Desânimo............AH....
Acabo de fazer 41 anos, mas me sinto com 22. Ainda não percebi o peso da minha idade, e me sinto bem fracassada, apesar de ser ser um SUCESSO.
Muita gente olha pra mim e pensa que deve ser bem legal ter tantas coisas: um grupo de teatro, um ponto de cultura, um emprego público. Mas ninguém consegue enxergar que eu não queria nada disso às vezes.
Eu queria poder ficar mais tempo com a minha vó, ter uma casa mais organizada, poder ler e escrever quando e como eu quisesse, queria ter tempo.
Não ficar tão desanimada e cansada. Não precisar gritar, nunca.
Saber lidar com os alunos mais difíceis, o desespero do Léo. A raiva da minha vó.
Se eu pudesse escolher só uma coisa de presente de aniversário, eu escolheria ter de novo 22 anos. A disposição de fazer sexo quando eu tinha 22 anos e a cabeça de hoje. A animação de ir pra rua com 22 anos e a cabeça de hoje. A inspiração quando eu tinha 22 anos e a cabeça de hoje. O corpo de hoje mesmo, acho que fiquei mais bonita, sem ser pretensiosa... Só que eu queria poder fazer yoga, meditação, qualquer coisa pra mover a mente e o corpo.
Envelhecer é cruel. E parece tão injusto! Perdemos vitalidade quando ficamos mais espertos.
E a roda da fortuna não pára de girar...
quarta-feira, 16 de outubro de 2019
terça-feira, 15 de outubro de 2019
Será que eu vou conseguir ou o desespero da desistência
Eu sei que já falei isso muitas vezes, mas hoje, realmente bateu aquele desespero e descobri que eu não tenho mais IDADE pra fazer teatro. Estou extremamente cansada de tudo! As últimas produções têm me deixado num estado de completo abandono. As pessoas não são nunca "fechamento", nunca se dedicam como eu preciso ou gostaria. Parece uma luta sem fim, que só eu estou encabeçando a batalha. Olha, pra ser sincera, sempre foi assim, mas de uns anos pra cá esse abismo se tornou mais profundo...
Não posso dar conta de tudo e quero dar, como se isso fosse normal. Há 15 anos vivo nessa correria maluca, se tornou algo normal na minha vida, mas hoje, me dei conta que não quero mais isso, e que o teatro de grupo tem me deixado extremamente infeliz. Sei que entro em crise toda véspera de estréia, ou quase isso, mas dessa vez, meus motivos pra essa crise são outros e bem mais profundos. Me dei conta que não tenho a mínima capacidade produtiva, e nem ninguém do meu lado atualmente TEM. Que forço uma barra absurda pra transformar as pessoas e tentar fazer com que elas sejam o que EU QUERO e não o que elas realmente querem!!
Percebi que preciso dar esse tempo para que a vida siga seu fluxo e tudo se alinhe conforme a sua verdadeira natureza. Eu insisto nisso, nesse lance de teatro de grupo. Insisto pra que o Gene Insanno não morra, porque eu achava que se ele morresse, eu morreria também. Mas não suporto mais viver por nós dois. Não sozinha.
Me sinto como aquelas mulheres que apanham, quase morrem, mas mesmo assim não conseguem largar o marido malvado. Eu não consigo largar o TEATRO: um vício escroto que está acabando comigo. Digo que sem ele eu não poderia ser feliz, mas descubro, hoje, aos 41 anos que todos os meus problemas e a maior infelicidade da minha vida é essa frustração de não conseguir alcançar meus objetivos nessa área, por mais que eu tente. Ele é prioridade na minha vida, mas SÓ NA MINHA VIDA. De ninguém mais que me deu as mãos e me disse que toparia viver comigo essa história.
O Gene Insanno está acabando com meu casamento, não só com meus dias de folga, não só com minha paciência, lucidez ou amor. Ele é culpado deu não passar os dias com minha família, da minha casa ser uma verdadeira zona, d'eu não me dedicar aos meus estudos superiores, d'eu não ser uma professora melhor, d'eu não ter um filho, d'eu não ter dinheiro, d'eu não ter vida própria!! D'eu não ter nunca férias, sabe que merda significa isso?? Que eu não viajo por prazer, que nunca páro de pensar na próxima produção ou festival. D'eu NÃO TER AMIGOS.
