sexta-feira, 2 de outubro de 2009

geração anos 70

Li que sou de uma geração que foi criada prá acreditar que podia fazer de tudo. Com a máxima liberdade, com a inteira perfeição. Li, que sou fruto dos hippies, que pregavam a liberdade total e ilimitavam as possibilidades. E no meio de tantas possibilidades, essa geração se tornou perdida. Já que tudo podiam fazer, se multifocaram de tal forma, que agora se tornaram adultos infantilizados . Balzaquianos sem direção, ainda dependentes dos pais, ainda sem perspectivas sólidas de futuro. Amadurecem tarde, porque são prematuros, e não entendem como seus sonhos, antes creditados por seus pais , não se tornaram realidade. Adultos, que foram criados para acreditarem que o mundo era prá eles e não vice e versa. Uma geração de iludidos.
As vezes me sinto mesmo iludida. Iludida por acreditar por tanto tempo, o quanto eu era boa e podia fazer bem as coisas. Mas hoje, percebo que de fato, nunca fiz nada muito bem, porque simplesmente não estava ijnteiramente focada no que me propunha a fazer. E esse lance de foco, agora entendo que é de toda a minha geração.
Menos mal, afinal, não me sinto a única perdida, a única que ainda não sabe se quer ser mãe, fazer mestrado ou entrar numa academia e ter seios de silicone... ora bolas, todos esses são sonhos meus. Sonho em ir prá Europa, mas contraditóriamente, quero ficar aqui e montar um negócio meu. Sequer sei ainda o tipo de negócio que eu desejo - falta-me decisão.
E ainda com tantas incertezas, ainda sou uma das mulheres mais centradas, mais ' pé no chão' da minha geração. A maioria, se não se colocaram na vida por força do destino ( tornando-se mães precocemente), ainda está com um pé na adolescencia, querendo fazer outra faculdade, ou ainda decidido no que realmente querem trabalhar...
Esse filme novo do Caio Blat, que estreou no Festival do Rio fala sobre isso, e nos faz sentir exatamente isso. Filhos de uma não-geração.
Doida ou não, concordo plenamente, acredito nisso. Sempre quis compartilhar esse sentimento de me sentir deslocada, de ter muitas opções e ao mesmo tempo nenhuma...
A coisa positiva dessa história, é que agora , mais consciente, posso tentar me focar em tentar.
Ter medo do fracasso era a minha derrota. HOJE entendo que é melhor um fracassado, que ser
uma ETERNA promessa, que sempre está em vias de acontecer, mas nunca acontece, nunca explode, com medo não suportar seu proprio sucesso.

Aniliah