasquinho, pediu um, mal passado. 'com farofa?' - o rapaz perguntava, 'por que não?' - respondeu meio incrédula de que realmente ia comer aquilo.
e comeu, com fome. estranho, ela estava com fome. lembrou antes de entrar que precisva comprar papel higiênico, no buteco da esquina comprou uma coca-cola em lata. curioso também porque não tomava nunca coca cola. passou por duas academias a caminho do supermercado e viu as pessoas malhando com prazer. pensou rápido quando ia começar sua malhação sempre adiada. odiava malhar, mas sabia que se não fizesse isso bem rápido ia virar uma baranga. a baranga das barangas. sempre adiava as coisas : o silicone que sonhava em colocar, a plástica que queria fazer, o pelling, a malhação, o carro novo que ia trocar e também a viagem prá europa. adiava seus sonhos, adiava sua vida. a verdadeira vida que queria viver.
entrou no supermercado, não escolheu o papel mais caro, nem o mais barato. escolheu o papel higiênico de preço médio, não que isso fizesse diferença, mas por costume. ao passar pela caixa um rapaz atrás dela tinha quatro latas de cerveja na mão. a caixa de mal humor disse : gelada é mais cara. o rapaz fez aquela cara de 'quem te perguntou alguma coisa ?' , mas mesmo assim apenas comentou : 'não é o preço que está na geladeira?'. a caixa argumentou que sim, que era o preço da galeadeira, mas que quente o preço era outro. ai que saco, pensou, que caixa de supermercado enjoadinha. alias, ainda estava com o churrasquinho e a coca na mão, deu uma nota de dois reais e sem esperar troco saiu do supermercado com o papel higienico debaixo do braço, sequer o embrulhou. ao passar de novo pelas portas da academia, um homem alto e bem bonito passou e ficou olhando, depois envorgonhada, percebeu que ele olhava pro pacote de papel higiênico que sequer fora embrulhado e era carregado desastradamente embaixo do braço...
entrou na portaria ainda com vergonha de que outras pessoas olhassem o pacote, 'e nem era papel o mais caro', mas dane-se.
no elevador uma mulher que ela nunca tinha visto antes, reclamava que o inquilino tinha comprado um coelho. isso mesmo um coelho e colocara os bicho dentro de casa. o maldito coelho cagava tudo e a faxineira disse que tinha cocô de coelho até no armário. 'cala a boca mulher' - teve vontade de falar isso, mas apenas sorriu quando a mulher perguntou : 'esse povo que vem da roça, não entende que é ridiculo ter coelho, se ainda fosse gato ou cachorro, veja bem, eu até gosto de bicho, mas não dentro de casa, você não concorda?'. ainda bem que chegou o andar da mulher que odiava coelhos... ela gostava de coelho, mas não teria um no seu apartamento, sua gata morreria de ciúmes.
entrou em casa, ainda sentia fome, mas a lata de coca ficou pela metade. entrou na internet, verificou e-mails. ele tinha mandado mais um, dizendo que estava com saudades. ela sorriu mas achou triste a situação. estava incomodada com a carne do churrasco nos dentes, e foi passar fio dental.
flashs cotidianos
não gostava muito de comer carne, mas depois de assistir aquela versão de fando e lis de SB, ao voltar prá casa e passar pelo homem do churrasquinho, pediu um, mal passado. 'com farofa?' - o rapaz perguntava, 'por que não?' - respondeu meio incrédula de que realmente ia comer aquilo.
e comeu, com fome. estranho, ela estava com fome. lembrou antes de entrar que precisva comprar papel higiênico, no buteco da esquina comprou uma coca-cola em lata. curioso também porque não tomava nunca coca cola. passou por duas academias a caminho do supermercado e viu as pessoas malhando com prazer. pensou rápido quando ia começar sua malhação sempre adiada. odiava malhar, mas sabia que se não fizesse isso bem rápido ia virar uma baranga. a baranga das barangas. sempre adiava as coisas : o silicone que sonhava em colocar, a plástica que queria fazer, o pelling, a malhação, o carro novo que ia trocar e também a viagem prá europa. adiava seus sonhos, adiava sua vida. a verdadeira vida que queria viver.
entrou no supermercado, não escolheu o papel mais caro, nem o mais barato. escolheu o papel higiênico de preço médio, não que isso fizesse diferença, mas por costume. ao passar pela caixa um rapaz atrás dela tinha quatro latas de cerveja na mão. a caixa de mal humor disse : gelada é mais cara. o rapaz fez aquela cara de 'quem te perguntou alguma coisa ?' , mas mesmo assim apenas comentou : 'não é o preço que está na geladeira?'. a caixa argumentou que sim, que era o preço da galeadeira, mas que quente o preço era outro. ai que saco, pensou, que caixa de supermercado enjoadinha. alias, ainda estava com o churrasquinho e a coca na mão, deu uma nota de dois reais e sem esperar troco saiu do supermercado com o papel higienico debaixo do braço, sequer o embrulhou. ao passar de novo pelas portas da academia, um homem alto e bem bonito passou e ficou olhando, depois envorgonhada, percebeu que ele olhava pro pacote de papel higiênico que sequer fora embrulhado e era carregado desastradamente embaixo do braço...
entrou na portaria ainda com vergonha de que outras pessoas olhassem o pacote, 'e nem era papel o mais caro', mas dane-se.
no elevador uma mulher que ela nunca tinha visto antes, reclamava que o inquilino tinha comprado um coelho. isso mesmo um coelho e colocara os bicho dentro de casa. o maldito coelho cagava tudo e a faxineira disse que tinha cocô de coelho até no armário. 'cala a boca mulher' - teve vontade de falar isso, mas apenas sorriu quando a mulher perguntou : 'esse povo que vem da roça, não entende que é ridiculo ter coelho, se ainda fosse gato ou cachorro, veja bem, eu até gosto de bicho, mas não dentro de casa, você não concorda?'. ainda bem que chegou o andar da mulher que odiava coelhos... ela gostava de coelho, mas não teria um no seu apartamento, sua gata morreria de ciúmes.
entrou em casa, ainda sentia fome, mas a lata de coca ficou pela metade. entrou na internet, verificou e-mails. ele tinha mandado mais um, dizendo que estava com saudades. ela sorriu mas achou triste a situação. estava incomodada com a carne do churrasco nos dentes, e foi passar fio dental.
flashs cotidianos
segunda-feira, 11 de maio de 2009
poesia noutro canto
Muito boa a poesia que eu postei hoje no meu outro blog...
se você ainda não conhece o espaço, vale a pena dar uma conferida...
abraços liricos
anih
http://aniliah.spaces.live.com/
se você ainda não conhece o espaço, vale a pena dar uma conferida...
abraços liricos
anih
http://aniliah.spaces.live.com/
domingo, 10 de maio de 2009
flamengo
"futebol
maldito ópio da massa
que explode, extravasa
extrapola na cabeça
quarenta e cinco minutos de tensão
em duas vezes,
por vezes
na prorrogação
pagando com juros, sem parcelas
uma vida de dedicação
ao time ingrato e tão comercial
melhor perder que empatar
prá chorar as mágoas e os potes no primeiro bar
e solidarizar-se no ombro rubro negro amigo...
homem agarra homem
não psica, é gol, quase gol...
e no drible mais ingênuo
a falta nos descarta mais um jogador !
como é dura a vida de torcedor
que troca as pernas , cheio de dor
enfarta, descabela, xinga o juiz
mas na vitória dorme feliz
esperando na fila a cada novo campeonato
ah time ruim, time ingrato, time lindo, desiderato
time cruel, de tradição...
