Passarinho, passarinho, seguidor pequeninino, pousa aqui, pousa acolá.
Pousa de leve, num sapato velho, num banco de praça que não senta ninguém.
Passarinho pica aqui, acha uns pedaços, desfaz uns laços e cata cabelinhos para seu ninho.
Passarinho abre mão de tudo : abre mão das coisas que deseja, das paragens que sonha voar. Passarinho dessiste mesmo. Ele está muito infeliz com a vida chata que leva, essa vida de ter que ciscar todo dia, e de ter que voar sempre a favor do vento.
Passarinho só canta lamento.
Passarinho não sabe mais o que é viajar. Ele não sai desse campo, com medo de não voltar.
Um dia passarinho morre, e aí é que eu quero ver. Passarinho tão pequeno, nada fez, nada quis ser. Morrerá como pingo de chuva que cai lá do alto, e de tão escasso, não molha ninguém.
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