quarta-feira, 6 de abril de 2011
Dor ou nada ?
Sinto um arrepio tão estranho que percorre a espinha... mas talvez não seja tão estranho assim, seja esse sentimento de não sentir mais nada - ou de não saber mais sentir nada. Perceber que aquela dor sobre humana passou. Saber que aquelas espiadas curiosas no computador, que me feriam como ponta de faca, hoje me fazem até rir um pouco. E no carro, desnorteada, nos momentos que dirijo sozinha 70 km, faço minha análise mental, choro ao ouvir músicas antigas que tocam no rádio uma atrás da outra. E reflito se quero mesmo dividir minha vida e minha dor num mundo podre-virtual. Começo a achar que minha resiliência e minha total falta de sensiblidade vem dessa censura que eu mesmo me imponho: - "Não eles não podem saber tudo! Não posso me expor assim, desse jeito vão me achar ridícula, ou paspalhona... ou pior, talvez não achem nada". Estou reprimida. Não faço mais diários, desde que meu namorado descobriu o último e leu sem cerimônia. E de certa forma isso me intimidou ainda mais. Não sou mais sincera com meus sentimentos, ou nem comiga mesma. Parece que passei um reboco, ou uma espécie de massa em todo o buraco que exalava sentimento e respirava dentro de mim. Me protegi de tudo no mundo: doces canalhas, breves paixões, sexo em excesso, alcool em excesso, rock in roll. Me protegi da beleza e da feiuria. Me impedi de ter um caso e até de não ter. Não corro mais riscos. Virei uma bizzara planta de plástico. Ser planta já é trash - de plástico é ainda pior: sequer respira! Eu queria ser tempestade, trovão, teatro! Queria, mas tenho medo: de quebrar a perna, de não ter grana, de morrer. Tenho medo de me viciar, ou me apaixonar de novo. Me Apaixonar como da primeira vez de verdade - embora ridiculamente as últimas palavras que ele me disse foram essas: que eu ia encontrar um AMOR DE VERDADE. (o que comprova que essa história de amor é realmente relativa: o que era de verdade pra mim, nunca foi pra ele). E o medo de me apaixonar, vem aquele pavor de chorar no banheiro das boates, de fazer abstinência de sexo, de chorar até praticamente não conseguir mais respirar, de sentir uma dor quase física que me fez perder uns dez quilos, até hoje não sei. Talvez porque eu acreditava que era de VERDADE, sem nunca ter sido. ... Daí, daí vem essa ausência TOTAL de tudo. De dor, de opinião, de poesia, de teatro. Essa ausência que só relembrando o passado remoto me faz lembrar que fui humana e que senti certas coisas. Queria entender o porque - e a própria dúvida é tão inodora e incolor. Porquê por que ? Por que saber de tudo? Não há motivos reais para se investigar uma falta de inspiração grotesca e estapafurdia. ... E voltando alguns parágrafos e relendo tudo, ainda acho que eu tenha escrito 40 linhas de porra nenhuma. De nada que valha ser lido, ou lembrado ou citado. .... CAOS!
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