é "raça, amor e paixão
oh meu mengooo". . .
maldito ópio da massa
que explode, extravasa
extrapola na cabeça
quarenta e cinco minutos de tensão
em duas vezes,
por vezes
na prorrogação
pagando com juros, sem parcelas
uma vida de dedicação
ao time ingrato e tão comercial
melhor perder que empatar
prá chorar as mágoas e os potes no primeiro bar
e solidarizar-se no ombro rubro negro amigo...
homem agarra homem
não psica, é gol, quase gol...
e no drible mais ingênuo
a falta nos descarta mais um jogador !
como é dura a vida de torcedor
que troca as pernas , cheio de dor
enfarta, descabela, xinga o juiz
mas na vitória dorme feliz
esperando na fila a cada novo campeonato
ah time ruim, time ingrato, time lindo, desiderato
time cruel, de tradição...
é "raça, amor e paixão
oh meu mengooo". . .
quarta-feira, 6 de maio de 2009
Amanhã eu vou fazer 31 anos.
Curioso, mas eu não me lembro de ter passado pelos 29, 28 e nem mesmo 27. Só me lembro dos meus 20 anos. Aos 20 anos eu acreditava em tudo, e por isso tinha muito mais força que agora. Ah meus doces e intensos 20 anos...
É muito chato isso. É como se dez anos passassem sem que a gente percebesse, e num bater de asas de uma borboleta, você já acordasse balzaquiana !
Estou em deprê total. Não fiz nada que eu imaginei que faria (ou que já tivesse feito) depois dos 30 anos. Cadê meu livro, meu filho e minha árvore? Cadê meu grupo forte de teatro, meu espaço cultural, meu casamento de véu e grinalda na praia?
Eu só estou cinco quilos mais gorda, meus peitos mais caídos e minhas rugas piorando. Não nado mais como gostava, não escrevo mais como gostava, não faço mais teatro como gostava. Não sou mais a mesma. E não sei se gosto dessa aqui que me tornei.
No chuveiro, hoje, a água caía em torrentes e se misturavam com minhas amargas lágrimas, forçando não fazer caretas para não piorar as rugas. Refleti que essa vida que eu levo, está muito distante de ser a vida que eu realmente quero.
Se o ano da gente começa realmente após o nosso aniversário como diz a astrologia, pelo menos eu estou com um pouco de sorte, porque meu ano estaria começando amanhã.
E nesse recomeço de ano, eu decidi fazer algumas resoluções - resoluções de ano a novo, por assim dizer.
Eu lembro que aos 20 anos eu fiz uma lista das 21 coisas que eu gostaria de fazer antes dos 21 anos. Tenho sorte, porque agora posso ter mais dez itens na lista. Azar porque agora tenho mais cabelos brancos que eu posso contar na cabeça, e deixei de acreditar no amor verdadeiro como eu acreditava naquela época.
Perdi algumas referências de lá prá cá, e perdi também muitos amigos. Conheci a morte, como eu não conhecia, e conheci a dor que eu ignorava. Se me tornei melhor? Não sei se conhecer certas coisas melhoram alguém...
Não faço idéia se há 31 coisas que eu desejaria. Mais velha e menos coisas prá querer... rs... na verdade, acho que já me satisfaria muito bem com cinco coisas somente. Mas fiquem tranquilos, não vou colocá-las aqui... seria injusto vocês ficarem na expectativa, basta eu.
Essa reflexão ao menos me fez sentir melhor, porque eu fiquei com uma sensação tosca de que eu não fiz nada de importante nesse tempo. Mas eu fiz. Sei que fiz. Pode não ser como eu queria, posso ter pegado outros caminhos, posso ter me equivocado, ou escrito com outra mão, mas com certeza eu escrevi meu destino, porque eu fiz as escolhas. Até as piores. E não me arrependo porque estou muito maior agora.
Bem vindo então esses trinta e um anos. Vividos, convividos, devidos.
Curioso, mas eu não me lembro de ter passado pelos 29, 28 e nem mesmo 27. Só me lembro dos meus 20 anos. Aos 20 anos eu acreditava em tudo, e por isso tinha muito mais força que agora. Ah meus doces e intensos 20 anos...
É muito chato isso. É como se dez anos passassem sem que a gente percebesse, e num bater de asas de uma borboleta, você já acordasse balzaquiana !
Estou em deprê total. Não fiz nada que eu imaginei que faria (ou que já tivesse feito) depois dos 30 anos. Cadê meu livro, meu filho e minha árvore? Cadê meu grupo forte de teatro, meu espaço cultural, meu casamento de véu e grinalda na praia?
Eu só estou cinco quilos mais gorda, meus peitos mais caídos e minhas rugas piorando. Não nado mais como gostava, não escrevo mais como gostava, não faço mais teatro como gostava. Não sou mais a mesma. E não sei se gosto dessa aqui que me tornei.
No chuveiro, hoje, a água caía em torrentes e se misturavam com minhas amargas lágrimas, forçando não fazer caretas para não piorar as rugas. Refleti que essa vida que eu levo, está muito distante de ser a vida que eu realmente quero.
Se o ano da gente começa realmente após o nosso aniversário como diz a astrologia, pelo menos eu estou com um pouco de sorte, porque meu ano estaria começando amanhã.
E nesse recomeço de ano, eu decidi fazer algumas resoluções - resoluções de ano a novo, por assim dizer.
Eu lembro que aos 20 anos eu fiz uma lista das 21 coisas que eu gostaria de fazer antes dos 21 anos. Tenho sorte, porque agora posso ter mais dez itens na lista. Azar porque agora tenho mais cabelos brancos que eu posso contar na cabeça, e deixei de acreditar no amor verdadeiro como eu acreditava naquela época.
Perdi algumas referências de lá prá cá, e perdi também muitos amigos. Conheci a morte, como eu não conhecia, e conheci a dor que eu ignorava. Se me tornei melhor? Não sei se conhecer certas coisas melhoram alguém...
Não faço idéia se há 31 coisas que eu desejaria. Mais velha e menos coisas prá querer... rs... na verdade, acho que já me satisfaria muito bem com cinco coisas somente. Mas fiquem tranquilos, não vou colocá-las aqui... seria injusto vocês ficarem na expectativa, basta eu.
Essa reflexão ao menos me fez sentir melhor, porque eu fiquei com uma sensação tosca de que eu não fiz nada de importante nesse tempo. Mas eu fiz. Sei que fiz. Pode não ser como eu queria, posso ter pegado outros caminhos, posso ter me equivocado, ou escrito com outra mão, mas com certeza eu escrevi meu destino, porque eu fiz as escolhas. Até as piores. E não me arrependo porque estou muito maior agora.
Bem vindo então esses trinta e um anos. Vividos, convividos, devidos.
sábado, 2 de maio de 2009
" Eu te amei
Ao som do Djavan
E você foi meu amor mais puro
mais menino
E na minha inocência vã
Eu acreditei na eternidade do AGORA.
Você foi prá sempre, sem demora
Você foi de verdade
Com você eu não fingia
que gozava à vontade...
Você deixou um cheiro
inesquecível em mim
Um gosto
Terrível de se experimentar
Você foi tudo e era
No mesmo lugar.