Hoje percebi que estou odiando o que faço e não posso mais continuar com isso.
Eu não sei se vou conseguir parar, porque sou viciada.
Não se pode ver lágrimas quando a gente escreve, mas ao reler isso daqui há um tempo, vou lembrar que estava em prantos. Sozinha, na minha casa, diante de toda a impotência que se apresenta, com muita raiva de mim por não ter conseguido dar conta nem da metade do que eu me propus, tento desabafar em algum lugar, pois nem isso eu tenho mais: alguém pra compartilhar essa dor.
O Léo não aguenta mais eu reclamando dele, porque ele entende que a culpa é quase toda minha. Eu meti a gente nessa merda de furada... insisto pra que o menino se vire em produção, mas ele não tem a menor chance ou noção disso. Não posso pedir que ele faça nunca mais isso!! É cruel e desumano, na real é como se eu fizesse um "desvio de função"... e lamento que tenha exigido isso dele por tanto tempo, quando na verdade, ele sempre foi ator e não mais que isso. Espero que um dia ele me perdoe por essas exigências malucas, que ele sempre fez por amor a mim, e não porque ele realmente gostasse.
EU não tenho mais condições de bancar isso. Essa vida no teatro. Penso que preciso dar um tempo pra mim, pra tudo. Até que eu entenda essa trajetória, olhando pra traz e veja quais são meus erros e porque dá certo com tanta gente, mas comigo não dá. Até que eu ligue para meus amigos e consiga tomar uma cerveja, e volte a ter vida social, uma vida que nunca tive. Até que eu consiga fazer exercícios, ou construir um armário pro meu quarto. Que saia do vermelho e consiga juntar algum dinheiro. Até que um filho venha e me explique o sentido dessa vida... sem arte.
Eu tenho que me conformar que talvez a gente não possa mesmo escolher a vida que leva, mas a vida que escolhe como vai levar a gente... e que essas escolhas talvez possam não ser tão ruins. E que o segredo da felicidade seja aceitar esses caminhos.
Eu não escolhi a educação, a vida escolheu pra mim... e olha, hoje, eu amo e me emociono muito com a educação. Seu feliz nesse caminho. Eu não escolhi muitas coisas, mas percebo que as escolhas que foram feitas no universo são as mais sábias. As coisas chegam no tempo certo, aprendemos quando devemos aprender, sofremos quando devemos sofrer.
Conversando com a minha prima, eu vi que talvez eu me faça exigências demais. E que eu não preciso estar sempre em movimento. Montar uma peça todo ano, ir pra todos os festivais, me inscrever em todos os editais. E que parar é necessário pra sobrevivência.
Quero parar, mas não sei se vou conseguir.
Não é a primeira vez que desejo isso, mas é a primeira vez que isso me bate de uma maneira tão necessária. Olho pra minha vida e não gosto nada nada do que vejo. Não sei se parar de dirigir, por hora, seja a solução de todos os meus problemas, mas com certeza, será a solução de boa parte deles.
...
Eu me lembro que com 24 ou 25 anos, eu tomei a mesma resolução prática, por motivos bem semelhantes: tinha acabado de terminar a faculdade de direito, estava desempregada, desesperada e me sentido sozinha para produzir, dirigir, divulgar... enfim... acho que consegui ficar uns 6 meses sem teatro, o destino me puxou de volta e comecei a ensaiar freneticamente duas peças, uma delas, inclusive, é essa, que reestreia em Campo Grande, no próximo fim de semana. A primeira versão dela.
Eu tranquei a UNIRIO, nessa época eu ainda fazia faculdade, e lembro de todo um sofrimento psicológico de ver todos os meus amigos ensaiando e eu não.
Mas penso que hoje, isso vai me soar bem diferente. Eu sei que posso lidar com esse abandono de uma maneira bem mais normal. E que o desespero da desistência não vai me fazer morrer, talvez... me faça viver. Viver bem melhor do que eu vivo agora.
Assim espero.
