CAIR DO PEDESTAL
As vezes a vida nos prega cada peça...
...algumas coisas acontecem só pra te provar que a vida de ninguém é sua. Que você não tem em absoluto domínio e nem "manda" na vida de ninguém. Não decide pelos outros. Você só tem o poder de decidir sobre sua própria vida. Somente isso, e isso já é demais. Isso já deveria bastar.
Mas não! Não para uma pessoinha megalomaníaca como você. Uma dominadora, uma mulher incapaz de ouvir o outro.
Acho que você realmente deveria abrir seus olhos e pensar que faz um jogo de manipulação sem perceber.
Talvez você seja má, e dentro do seu mundo.
Talvez.
Mas incompreensiva é certo que é. Sem a empatia necessária de se colocar no lugar do outro, vive por aí, frustrada - porque ninguém faz o que você quer, como você quer ou da forma que você quer.
Você precisa perceber enquanto é tempo, sacar que ... o que te faz infeliz é esse desejo maluco e incontestável de controlar. O controle. O terrível controle.
E não há artifícios suficientemente sofisticados que você não tenha usado pra não perder o controle, ou pelo menos tentar imaginar que você tem algum controle sobre algo. Psicoterapia, chantagem emocional, depressão, imaginação, poesia, abstração, teatro, escrever em blog, escrever no face, virar vítima, virar a vilã, ameaçar... mas algo você ainda não fez. E vendo agora de fora, de longe, percebo que é a única coisa que você deveria fazer: ABRIR MÃO, DESISTIR.
Mas abrir mão do controle é ... muito difícil. Complexo. É cuidar só de si.
É esquecer um pouco todo mundo que você quer consertar, mandar, venerar, amar. É esquecer que o mundo se vive junto, e que vender iogurte em duplas, dia dos namorados, mesa para dois, cadeira dupla de cinema e o pague um leve dois são apenas jogadas de marketing baratas.
Fazer isso seria o mesmo que reencarnar, numa nova vida. Numa vida que você não estaria tão acostumada com o outro, o mundo do outro no seu mundo. Seria não fazer mais parte dessa Companhia. E de nenhuma outra, na verdade. Seria ser uma mulher errante. Uma aventureira, uma excêntrica, sem lar, família, ou gatos, ou casa, ou até mesmo emprego.
Seria aprender a viver o dia, o presente singular. A viver tua história e não a história que te criaram ou que você sonha pros outros.
é... seria mesmo um desafio deixar de ser tão megalomaníaca, e tão controladora. Mas você não consegue, talvez nem possa, pois ser assim é tudo que te resta para continuar viva. E viver essa merda de vida que você vive.