E mesmo passando anos
Eu nunca deixei de lembrar
Como você era dentro de mim
E um dia,
Numa mesa de bar,
eu vou te contar tudo isso
Vou te contar como sofri
Como essa dor não tem a ver comigo.
Vou te mostrar
Que não é possível ser a ÚNICA a lembrar.
Vou te mostrar as cicatrizes
das feridas que você fez em mim
E pode ser que nesse dia
Tudo passe e chegue ao fim...
Por enquanto sigo fria
Inerte à qualquer amor
E mesmo que tal melancolia
Me ataque sem pudor
Vou dizer : BASTA
Já passou !
E seguir focando o nada
E ignorando a nossa história."
aniliah
(28/02/2009)
Algumas pessoas e situações são indignas de qualquer tipo de comentário, ou lembranças... ainda assim, nós comentamos ou lembramos. Lembramos em dias ébrios, lembramos em dias brancos.
O que dá mais raiva é que justamente essas pessoas indignas, são as únicas que temos essa vontade explícita de comentar !
Hoje, eu vejo como um abismo imenso separou-me de certas pessoas. E confesso que embora tenha vivido momentos sublimes, únicos, e os melhores da minha, vida, talvez, nessas companhias, confesso, que hoje, não as queria ao meu lado.
Passou, né ?
Eu e a minha dificuldade imensa de deixar o passado, no passado.
THE END
Ao som do Djavan
E você foi meu amor mais puro
mais menino
E na minha inocência vã
Eu acreditei na eternidade do AGORA.
Você foi prá sempre, sem demora
Você foi de verdade
Com você eu não fingia
que gozava à vontade...
Você deixou um cheiro
inesquecível em mim
Um gosto
Terrível de se experimentar
Você foi tudo e era
No mesmo lugar.
E mesmo passando anos
Eu nunca deixei de lembrar
Como você era dentro de mim
E um dia,
Numa mesa de bar,
eu vou te contar tudo isso
Vou te contar como sofri
Como essa dor não tem a ver comigo.
Vou te mostrar
Que não é possível ser a ÚNICA a lembrar.
Vou te mostrar as cicatrizes
das feridas que você fez em mim
E pode ser que nesse dia
Tudo passe e chegue ao fim...
Por enquanto sigo fria
Inerte à qualquer amor
E mesmo que tal melancolia
Me ataque sem pudor
Vou dizer : BASTA
Já passou !
E seguir focando o nada
E ignorando a nossa história."
aniliah
(28/02/2009)
Algumas pessoas e situações são indignas de qualquer tipo de comentário, ou lembranças... ainda assim, nós comentamos ou lembramos. Lembramos em dias ébrios, lembramos em dias brancos.
O que dá mais raiva é que justamente essas pessoas indignas, são as únicas que temos essa vontade explícita de comentar !
Hoje, eu vejo como um abismo imenso separou-me de certas pessoas. E confesso que embora tenha vivido momentos sublimes, únicos, e os melhores da minha, vida, talvez, nessas companhias, confesso, que hoje, não as queria ao meu lado.
Passou, né ?
Eu e a minha dificuldade imensa de deixar o passado, no passado.
THE END
segunda-feira, 27 de abril de 2009
PONTO DE INTERROGAÇÃO
Neste meu companheiro portátil , a quem as pessoas chamam de laptop ou notebook, encontro-me num sutil problema.
Ele veio dos Estados Unidos e sua configuração não é para o PORTUGUÊS. Isto é, os acentos estão nos lugares errados e fica impossivel colocar alguns símbolos gramaticais. Já me apeguei a esta máquina doce e irritante (as vezes brigamos feio), mas o fato é que ele é como aquele nosso velho carro, que a gente pensa que ninguém vai conseguir dirigir, porque possui problemas que só você conhece ! SIM ! Ele é exatamente assim !
Mas o fato que mais me irrita, é que eu já descobri quase TODOS os seus macetes, menos um, o que me deixa incrivelmente chatiada ! Não achei o PONTO DE INTERROGAÇÃO !!!
Simplemente já toquei todas as teclas, já virei de ponta a cabeça e o mistério do PONTO DE INTERROGAÇÃO continua... onde ele estará (leiam aqui um ponto de interrogação).
Logo eu, uma menina tão questionadora, com tantas dúvidas e sempre envolta em dilemas surreais, não posso sequer colocar um ponto de interrogação nas minhas dúvidas (leiam o ponto de interrogação, ainda!).
Meu texto saí prejudicado, e minhas idéias mais ainda. Tornei-me uma pessoa afirmativa. Jamais questionei nada depois do meu Laptop. A vida se tornou mais fácil (leiam aqui três pontos de interrogação). Não. Nem tanto. Continua uma vida imersa em problemas, só que dessa vez sem questões. Ao invez de ponto de interrogação, saem apenas DOIS PONTOS. Isso mesmo, " :: " - significam no meu teclado o PONTO DE INTERROGAÇÃO. NÃO CONSEGO ENTENDER, AFINAL OS AMERICANOS NÃO POSSUEM DÚVIDAS ( LEIAM AQUI UM PONTO DE INTERROGAÇÃO indignado). Devem ter !! Mas como eu não consigo pôr um ponto de interrogação nesse teclado gringo (leiam o ponto de interrogação) Como (novamente leiam mais um ponto de dúvidas).
Quando vou deixar recados no orkut ou no msn para meus amigos, nunca posso fazer perguntas... (veja só !) Jamais posso saber como eles vão, onde será a night de hoje, ou quem é aquele gato que aparece nas fotos dos albuns... infelizmente as perguntas saíram da minha vida por força maior !!
PROFUNDAMENTE minha vida mudou sem o mark question ! E agora :: (leiam-se o ponto) Agora, respondo.
Somente respondo.
Neste meu companheiro portátil , a quem as pessoas chamam de laptop ou notebook, encontro-me num sutil problema.
Ele veio dos Estados Unidos e sua configuração não é para o PORTUGUÊS. Isto é, os acentos estão nos lugares errados e fica impossivel colocar alguns símbolos gramaticais. Já me apeguei a esta máquina doce e irritante (as vezes brigamos feio), mas o fato é que ele é como aquele nosso velho carro, que a gente pensa que ninguém vai conseguir dirigir, porque possui problemas que só você conhece ! SIM ! Ele é exatamente assim !
Mas o fato que mais me irrita, é que eu já descobri quase TODOS os seus macetes, menos um, o que me deixa incrivelmente chatiada ! Não achei o PONTO DE INTERROGAÇÃO !!!
Simplemente já toquei todas as teclas, já virei de ponta a cabeça e o mistério do PONTO DE INTERROGAÇÃO continua... onde ele estará (leiam aqui um ponto de interrogação).
Logo eu, uma menina tão questionadora, com tantas dúvidas e sempre envolta em dilemas surreais, não posso sequer colocar um ponto de interrogação nas minhas dúvidas (leiam o ponto de interrogação, ainda!).
Meu texto saí prejudicado, e minhas idéias mais ainda. Tornei-me uma pessoa afirmativa. Jamais questionei nada depois do meu Laptop. A vida se tornou mais fácil (leiam aqui três pontos de interrogação). Não. Nem tanto. Continua uma vida imersa em problemas, só que dessa vez sem questões. Ao invez de ponto de interrogação, saem apenas DOIS PONTOS. Isso mesmo, " :: " - significam no meu teclado o PONTO DE INTERROGAÇÃO. NÃO CONSEGO ENTENDER, AFINAL OS AMERICANOS NÃO POSSUEM DÚVIDAS ( LEIAM AQUI UM PONTO DE INTERROGAÇÃO indignado). Devem ter !! Mas como eu não consigo pôr um ponto de interrogação nesse teclado gringo (leiam o ponto de interrogação) Como (novamente leiam mais um ponto de dúvidas).