Não posso dar conta de tudo e quero dar, como se isso fosse normal. Há 15 anos vivo nessa correria maluca, se tornou algo normal na minha vida, mas hoje, me dei conta que não quero mais isso, e que o teatro de grupo tem me deixado extremamente infeliz. Sei que entro em crise toda véspera de estréia, ou quase isso, mas dessa vez, meus motivos pra essa crise são outros e bem mais profundos. Me dei conta que não tenho a mínima capacidade produtiva, e nem ninguém do meu lado atualmente TEM. Que forço uma barra absurda pra transformar as pessoas e tentar fazer com que elas sejam o que EU QUERO
Percebi que preciso dar esse tempo para que a vida siga seu fluxo e tudo se alinhe conforme a sua verdadeira natureza. Eu insisto nisso, nesse lance de teatro de grupo. Insisto pra que o Gene Insanno não morra, porque eu achava que se ele morresse, eu morreria também. Mas não suporto mais viver por nós dois. Não sozinha.
Me sinto como aquelas mulheres que apanham, quase morrem, mas mesmo assim não conseguem largar o marido malvado. Eu não consigo largar o TEATRO: um vício escroto que está acabando comigo. Digo que sem ele eu não poderia ser feliz, mas descubro, hoje, aos 41 anos que todos os meus problemas e a maior infelicidade da minha vida é essa frustração de não conseguir alcançar meus objetivos nessa área, por mais que eu tente. Ele é prioridade na minha vida, mas SÓ NA MINHA VIDA. De ninguém mais que me deu as mãos e me disse que toparia viver comigo essa história.
O Gene Insanno está acabando com meu casamento, não só com meus dias de folga, não só com minha paciência, lucidez ou amor. Ele é culpado deu não passar os dias com minha família, da minha casa ser uma verdadeira zona, d'eu não me dedicar aos meus estudos superiores, d'eu não ser uma professora melhor, d'eu não ter um filho, d'eu não ter dinheiro, d'eu não ter vida própria!! D'eu não ter nunca férias, sabe que merda significa isso?? Que eu não viajo por prazer, que nunca páro de pensar na próxima produção ou festival. D'eu NÃO TER AMIGOS.
Hoje percebi que estou odiando o que faço e não posso mais continuar com isso.
Eu não sei se vou conseguir parar, porque sou viciada.
Não se pode ver lágrimas quando a gente escreve, mas ao reler isso daqui há um tempo, vou lembrar que estava em prantos. Sozinha, na minha casa, diante de toda a impotência que se apresenta, com muita raiva de mim por não ter conseguido dar conta nem da metade do que eu me propus, tento desabafar em algum lugar, pois nem isso eu tenho mais: alguém pra compartilhar essa dor.
O Léo não aguenta mais eu reclamando dele, porque ele entende que a culpa é quase toda minha. Eu meti a gente nessa merda de furada... insisto pra que o menino se vire em produção, mas ele não tem a menor chance ou noção disso. Não posso pedir que ele faça nunca mais isso!! É cruel e desumano, na real é como se eu fizesse um "desvio de função"... e lamento que tenha exigido isso dele por tanto tempo, quando na verdade, ele sempre foi ator e não mais que isso. Espero que um dia ele me perdoe por essas exigências malucas, que ele sempre fez por amor a mim, e não porque ele realmente gostasse.
EU não tenho mais condições de bancar isso. Essa vida no teatro. Penso que preciso dar um tempo pra mim, pra tudo. Até que eu entenda essa trajetória, olhando pra traz e veja quais são meus erros e porque dá certo com tanta gente, mas comigo não dá. Até que eu ligue para meus amigos e consiga tomar uma cerveja, e volte a ter vida social, uma vida que nunca tive. Até que eu consiga fazer exercícios, ou construir um armário pro meu quarto. Que saia do vermelho e consiga juntar algum dinheiro. Até que um filho venha e me explique o sentido dessa vida... sem arte.
Eu tenho que me conformar que talvez a gente não possa mesmo escolher a vida que leva, mas a vida que escolhe como vai levar a gente... e que essas escolhas talvez possam não ser tão ruins. E que o segredo da felicidade seja aceitar esses caminhos.
Eu não escolhi a educação, a vida escolheu pra mim... e olha, hoje, eu amo e me emociono muito com a educação. Seu feliz nesse caminho. Eu não escolhi muitas coisas, mas percebo que as escolhas que foram feitas no universo são as mais sábias. As coisas chegam no tempo certo, aprendemos quando devemos aprender, sofremos quando devemos sofrer.
