sábado, 1 de outubro de 2016

Para o teatro que amamos...


Quanto tempo dura um grupo? Quanto tempo dura um processo?

É o tempo ou a intensidade das relações que contam?

Sou passional porque vivo no limite. No limite da minha paixão, da minha pesquisa, do meu teatro.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Sobre ser sozinha

É estranho ser sozinha de novo... depois de tanto tempo. A gente esquece o silêncio e  vontade de falar. Esquece que agora é sempre a sua vez de dirigir, ou lavar a louça. Hoje almoçando, vi minha amiga, casada há mais de trinta anos, separada a um ou dois. Pelo menos ela teve filhos, pensei.
Depois pensei de novo.... quem sabe, é : ainda bem que não tive filhos. Mal consigo cuidar das gatas. É muito ruim mesmo você chegar tão cansada que não consegue dar comida, ou limpar a caixa de areia... mas mesmo assim ter que fazer: é sua vez de limpar a caixa de areia.
Mas não me pego chorando como nas outras separações. Ao contrário, é só uma opressão no peito. Uma tristeza que dá ruga na cara, daí prefiro não fazer cara de triste. Talvez porque a ficha ainda não caiu, ou talvez porque ainda tenha muitas coisas dele por aqui. A letra dele nos papéis, as roupas no armário... até a louça suja que foi abandonada às pressas. Parece só que ele foi viajar, ou passar o fim de semana fora. Irônicamente são os dias mais frios do ano. Irônicamente, não contei pra ninguém, nenhum amigo, só a minha avó, e mesmo assim sem contar todos os motivos. Os motivos na verdade eram tantos e não era nenhum. São motivos de oito anos atrás que sempre voltam e me fazem teimar em ter esses ideais.
Nunca pensei em casar com um homem rico. Sempre quis um cara que fosse trabalhador. Que trabalhasse, mesmo ganhando pouco...  Mas que não ganhasse nada, nunca?? Isso nunca pedi. Tenho certeza... enfim, esse é só um dos motivos. Mas chega de motivos. O que nos motiva é bem mais do que fatos, é também a personalidade, que mudou muito. Dizem que mudamos muito de sete em sete anos. E lá se foram oito.
Eu talvez tenha mudado muito mais do que ele.
E agora, convivendo sozinha com essa minha personalidade tão diferente, nem sei mais se saio daqui, largo o emprego e reencarno em outra vida. Já não sei mesmo quem é essa moça séria e chata, que vive cansada e não sabe mais das coisas. Essa pessoa que não gosta mais de teatro como gostava antes, que não gosta muito de nada .... parece-me mais próximo aquela frase "A vida nada mais é que uma morte lenta".
Parece-me que não tenho mais euforia ou depressão. Que depois dos 35, me colocaram um óculos que vê a vida em tons pastéis... e depois disso, nada mais.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

O teste

Não sei porque são assim os homens de teatro...
Ou só são assim os homens que me relaciono? Eles não sentem dor, ou desistem muito fácil.
o FATO é... que...
Não sei se te quero metade na minha vida.
Metade das tuas roupas, metade dos teus sapatos. Todas as fotografias e todos os nossos espaços.
Todas as suas contas,
meus pedaços...
meus cacos quebrados.
De uma tristeza tão triste que perco a fome e a vontade de tomar banho.
E a real vontade de entender, porque eu não mudo "de vez" você?...
Por que você não é exatinho o que eu quero?
O homem que eu pedi e sonhei?
Por que você não faz exatamente o que eu mandei?...

Não sei onde foi parar teu amor que era tão grande, TÃO GRANDE, TÃO GRANDE...
Ou era de fato só ilusão, acomodação, chateação, cretinisse?...
Ou era só aquela vontade de disse me disse?...

E entro no meu carro, alimento os gatos e lavo a roupa
Numa eficiência solitária, que me espreme o coração, como se um alicate ficasse torcendo
e no meio dele todo esse vazio estranho, que me propõe indecentemente, sofrer na DINAMARCA
ENQUANTO HÁ TEMPO!!