Quando vou deixar recados no orkut ou no msn para meus amigos, nunca posso fazer perguntas... (veja só !) Jamais posso saber como eles vão, onde será a night de hoje, ou quem é aquele gato que aparece nas fotos dos albuns... infelizmente as perguntas saíram da minha vida por força maior !!
PROFUNDAMENTE minha vida mudou sem o mark question ! E agora :: (leiam-se o ponto) Agora, respondo.
Somente respondo.
quarta-feira, 22 de abril de 2009
Esses são os nossos políticos...
FRASE DA SEMANA
SENADOR PEDRO SIMON
JC - Como o senhor vê o ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) assumindo a Comissão de Infraestrutura do Senado e o presidente da Comissão de Orçamento sendo indicado pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL)?
Senador Pedro Simon - "Sou obrigado a reconhecer que, com toda a corrupção que teve de um tempo para cá, o que encontramos no governo Collor deveríamos ter enviado para o juizado de pequenas causas".
FRASE DA SEMANA
SENADOR PEDRO SIMON
JC - Como o senhor vê o ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL) assumindo a Comissão de Infraestrutura do Senado e o presidente da Comissão de Orçamento sendo indicado pelo senador Renan Calheiros (PMDB-AL)?
Senador Pedro Simon - "Sou obrigado a reconhecer que, com toda a corrupção que teve de um tempo para cá, o que encontramos no governo Collor deveríamos ter enviado para o juizado de pequenas causas".
quinta-feira, 16 de abril de 2009
IBITIPOCA - MG
dura na queda
(chico buarque)
perdida na avenida
canta seu enrredo
fora do carnaval
perdeu a saia,
perdeu o emprego
desfila natural
esquinas
mil buzinas
imagina orquestras
samba no chafariz
viva a folia
a dor não presta
felicidade sim
o sol ensolará a estrada bela
a lua alumiará o mar
a vida é bela, o sol, a estrada amarela (bis)
e as ondas, as ondas, as ondas, as ondas...
bambeia , cambaleia
é dura na queda
custa a cair... em si
largou família,
bebeu veneno
e vai morrer de rir
vagueia, devaneia
já apanhou à beça
mas pra quem sabe olhar
a flor também é
ferida aberta
e não se vê chorar
o sol ensolará a estrada bela
a lua alumiará o mar
a vida é bela, o sol, a estrada amarela (bis)
e as ondas, as ondas, as ondas, as ondas...
a lua alumiará o mar
a vida é bela, o sol, a estrada amarela (bis)
e as ondas, as ondas, as ondas, as ondas...
**********************************************
momento MEGA POSITIVO !
Positive !
terça-feira, 14 de abril de 2009
Licença Poética

Licença Poética
(livremente inspirado em piercing de Zeca Baleiro)
"Dá licença que eu quero passar com minha agonia
Minha expressão de todo dia
Essas dúvidas que não cessam e torturam...
Dá licença prá que eu me expresse
Da maneira que eu achar mais conveniente
E eu possa dizer tão somente
Aquilo que me dá horror.
Dá licença, dá licença
Tenho que passar rápidamente
Tenho que viver intensamente
Tenho que sofrer todo dia !
Dá licença e me perdoe a ousadia
Que eu sinto orgulho de me expor assim !
Dá licença e não caçoe de mim
Me engane , me elogie, me esculache
Me segure e me relaxe
Mas não me torture assim...
Dá licença pra essa explosão de sentidos
Pra esses abraços queridos
Pra esses beijos sem fim
Dá licença pros meus erros de Português
Pra minhas concordâncias absurdas
Pra essas frases sem sentido
Mas que significam tudo que quero !
Dá licença senão me desespero !
Dá licença e me entenda de uma vez por todas.
Dá licença pra essa poetisa louca...
Que não ri, que não se satisfaz
Que acusa de maneira contumaz
Que implora sempre prá ser ouvida.
Dá licença pra entender a minha vida...
E sacar que odeio lamentos
Que convivo com sonhos pequenos
que sobrevivo de suas gotinhas...
Dá licença me deixa sozinha !!
Chorando na cama que é lugar quente
E me coloque quatro serpentes
enrroladas por todo meu corpo.
Dá licença que estou bem sem tempo
Tenho alguns trabalhos que invento
Pra terminar e prá começar ...
Dá licença e me desculpe
Me desculpe por pedir tanta licença
e por achar indiferença
a maneira como me exclui."
Dá licença e me desculpe
Me desculpe por pedir tanta licença
e por achar indiferença
a maneira como me exclui."
Aniliah
segunda-feira, 6 de abril de 2009
"As convicções são piores inimigos da verdade que as mentiras"
(Nietzsche)
"O que é imposivel fazer hoje na sua vida, mas se você fizesse a mudaria completamente ? - o professor entrou na sala e escreveu essa frase em letras garrafais. Fiquei me perguntando sobre isso, mas achei a pergunta muito complexa. Se é impossível, como eu faria ? Muita coisa é impossivel prá mim nesse exato momento. E com certeza todas essas coisas mudariam totalmente minha vida. Talvez...
Bem talvez, partindo de uma coisa bem simples, mas que provavelmente não mudará, (isto é, é não impossivel, mas é bem difícil e depende só de mim) seria mudar as minhas CERTEZAS. As minhas convicções sobre quase tudo que tenho certeza no mundo. Algumas convicções não fazem tão bem. E são certezas que me aprisionam. Loucura, afinal, certezas são prá te libertarem, não te aprisionarem... mas algumas, aprisionam sim."
(Nietzsche)
"O que é imposivel fazer hoje na sua vida, mas se você fizesse a mudaria completamente ? - o professor entrou na sala e escreveu essa frase em letras garrafais. Fiquei me perguntando sobre isso, mas achei a pergunta muito complexa. Se é impossível, como eu faria ? Muita coisa é impossivel prá mim nesse exato momento. E com certeza todas essas coisas mudariam totalmente minha vida. Talvez...
Bem talvez, partindo de uma coisa bem simples, mas que provavelmente não mudará, (isto é, é não impossivel, mas é bem difícil e depende só de mim) seria mudar as minhas CERTEZAS. As minhas convicções sobre quase tudo que tenho certeza no mundo. Algumas convicções não fazem tão bem. E são certezas que me aprisionam. Loucura, afinal, certezas são prá te libertarem, não te aprisionarem... mas algumas, aprisionam sim."
domingo, 5 de abril de 2009

Mário Quintana
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira. ..
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
Desta forma, eu digo: Não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo,
a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais.
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando se vê, já é sexta-feira. ..
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê, já passaram-se 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado.
Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.
Desta forma, eu digo: Não deixe de fazer algo que gosta devido à falta de tempo,
a única falta que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais.
sábado, 4 de abril de 2009
Crônica muito crônica
"Saiu o imperador de espadas e o cavaleiro de copas, o que significava que ele era um homem inteligente, muito sagaz e de muitas realizações. E que provavelmente estava apaixonado. Mas ela estava ? Será que ela gostava mesmo dele ou provavelmente estava a fim apenas de fazer uma coisa diferente no seu mundo, e sair daquela monotonia que tinha se tornado sua vida amorosa ?