Conversando com a minha prima, eu vi que talvez eu me faça exigências demais. E que eu não preciso estar sempre em movimento. Montar uma peça todo ano, ir pra todos os festivais, me inscrever em todos os editais. E que parar é necessário pra sobrevivência.
Quero parar, mas não sei se vou conseguir.
Não é a primeira vez que desejo isso, mas é a primeira vez que isso me bate de uma maneira tão necessária. Olho pra minha vida e não gosto nada nada do que vejo. Não sei se parar de dirigir, por hora, seja a solução de todos os meus problemas, mas com certeza, será a solução de boa parte deles.
...
Eu me lembro que com 24 ou 25 anos, eu tomei a mesma resolução prática, por motivos bem semelhantes: tinha acabado de terminar a faculdade de direito, estava desempregada, desesperada e me sentido sozinha para produzir, dirigir, divulgar... enfim... acho que consegui ficar uns 6 meses sem teatro, o destino me puxou de volta e comecei a ensaiar freneticamente duas peças, uma delas, inclusive, é essa, que reestreia em Campo Grande, no próximo fim de semana. A primeira versão dela.
Eu tranquei a UNIRIO, nessa época eu ainda fazia faculdade, e lembro de todo um sofrimento psicológico de ver todos os meus amigos ensaiando e eu não.
Mas penso que hoje, isso vai me soar bem diferente. Eu sei que posso lidar com esse abandono de uma maneira bem mais normal. E que o desespero da desistência não vai me fazer morrer, talvez... me faça viver. Viver bem melhor do que eu vivo agora.
Assim espero.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
Conselhos para mim:
"Não me diga que a inspiração acaba
quando você empunha a caneta.
Não me diga
Que não decifra a minha letra.
quando você empunha a caneta.
Não me diga
Que não decifra a minha letra.
Não finge que nada te mexe por dentro
E que não sentes
Esse medo violento
Da solidão sombria...
Você quer se sentir tão cheia, plena, completa
Mas ainda não descobriu sua meta
E que não sentes
Esse medo violento
Da solidão sombria...
Você quer se sentir tão cheia, plena, completa
Mas ainda não descobriu sua meta
E vive empurrando TUDO
com a barriga
Não se faz de decidida,
de louca varrida,
de mulher organizada...
Pois na bagunça da tua vida
você não acha mais nada!
Nem a si mesma
Nem os outros
Nem teus segredos mais antigos
Suas febres, teus perigos
suas bruxarias profanas.
com a barriga
Não se faz de decidida,
de louca varrida,
de mulher organizada...
Pois na bagunça da tua vida
você não acha mais nada!
Nem a si mesma
Nem os outros
Nem teus segredos mais antigos
Suas febres, teus perigos
suas bruxarias profanas.
E pára de organizar a vida alheia!!
como se tudo que te rodeia
precisasse ser etiquetado...
Olha pra ti.
Olha pro lado.
teus móveis estão todos quebrados...
como se tudo que te rodeia
precisasse ser etiquetado...
Olha pra ti.
Olha pro lado.
teus móveis estão todos quebrados...
Você não é gerente de NADA!
e nesse júri da vida, você não foi convidada.
Seria bem melhor
Você se ver lá dentro
E por dentro se achasse inteira
E numa prática verdadeira
Achasse a cura que precisas.
e nesse júri da vida, você não foi convidada.
Seria bem melhor
Você se ver lá dentro
E por dentro se achasse inteira
E numa prática verdadeira
Achasse a cura que precisas.
E não me vem com desculpas eternas!
...do tempo, do sono, da lida
Com desculpas não se arruma a vida
e você vai ficando por aí.
...do tempo, do sono, da lida
Com desculpas não se arruma a vida
e você vai ficando por aí.
Mas veja bem,
O ditado já é antigo
Se conselho fosse bom
te vendia
te obrigava
te fazia entender...
só que a vida é justamente,
o que não queremos saber."
O ditado já é antigo
Se conselho fosse bom
te vendia
te obrigava
te fazia entender...
só que a vida é justamente,
o que não queremos saber."
10/02/2019
ANILIA FRANCISCA
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