Quero fuga, Quero não pensar mesmo nisso tudo.
Quero perdão, um perdão dos dois lados. Mas o meu lado como o mais certo.
Quero não ver mais você e essa raiva virar saudades.
Quero te esquecer, mas não te quero fora da minha vida.
Quero você comigo, ainda, meu amor.
mas sublime, mas aconchego, mais desculpe.
mais baixo. fala baixo.

Será que você vai passar no teste?

domingo, 17 de abril de 2016

exaque-ca

ENXAQUECA DESLUMBRANTE

POR QUE  cabeça tão cheia
de dores
de cores
de coisas que não preciso ter?

Por que são de fato
mudanças que doem
que mexem e exigem.

Enxa-que-ca-ca-ra-lho



Quem eu sou?

Me pergunto diante de tudo isso, quem eu sou de verdade?

A cada momento me descobrindo, ou não me descobrindo uma pessoa assim... má. Tosca, cruel. De certa forma desonesta, de certa forma grossa, de certa forma estranha, de certa forma anti-social, de certa forma focada, de certa forma enganada, de certa forma inconformada. Porque ficar nessa forma me inconforma.
Mas o que dói é ver você assim, tão volúvel: sem dizer na minha cara o que pensa sobre meus pensamentos... mas na cara dos outros transformá-los em vil instrumentos, que manipulo de forma fria.
Essa é a traição, essa minha ignorância sobre sua postura tão indeterminada: é o que me faz sofrer agora.
Mas eu sofro por cretinisse, não tenha nenhuma pena de mim, por favor!!!  Não tenha, porque seus defeitos, todos, estão tão escancarados, listadinhos na minha frente - que mesmo fechando forte, espremendo meus dois olhinhos e tapando os meus ouvidos, mesmo assim não deixaria de perceber...  se quisesse.

É que esse amor me impede, me proíbe de ver esses buracos negros em você.

E nessa luta me sinto sozinha, porque me coloquei sozinha e na hora de chorar inconformada, me sentido injustiçada, não tenho um número na cabeça que posso ligar. Não tenho um ser humano no mundo que posso confiar. Vivo numa ilha, que eu mesma me coloquei, cercada de gente que realmente não entende o idioma que falo.
Estou só, tão só nas minhas opiniões e problemas, e defeitos. Estou só, tão só,  por ter um ideal de mundo e uma vida bem confusa, numa confusão que detesto. Estou só por só conseguir ter amigos que trabalham comigo, e que de certa forma, nem amigos meus são de verdade. Estou só por não ter um companheiro que 'feche" comigo em qualquer hipótese, primeiramente, porque ele não entende metade do que eu digo.

É muito estranho ouvir teorias sobre você. Muito estranho as pessoas te analisarem. Muito estranho você e sua personalidade serem o centro da conversa... nunca pensei em ser tão pré-julgada por pessoas que sequer te conhecem bem.

Mais estranho ainda é , que mesmo sem um número, ainda assim, você ligar para a única pessoa que você acha que pode te entender no mundo... e ver que  ela não atende o telefone, e que se atendesse... bem foi melhor que não atenda... ela de verdade não te entenderia. Se ela atendesse, entenderia?

Não me arrisco mais em me descrever.
Não quero mais saber quem eu sou.
Não preciso saber do que sou capaz.
NÃO, NÃO, AGORA NÃO.

Não concordo com você. Nem com outras pessoas.
Elas não podem saber quem eu sou.
Porque nem eu sei quem eu sou.
Elas não podem saber o que é ser malvada, insensível, cruel.
Já sofri maldade, insensibilidade, crueldade.
resguardando as proporções...
elas não sabem nada o que falam... me descrever assim seria imaturo.
Inclusive você, que pensa que me conhece é o rei dos imaturos. Você não sabe nada.

Acho que ainda vivo mais uns anos
E até lá, sou esse mistério que anda, fala, se comunica. Esse mistério que já foi muito estranha, muito pirada, muito louca varrida. Mas mudo muito, como as minhas estradas. Por isso prefiro seguir assim, ainda sozinha e ainda sem concordar com você, com os outros, com nada.


ANILIA