Foi pensado assim que chorou duas vezes, de insegurança e incerteza, que riu algumas vezes sozinha no trabalho e que ficou imaginando as milhões de coisas que poderiam e não poderiam acontecer entre eles. Ela não estava mais a fim de sofrer e amargar traição, chatiação, apurrinhação, chororô. Por isso optava em ficar sozinha tanto tempo. Mas ele apareceu do nada e bagunçou a vidinha dela. Exigia tantas coisas que a menina ficou confusa. Mas ela gostava da companhia dele. Não sabia nada, nem tinha certeza se era isso o que ela queria. Desconfiava do amor e a paixão repentina que esse cara oferecia... não se pode amar alguém em tão pouco tempo. Ou pode ? Ou será que ela por já estar tão calejada e amarga que não conseguia mais amar ninguém ?? Ou conseguia, mas não estava disposta, não considerava que o amor valia mais tanto a pena. Que situação repetida ! Que situação crônica ! Sabia antes de começar o fim daquilo tudo : sabia que eles iam curtir bons momentos, provavelmente ela ia querer casar e ele não. Provavelmente ele a trairia e ela não. Provavelmente ele ia esquecer da vida dos dois rapidamente e ela não. E mais provavelmente ainda ela ia querer morrer como todas as outras vezes e ele não.
Mas aí é que está. Essa é a vida, e por causa disso, mesmo sabendo o fim, e todos esses "provavelmentes", mesmo asssim, ela estava querendo começar outra vez. Dar uma chance prá esse imperador de espadas. Finalmente um homem ! Não mais um outro pajem, ou outro cavaleiro. Ela entendeu direitinho a mensagem do tarô. Agora restava a apenas sair outras cartas."
quarta-feira, 1 de abril de 2009
"Ela queria e não queria experimentar essa aventura. Mas...
Natural.
Era novo, e ela tinha muito medo. Medo de sair, de não sair, de se expor.
Tinha medo de acabar com a sua vida tão estruturadazinha, seus paradgmas tão absolutamente invioláveis e certos, seus princípios éticos e morais assegurados durante toda a sua vida... aquela absoluta certeza que se ela sacaneasse alguém, mais cedo ou mais tarde ela seria inevitávelmente sacaneada. A lei da Causa e Efeito , ensinaram prá ela. Mas ela estava de saco cheio !! Cheio ou pronto prá explodir ! Queria dar um basta em tudo, sair daquela vidinha pacata dela e viver de novo outras coisas, outros amores, outras chances.
Ao contrário sensu, era assustador. Quebrar a cara era uma coisa inevitável. Certamente iria sofrer... mas quem não sofre no caminho do amor ? Uma vez num livros desses populares e bobos, leu uma frase nada boba e extremamente marcante : que o amor era um caminho que vc poderia se privar , se desejasse, não precisava percorrê-lo, não sofreria, não passaria mágoas, perdas, traições, dor... mas essas coisas estão no caminho do amor. Mas privando-se delas também se privaria das delícias de amar e ser amada, de viver intensamente, enfim, era como se pra não enxergar as coisas ruins da vida, você acabasse por furar os dois olhos. Realmente não veria nada feio, mas também não veria as maravilhas, as delícias, as coisas boas do mundo.
Mas ela não era inexperiente, entendia que o risco era maior. Entendia também que ali estava envolvidas outras vidas, não só a dela. Era tão duro tomar uma decisão, simplesmente porque ela se considerava coadjuvante da sua própria vida!! Rídiculo, mas era a pura verdade.
Mas os dias ficaram muito pesados prá ela . Deus não habita na dúvida, habita na certeza. Mas no seu mundo, havia um tempo que estava sem religião, sem Deus, sem nada.
Mas era tanto "mas", tanto "tanto", entretanto e talvez... Era um momento bem confuso mesmo. Confuso até pra ela.
Então decidiu não decidir. Isso mesmo, não decidiria nada. A vida decidiria por ela, e falaria no momento oportuno. Quem sabe ela, a vida, lhe pegasse no colo e dissesse : dorme menina, dorme e não chora. Não chora que eu decido, não chora que eu faço tudo por você , confia em mim !
Então, antes mesmo dessa proposta da vida, ela, a menina, decidira confiar na vida e seguir em frente.
Segurou na mão da VIDA e disse : deixa ela me levar !
E assim foi indo."
FIM
terça-feira, 31 de março de 2009
Malandragem

- " Já falamos tudo o que deveriamos dizer, agora me dê licença por favor...
- Só mais uns momentos... quero olhar tudo pela ultima vez...
E lançou um olhar triste pelas caixas com livros e os utensílios da cozinha embrulhados em papel de jornal e espalhados no meio da sala.
- Uma última coisa : posso levar os cds da Cássia Eller ?
- Fica à vontade, são seus.
Ele se abaixou sobre a caixa de madeira e começou a procurar os cds da cantora. Nesse momento ela teve um flash. Um flash bom e amargo em sua cabeça. Lembrou quando ele chegou em casa com aquela caixa de madeira. Eles moravam num apartamento conjugado na Barata Ribeiro, ele era professor num projeto social do governo e ela ainda era estagiária. Naquele tempo eles transavam todos os dias. Bons tempos aqueles. Ele veio com aquela caixa enorme e disse sorrindo : "...Me deram lá no projeto. Os meninos da oficina de marcenaria que fizeram ! Você pode colocar os cds..." Ela sorriu mais ainda, aquele pequeno apartamento tinha a cara dos dois. Coisas que eles ganhavam, ou compravam nas feiras livres e viagens malucas. Aquela caixa de madeira, tão estilosa, era o que ela estava precisando prá guardar os seus cds que viviam amontoados próximo ao aparelho de som. Naquela noite arrumaram juntos os cds na caixa, comeram macarrão e tomaram sorvete. Era verão, e, sem ar condicionado, eles tomavam banho gelado e depois deitavam na cama semi-nus tomando sorvete. Às vezes transavam até ficarem com os corpos extremamente suados, e de novo, entravam no chuveiro gelado. Ela lembrou, fortemente, que, por dois anos, ela não derramou uma só lágrima, e que naquele conjugado pequeno e cafonamente decorado passou os melhores anos de sua vida.
Voltou a realidade com uma lágrima teimosa que cismava em cair do canto do olho esquerdo. Limpou rápido antes que ele notasse que ela se sensibilizava com qualquer coisa que fosse.
Finalmente levantou com uns onze ou doze cds nas mãos e alegou ainda sem graça:
- Não acho o último, aquele que você me deu ... - engasgou - ... no dia dos namorados. Não faz mal, fica aí, de repente se você ouvir, você lembra da nossa história. - ele abaixou os olhos.
- Não vou lembrar nunca! Não quero, não mereço... mereço a dádiva do esquecimento ! Não quero lembrar que te amei tanto, que vivemos tudo isso, e que tivemos um final tão triste... - disse isso em voz baixa e amargamente.
- Tudo bem, tudo bem, não vamos mais discutir. Então, é isso. - ele deu uma pausa.
- É isso. - ela foi rápida.
- Quando eu passei na quinta aqui e vi que você já estava embalando as coisas, me deu um aperto no peito... eu... sinto muito. Você vai embora que dia ?
- Final desse mês.
