segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Sem titulo

Uma dose de conhaque amargo e dolorida...
Um desejo de perder de a vida
Nao ver mais sentido em coisas vitais: como respirar,comer,dormir.
Uma sincera vontade de sumir. De nunca ter nascido, de não ser tão sensível assim.
Um vazio que parece fome, mas não eh fome: eh somente a vontade de não ter mais fome. A vontade de não ingerir alimentos, por não ter mais vontade de viver.
Uma frescura de depressão. Uma ... Uma palhaçada. Uma babaquice tão grande que se não fosse comigo, eu mandava ir a merda. Procurar uma roupa pra lavar, ajudar um pobre pra ver se passa.
Uma insegurança, um jardim estéril. Uma terrível dor de cabeça, de cotovelo.
Uma sensação de desamparo. De solidão. De finalmente entender que somos sozinhos no universo. Que não há uma sabedoria divina. Que não há carma, que não há lei. De que talvez os malvados sempre ganhem. De que talvez os malvados não existam. De que talvez EU seja uma malvada.
Uma duvida de morte. Que percorre o corpo, as palavras e me tira o sono. Uma impaciência infinita. Um mau humor infinito. Que aparece nos beijos, nas olheiras, nas palavras. Tão amarga a troco de nada. Uma guerra declarada que não cessa, nunca. Uma paz que nunca chega. Um prêmio que nunca chega. Uma vontade de trepar que só chega as vezes - mas quase sempre me faz dormir primeiro.
Um sono que eu não entendo. E não quero sentir. E se sinto tanto, deve ser porque tenho que dormir de uma vez? Sensação de que nunca durmo, e se durmo não descanso, e se descanso me culpo por atrasar trabalho.
Um trabalho interminável. Que me esgota. Que me sucumbe. Que não existe, no sentido de não fazer o menor sentido.
Um sonho de poder realizar meus sonhos: um filho, um trabalho perto de casa, um livro de teatro. Um grupo, um tablado, um porque de levantar todos os dias, de não querer desistir.
Um pouco de paz. Uma ida na praia, um cochilo na areia. Um macarrão feito por mim.
Uma casa grande, que não cheire a mofo, que não tenha gatos e que não produza lixo e bagulhos sozinha. Uma casa que não acumule tanta porcaria. Uma casa completamente vazia.
Uma felicidade embaixo da cama, uma sensação que nunca mais vou chorar, nunca mais ter cabelos brancos.
Uma boa festa, rever velhos amigos, bem velhos mesmo, aqueles de dez anos atras. Mas sentir que o tempo jamais passou. Que eles me chamaram para seus casamentos e aniversários, que dedicaram pecas e livros pra mim.
Uma sensação de ser alguém na vida. De ter alguma coisa, de ter alguém. Alguém só meu. Que dependa de mim pra viver...
Um gosto de vitoria, de poder, de gloria. Um gosto comemorar com merecimento. De poder dizer UFA.
Não me sentir errada, incompetente, incompreendida, perversa, neurótica, esquisita, escrita, burra e infeliz.
Não ter mais porque errar. Não procurar erros, nem culpas. Porque os erros não existem e as culpas sao de ninguém.
Não ter dogmas, ou regras, ou paradigmas bocais. Não ter essa sensação horrível que dou azar para todos que me tocam, me seguem, ou viram meus amigos. Não achar que tenho dedo podre e toque de Midas invertido.
Me permitir. Aceitar ser menos careta, menos certa, menos previsível. Deixar - se levar. Deixar - se gozar. Deixar - se.
Aprender que tudo eh ciclo. Tudo passa, e que na vida, vence o que teve mais desapego, mais maleabilidade, mais entrega.
Saber coisas. E não querer saber tudo. E um dia poder morrer de nada e morrer de tudo.


ANILIA