sexta-feira, 18 de maio de 2018

saudades de um ELE que ele não sabe

Eu queria mesmo era te fazer feliz, e acho que isso bastaria para minha felicidade também. Queria TER coragem pra te fazer elogios como eu tenho pra te fazer críticas. Te dizer coisas simples, como: adoro quando você acorda cedo comigo e passa o café. Quando lava a louça ou faz meu pão. Quando limpa a caixa dos meus gatos e cata pulga deles. Quando fica com seus olhos verdes de menino, só me encarando deitado. Quando me puxa pro seu peito. Quando finaliza suas mensagens e seus e-mails com "eu te amo". Quando pega as sacolas pesadas pra mim e se acha o homem mis forte do mundo. Quando ainda me dava flores. Quando lembrava dos nossos "Mêsniversário". Quando me chamava de gatíssima. Quando ria engraçado.
Queria não estar tão cansada todo dia e conseguir ter tempo pra não fazer nada. Não sentir dor, tristeza, dúvida, medo. Queria não ser forte. Ter coragem de ir dessa pra uma melhor. Não dar satisfações. Não me sentir responsável. Por nada. Por ninguém. Conseguir ser desapegada. Não ser tão doente. Conseguir viver o momento, não o passado, não o futuro: o presente.
Ele não sabe que não é mais ele. Ele não sabe que não me faz mais feliz. Ele nem desconfia que eu ainda gosto dele. Talvez ele pense que em dez anos, eu já deixei de amá-lo. E por isso ele não é mais ele. Talvez.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Ciclos que não se completam e gatos malucos

Comprei uma agenda com mandala lunar em 2018 e isso tem me deixado deprimida. Tenho feito alguns rituais, como plantar a minha lua e também colocar a cada lua nova minhas metas e expectativas... depressão. Nunca consigo realizar nem metade do que me proponho e tenho a nítida sensação de estar ficando muito velha pra essa estrada. Nunca consigo realmente realizar aquilo que planejei e não vejo o lado bom nisso. Esse mês resolvi fazer diferente. Eu vou escrever aquilo que for fazendo de bom, ou que considerei na mente como meta, mesmo sem escrevê-la. Um plano fadado ao fracasso - mas vamos ver se dessa vez me livro da frustração.
Ao chegar de Araruama, me gato sentiu o cheiro das gatas de lá - provavelmente no cio e enlouqueceu. Queria conversar comigo, transar com minha mochila, sei lá. Enquanto tentava escrever atrasada como tinha sido meu fim de semana na tal agenda ele não parava de miar e de tentar me morder. Fiquei assustada, e mesmo depois de dar uma comidinha de agrado tive que trancá-lo no quarto.
Estava tentando aproveitar esse tempo sozinha tranquila, (agora muito raro) para  jogar tarô, ouvir musica, tomar um banho demorado e ler. Não sei se isso tem a ver com plantar a lua - pra quem não sabe é entregar a menstruação à terra, reza a lenda que isso nos foca e nos traz para uma reflexão interna. É possível. Tenho repensado em tanta coisa na vida. Deve ser também a chegada aos 40. Estou no meu inferno astral, a menos de um mês do meu aniversário, tateando no escuro o que me move de verdade nesse mundo cão.
Sei que fiz coisas que me orgulho, outras que me envergonho, outras ainda que gostaria de fazer de novo... e ainda sei que não entendo tudo, estou longe de entender, entender coisas inclusive que já aconteceram ( que com o lapso temporal você espera assimilar melhor), mas creio que não vai ser nessa encarnação - na próxima quem sabe.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

MADEIRADA



"Você me machuca
me fere
me arrasa
me deixa tão triste
E com uma dúvida tão terrível
Se essa união é tão unida
É tão boa como deveria ser
Como eu imaginei que seria.

Você não me entende
Não se comunica comigo
de forma decente.
Não aceita nenhum palavra
Ou opinião minha
sem uma contestação
que me tire do sério
Ou te tire do sério
... daí é só madeirada

Você não se vê.

Mas tão pouco me vê também.

Não vê como eu realmente sou
Ou como gostaria de ser.

Você vê uma mulher que eu não quero ser...
Uma estranha.
Que de fato não sou, pois não sou o que não quero.

Quisera você ver o melhor de mim.
Uma parte que guardo só pros privilegiados,
Pros que me admiram
ou amam
ou sentem afeto
ou de alguma forma
Enxergam a MULHER QUE QUERO SER.
mesmo que não seja ainda.
Crescer.
É minha meta.
Esforço - uma sina.

Quisera riscar a palavra VIOLÊNCIA do seu vocabulário. Da nossa vida.
E você nunca mais me falasse com violência
Nunca mais me pegasse com violência
Nunca mais conversasse com violência.
Não soubesse o que isso significa, ou é.

Bodas de madeira?
Madeira podre?
Com Cupim?
Foi tudo tão ruim?

Foi uma história que você apagaria?
Deletaria da sua memória?
O que você faria diferente?
Colocaria verniz?
Carinho?
Mais amor?
Algum valor?

Quisera nunca mais chorar por você
Nunca mais querer desistir.
Descobrir que sentido tem te amar assim:
sem a plenitude, a totalidade, a ânsia de gozo, o silencio de nunca mais sair do quarto
de fingir que o mundo não existe
e que a felicidade dorme embaixo da nossa cama, escondida.
Quisera ser compreendia
PLENAMENTE

EU, tão pretensiosa nesse querer.
Um ser
estranho, complexo e sensível ao extremo.
EU, uma pessoa que diz uma coisa, faz outra e pensa outra.
Eu, uma contradição.
Eu, Anília, uma mulher que nem ainda se vê assim,
(como você também não vê),
Que nem consegue ainda se entender e saber.