- Precisa de ajuda ?
Ela fez um silêncio desconcertante.
- Não. - pausa - Não.
- Que foi ?
- Só estava pensando como essa casa é bem maior do que nosso primeiro apartamento... E que... eu tenho que guardar as coisas sozinha agora.
- Precisa de ajuda ? - ele perguntou mais uma vez.
- Não, prefiro fazer sozinha mesmo. Obrigada.
- Então, adeus.
- Adeus.
Eles já estavam perto da porta, e ele despediu-se sem tocá-la. Ela fechou a porta por traz de si arrasada. Estava exausta, estraçalhada por dentro. Achava que nunca ia viver uma coisa tão horrível em toda a sua vida. Mesmo assim não chorou. Sentou-se no sofá olhando pra parede vazia. Deitou-se encolhendo as pernas, abraçando a almofada, sentiu um objeto machucando as costas, tentou retirar com as mãos... era o cd da Cássia Eller. Fitou-o longamente. Levantou-se e colocou no aparelho de cds. E foi assim, desse jeito, ouvindo : 'eu só peço a Deus, um pouco de malandragem' que ela conseguiu finalmente dormir naquela noite.
aniliah
sábado, 28 de março de 2009
quinta-feira, 26 de março de 2009
Intertexto
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
...
"sou um escritor de peças, mostro
o que ví, no mercado dos homens
ví como o homem é negociado, isso
eu mostro, eu, o escritor de peças.
Para poder mostrar o que vejo
consultei os espetáculos de outros povos e de outras épocas
reescrevi algumas peças, com cuidado
examinando a técnica usada e assimilando
aquilo que me podia ser útil.
E também as frases que eram pronunciadas dei a elas uma marca especial.
Para que fossem como as sentenças que se anota para que não sejam esquecidas."
"eu era filho de pessoas que tinham posses
meus pais puseram um colarinho engomado ao redor do meu pescoço
e me educaram para ser servido
e me ensinaram a arte de dar ordens
olhei ao redor de mim,
não gostei das pessoas da minha classe
nem de dar ordens, muito menos de ser servido
e abandonei as pessoas da minha classe
para viver ao lado dos humildes "
Bertolt Brecht, 1898-1956, teatrólogo e poeta alemão
... após ler "Sobre o Óbvio" - do Darcy Ribeiro e me torturar por achar-me um tanto quanto burguesa, tento aqui expurgar minha culpa.
Aniliah :(
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.
...
"sou um escritor de peças, mostro
o que ví, no mercado dos homens
ví como o homem é negociado, isso
eu mostro, eu, o escritor de peças.
Para poder mostrar o que vejo
consultei os espetáculos de outros povos e de outras épocas
reescrevi algumas peças, com cuidado
examinando a técnica usada e assimilando
aquilo que me podia ser útil.
E também as frases que eram pronunciadas dei a elas uma marca especial.
Para que fossem como as sentenças que se anota para que não sejam esquecidas."
"eu era filho de pessoas que tinham posses
meus pais puseram um colarinho engomado ao redor do meu pescoço
e me educaram para ser servido
e me ensinaram a arte de dar ordens
olhei ao redor de mim,
não gostei das pessoas da minha classe
nem de dar ordens, muito menos de ser servido
e abandonei as pessoas da minha classe
para viver ao lado dos humildes "
Bertolt Brecht, 1898-1956, teatrólogo e poeta alemão
... após ler "Sobre o Óbvio" - do Darcy Ribeiro e me torturar por achar-me um tanto quanto burguesa, tento aqui expurgar minha culpa.
Aniliah :(
quarta-feira, 25 de março de 2009
Maldições
"Você acredita que as coisas estão escritas
ou que você mesmo escreve o seu destino ?"
Todos os seus homens haviam dito prá ela, que nenhum outro a amaria com tanta intensidade, ou tanto, como eles. É verdade, todos a amaram completamente diferente.
Agora sozinha, ela compreendia mais que nunca aquela frase. O medo dos idiotas era que ela os abandonasse. Pior : que ela sentisse remorço, ou incapaz de arrumar outro melhor do que o namorado chantagista do momento.
E foi pensando nisso que ela embarcou no metrô, no carro destinado 'só prás mulheres' e começou a ler a bibliografia indicada do seu curso de pós-graduação.
Estava cheio, mas passando pela estação da Cinelândia ela viu de relance, entre o texto em punho e a bolsa plástica de uma mulher, um ex namorado seu aguardando pra embarcar no vagão lotado ao lado. Ela abaixou a cabeça, e gelou. Achou estranho vê-lo assim de longe. E como estava diferente ! Sorriu lembrando de um beijo dos dois. Um que durou toda a viagem de metrô e algumas estações além. Imaginou que se tivesse embarcado no carro pra homens e mulheres eles se encontrariam, e talvez, quem sabe, trocassem duas ou três palavras. Sorriu de novo lembrando de como amara aquele homem. E hoje, nada. Não sentia nada. Nem mesmo o alívio que havia sentido quando finalmente conseguiu separar-se dele, dizendo : -" Acabou, agora é mesmo de verdade, acabou !"
Naquele tempo ela pensava que ele era o amor da sua vida. Aliás ela pensava isso de todos. Pois é, todos.
Chegou sua estação, guardou o texto na bolsa e pedindo 'dá licença', 'dá licença', conseguiu ser expelida do vagão lotado. Ainda olhando prá traz fez a última lembrança da noite ... que este ex-namorado tinha sido um dos que falou entre lágrimas e insultos : "NENHUM OUTRO VAI TE AMAR COMO EU TE AMEI!"
Último sorriso, irônico dessa vez. Estava atrasada e mal viu o trem partindo rapidamente.
anilia silveira
terça-feira, 24 de março de 2009
as ondas
as ondas, as ondas, as ondas...
se as ondas de desejo percorrem meu corpo
é porque sou um ser contraditório e
assim parodoxal ...
não é um alívio poder ser livre
e abusar dessa liberdade dessa forma profana
e selvagem
se as milhões de dúvidas correm nos anaxiomas cerebrais
me dão insônia e tiram me sono as vezes
não é remorso, ou culpa
é só naturalmente
vontade de saber as respostas
sobre essas ondas que não cessam
nunca cessam...
se as ondas de desejo percorrem meu corpo
é porque sou um ser contraditório e
assim parodoxal ...
não é um alívio poder ser livre
e abusar dessa liberdade dessa forma profana
e selvagem
se as milhões de dúvidas correm nos anaxiomas cerebrais
me dão insônia e tiram me sono as vezes
não é remorso, ou culpa
é só naturalmente
vontade de saber as respostas
sobre essas ondas que não cessam
nunca cessam...
domingo, 22 de março de 2009
Conto Anti-Erótico
- Você tem que ler meu primeiro conto erótico! - ela ficava excitada toda vez que sugeria isso.
- Claro, eu quero, quero muito. Assim que tivermos um tempo...
Só que as duas nunca tinham. Naquelas curtas férias eram tantos bares pra ir, tantas esquinas pra virar, tantas bocas pra beijar, tanto banho de mar pra se tomar. E fazia um calor de 40 graus no Rio de Janeiro, as chinelas havaianas derretiam no tapete de asfalto que se estendia naqueles bairros próximos. Numa noite, numa fila interminável de banheiro, ela confessou à outra :
- Sabe, depois que depois publiquei meu conto erótico no blogger, muitas coisas aconteceram : recebi a proposta de fazer um curta metragem !
