sábado, 12 de setembro de 2009

vida de passarinho

Passarinho, passarinho, seguidor pequeninino, pousa aqui, pousa acolá.
Pousa de leve, num sapato velho, num banco de praça que não senta ninguém.
Passarinho pica aqui, acha uns pedaços, desfaz uns laços e cata cabelinhos para seu ninho.
Passarinho abre mão de tudo : abre mão das coisas que deseja, das paragens que sonha voar. Passarinho dessiste mesmo. Ele está muito infeliz com a vida chata que leva, essa vida de ter que ciscar todo dia, e de ter que voar sempre a favor do vento.
Passarinho só canta lamento.
Passarinho não sabe mais o que é viajar. Ele não sai desse campo, com medo de não voltar.
Um dia passarinho morre, e aí é que eu quero ver. Passarinho tão pequeno, nada fez, nada quis ser. Morrerá como pingo de chuva que cai lá do alto, e de tão escasso, não molha ninguém.

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