- Um curta :: ! - Excitou-se mais ainda a outra - é vou ter que ler mesmo este conto.
- E não é só isso, veja só o que eu recebi... - disse-lhe entregando o celular.
Era uma mensagem, de uma leitora do blogger. Nessa mensagem a leitora confessava sua excitação ao ler o conto erótico e a repentina paixonite aguda pela autora.
- Coisa louca esse negócio de escrever. As pessoas participam de sua vida, elas se envolvem de uma maneira que você nem imagina. Acham que você é íntima delas, quando você mal as conhece.
- É verdade, escrever é poderoso e te dá um poder extraordinário...
Evidentemente, quando leem o que você escreve . O que não açontece com muitos escritores de hoje, já que o culto à leitura torna-se um hábito cada dia mais raro e seletivo.
Então ambas ficaram ali, discutindo naquela noite de verão, sobre como a literatura mexia com as pessoas e como de certa forma ela mudava as nossas vidas...
Tudo poderia terminar por aí, se um dia mais por persistência que por insistência a outra foi de fato, ler o tal conto. Era bom.
Bom mesmo, lírico, de um lirismo jovem, da nossa geração. E a partir daí, essa outra ficou imaginando se também não podia escrever um conto erótico.
Mas era se expor demais, afinal, a amiga confessara que tal conto tinha sido inspirado numa situação real. Por isso ela estava com medo : ... poxa, para soar verdadeiro de repente, teria que viver algo semelhante. E a coragem : não tinha ! Não tinha coragem pra viver nada assim. E mesmo que tivesse , vá lá - contar isso prá todo mundo... era sinceramente ultrapassar seus limites. Sentia admiração pela coragem da amiga, inveja por não conseguir fazer algo semelhante...
Já estava se conformando, se nunca poder escrever um conto erótico. Mas num dia desses, dessas férias, nesse mesmo verão, fora à praia com a amiga. Com a amiga do conto-erótico.
Era cedo, e pegaram o ônibus pra Ipanema ainda vazio, embora fosse fim de semana. Saltaram próximo ao posto nove, ainda o point da praia. A caminho da praia se depararam com a vitrine de uma galeria de arte, que expunha inúmeros cartões postais franceses.
- Lindos ! Olha aquele da Torre Eifel...
- Fantástico o ângulo !
Estavam ali entretidas naquelas deslumbrantes fotografias, quando uma figura mais deslumbrante ainda abriu a porta da galeria deixando escapar uma lufada de vento frio do ar condicionado que escapava do interior da loja.
- Vocês podem entrar se quiserem... tem mais postais lá dentro...
Ele sim, era simplesmente LIN-DO !
Ambas amigas , entre boquiabertas e paralisadas foram se deixando entrar pelo interior da galeria de arte, embora estivessem de chinelas e com guarda-sol em punho...
E embora o rapaz se esforçasse em mostrar as belas fotografias dos cartões postais importados, nada fazia com que ambas as meninas tirassem os olhos daquele quase latino, quase europeu, quase um modelo, quase um deus grego.
Ele era alto de cabelos compridos e presos num rabo de cavalo, de olhos levemente puxados e uma boca convidativa. Foi inevitável imaginar um conto erótico com ELE.
Os postais não eram caros, mas as reações das amigas estavam lentas e dispersas. Não sabiam se elogiavam com elouquencia os cartões postais que se mostravam, ou se olhavam pro menino tão bonito e educado que atendia-as com uma atenção especial.
Poucos minutos juntos, mas foi descoberto coisas íntimas : ele era ator, ele se vestia muito bem, e sabia nome de vários fotógrafos famosos.
-“ Ah é o namorado ideal” – pensava a autora do conto erótico.
- “ Ah um conto erótico com esse muso...” – a amiga com pensamentos bem mais inescrupulosos.
Enfim, quase sem querer as meninas saíram. Não iam mesmo comprar os postais, mas pegaram o cartão com o nome do homem-perfeito... de fato não lembrariam esse nome mais tarde, mas a cena, a cena sim era inesquecível.
Ao caminharem pra praia foi inevitável o comentário de ambas:
- Nossa que maravilhoso ! Que homem é aquele !!
- Na hora imaginei escrever sobre ele...
- Um conto erótico...- suscitou a outra, mas logo balançou a cabeça - ... impossível ! Nada aconteceu, só se fosse totalmente fictício. O meu conto ao menos tinha uma base real.
- Se você não escrever, eu escrevo... – e rindo prá si mesma imaginou como seria seu primeiro conto anti-erótico.
E finalmente colocaram os pés nas areias quentes de Ipanema.
FIM
- Você tem que ler meu primeiro conto erótico! - ela ficava excitada toda vez que sugeria isso.
- Claro, eu quero, quero muito. Assim que tivermos um tempo...
Só que as duas nunca tinham. Naquelas curtas férias eram tantos bares pra ir, tantas esquinas pra virar, tantas bocas pra beijar, tanto banho de mar pra se tomar. E fazia um calor de 40 graus no Rio de Janeiro, as chinelas havaianas derretiam no tapete de asfalto que se estendia naqueles bairros próximos. Numa noite, numa fila interminável de banheiro, ela confessou à outra :
- Sabe, depois que depois publiquei meu conto erótico no blogger, muitas coisas aconteceram : recebi a proposta de fazer um curta metragem !
- Um curta :: ! - Excitou-se mais ainda a outra - é vou ter que ler mesmo este conto.
- E não é só isso, veja só o que eu recebi... - disse-lhe entregando o celular.
Era uma mensagem, de uma leitora do blogger. Nessa mensagem a leitora confessava sua excitação ao ler o conto erótico e a repentina paixonite aguda pela autora.
- Coisa louca esse negócio de escrever. As pessoas participam de sua vida, elas se envolvem de uma maneira que você nem imagina. Acham que você é íntima delas, quando você mal as conhece.
- É verdade, escrever é poderoso e te dá um poder extraordinário...
Evidentemente, quando leem o que você escreve . O que não açontece com muitos escritores de hoje, já que o culto à leitura torna-se um hábito cada dia mais raro e seletivo.
Então ambas ficaram ali, discutindo naquela noite de verão, sobre como a literatura mexia com as pessoas e como de certa forma ela mudava as nossas vidas...
Tudo poderia terminar por aí, se um dia mais por persistência que por insistência a outra foi de fato, ler o tal conto. Era bom.
Bom mesmo, lírico, de um lirismo jovem, da nossa geração. E a partir daí, essa outra ficou imaginando se também não podia escrever um conto erótico.
Mas era se expor demais, afinal, a amiga confessara que tal conto tinha sido inspirado numa situação real. Por isso ela estava com medo : ... poxa, para soar verdadeiro de repente, teria que viver algo semelhante. E a coragem : não tinha ! Não tinha coragem pra viver nada assim. E mesmo que tivesse , vá lá - contar isso prá todo mundo... era sinceramente ultrapassar seus limites. Sentia admiração pela coragem da amiga, inveja por não conseguir fazer algo semelhante...
Já estava se conformando, se nunca poder escrever um conto erótico. Mas num dia desses, dessas férias, nesse mesmo verão, fora à praia com a amiga. Com a amiga do conto-erótico.
Era cedo, e pegaram o ônibus pra Ipanema ainda vazio, embora fosse fim de semana. Saltaram próximo ao posto nove, ainda o point da praia. A caminho da praia se depararam com a vitrine de uma galeria de arte, que expunha inúmeros cartões postais franceses.
- Lindos ! Olha aquele da Torre Eifel...
- Fantástico o ângulo !
Estavam ali entretidas naquelas deslumbrantes fotografias, quando uma figura mais deslumbrante ainda abriu a porta da galeria deixando escapar uma lufada de vento frio do ar condicionado que escapava do interior da loja.
- Vocês podem entrar se quiserem... tem mais postais lá dentro...
Ele sim, era simplesmente LIN-DO !
Ambas amigas , entre boquiabertas e paralisadas foram se deixando entrar pelo interior da galeria de arte, embora estivessem de chinelas e com guarda-sol em punho...
E embora o rapaz se esforçasse em mostrar as belas fotografias dos cartões postais importados, nada fazia com que ambas as meninas tirassem os olhos daquele quase latino, quase europeu, quase um modelo, quase um deus grego.
Ele era alto de cabelos compridos e presos num rabo de cavalo, de olhos levemente puxados e uma boca convidativa. Foi inevitável imaginar um conto erótico com ELE.
Os postais não eram caros, mas as reações das amigas estavam lentas e dispersas. Não sabiam se elogiavam com elouquencia os cartões postais que se mostravam, ou se olhavam pro menino tão bonito e educado que atendia-as com uma atenção especial.
Poucos minutos juntos, mas foi descoberto coisas íntimas : ele era ator, ele se vestia muito bem, e sabia nome de vários fotógrafos famosos.
-“ Ah é o namorado ideal” – pensava a autora do conto erótico.
- “ Ah um conto erótico com esse muso...” – a amiga com pensamentos bem mais inescrupulosos.
Enfim, quase sem querer as meninas saíram. Não iam mesmo comprar os postais, mas pegaram o cartão com o nome do homem-perfeito... de fato não lembrariam esse nome mais tarde, mas a cena, a cena sim era inesquecível.
Ao caminharem pra praia foi inevitável o comentário de ambas:
- Nossa que maravilhoso ! Que homem é aquele !!
- Na hora imaginei escrever sobre ele...
- Um conto erótico...- suscitou a outra, mas logo balançou a cabeça - ... impossível ! Nada aconteceu, só se fosse totalmente fictício. O meu conto ao menos tinha uma base real.
- Se você não escrever, eu escrevo... – e rindo prá si mesma imaginou como seria seu primeiro conto anti-erótico.
E finalmente colocaram os pés nas areias quentes de Ipanema.
FIM
quinta-feira, 19 de março de 2009
antes eu tinha muita imaginação, muitas histórias pra contar... eu só não tinha espaço e ninguém para contar as minhas histórias. então passei a contar pras paredes, pra vida, pro chão verde de cimento, pra umidade que crescia em cada mês de marçco nas paredes do meu quarto. depois eu cresci e continuei a procurar gentes para contar as coisas que eu sonhava, ou pensava, ou escrevia, ou lia. de fato eu era uma menina muito falante. ou carente. não sei bem. sei que ainda adolescente, arrumei pessoas que queriam me escutar. acho que foi de tanto insistir. talvez seja de tanto falar coisas à toa. umas que faziam sinceramente sentido, outras, nenhum. mas isso também não faz sentido nenhum. umas pessoas começaram a dizer que eu dizia coisas boas, e bonitas, e eu começcei a registrar isso, em folhas, em papéis. ok , até aí tudo bem, mas ainda achava sem sentido escrever só pra mim, queria dizer pra todo mundo, não era suficiente recitar algumas poesias em festinhas, ou ler crônicas pros amigos da família. bom, então ganhei um computador, e desde o início achei bem interessante a idéia de ter um blogger... já escrevia em meus diários e meu sonho secreto sempre foi um dia morrer e ter toda a minha vida publicada, quiçá até cinematografada, pelos diários malucos que eu tinha... ter um blogger seria tornar minha vida privda pública, seria participar todo mundo das coisas que eu achava bom ou ruim, enfim, talvez fosse uma maneira de aplacar a imaginação. ou solidão. fiz por algum tempo meu primeiro blogger, que desisiti também bem rápido por ser totalmente abandonado, não visitado e esquecido. caiu em ostracismo total : jamais entendi. me achava tão criativa e inteligente, porque as pessoas não entravam todos os dias naquele espaço carinhosamente por mim criado para ler minhas genialidades... eu era incompreendida. não faz mal, Picasso também foi. depois disso me envolvi ainda mais com teatro, e faculdade, e festinhas, e mais teatro, no fim, nos palcos o que me dava mais prazer era ver algo que eu tinha escrito encenado. mais uma maneira de me fazer ouvir. queira que aquelas palavras por mim organizadas, fossem ditas por outras pessoas e ouvidas por outras ainda. de fato foram, e minha imaginação parecia inesgotável ! podia passar noites e noites escrevendo e tinha achado uma maneira de ser ouvida por muitas pessoas ao mesmo tempo : ouvida do palco... que veículo maravilhoso é o teatro. só que crescendo eu também comecei a querer fazer teatro de gente-grande, e aí as coisas se complicaram um pouco. eu tinha que gastar mais que tinha ou que podia, eu tinha que pagar prá que meus textos fossem ditos por esse maravilhoso vício que são as artes cênicas. se fosse apenas "pagar", tudo bem... mas não era bem pagar... era trabalhar bem duro, ter expectativa, ensaiar, investir... era um pagamento que não tinha preço. era uma coisa bem estranha mesmo. só sei que no fim me envolvi muito em algo que queria mais-ou-menos só prá ter pouco de algo que no fundo eu queria muito , queria desde pequena : ser ouvida. claro que depois veio outro blogger, e esse continua a não ser visitado por ninguém, destino que aceito sem culpa, sem remorço e que não doi nem um pouco. falar sozinha, escrever prá mim, já são coisas que não doem mais. antes doía, antes sangrava. hoje eu entendo que a gente não escreve prá ninguém, ou antes, escreve prá gente mesmo. pra expurgar, prá por pra fora. pra entender que mesmo escrevendo páginas e páginas a nossa 'genialidade' é efêmera, e só existe prá gente mesmo. umas pessoas vão gostar, outras achar normal, outras ainda, odiar... mas isso tudo não fará a menor diferença. não vai mudar a minha vida ou me tornar uma tennesse willians de copacabana. nem uma grande escritora. e na verdade, nessa altura da vida, eu sei qaue o maior prazer mesmo não é ser ouvida, é compreender que eu posso falar à vontade, escrever à vontade. e ser feliz assim mesmo. e ser feliz por isso mesmo. e fim.
segunda-feira, 16 de março de 2009
Vício Lírico
Vício Lírico
VICIADA
em chocolates
VICIADA
em estradas
em cores
em drama
em arte
VICIADA
em cheiros
em quebra-cabeças
em livros pela metade
em bons rotieros
em vontades...
VICIADA
em palavras
analgésicas
palavras histéricas...
QUEBRADA
VIRTUALMENTE INVADIDA
ESTUPRADA
VICIADA.
VICIADA
em chocolates
VICIADA
em estradas
em cores
em drama
em arte
VICIADA
em cheiros
em quebra-cabeças
em livros pela metade
em bons rotieros
em vontades...
VICIADA
em palavras
analgésicas
palavras histéricas...
QUEBRADA
VIRTUALMENTE INVADIDA
ESTUPRADA
VICIADA.
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