terça-feira, 13 de julho de 2021

 Lua Crescente

Junto com a lua crescente, uma sensibilidade indecente avança sobre minha vida.

Confusa, choro. Olho cartas e poesias antigas, olho tudo que fiz com a minha vida e não me sinto ainda uma adulta. Tenho um ciúmes louco da minha avó que está longe, pensando como ela pode estar tào bem e feliz sem mim, como se eu ainda tivesse 12 anos. É uma droga que agora eu tenha 43 e ainda não consiga viver longe dela. E me preocupo tanto com toda a vida que ela deixa aqui pra traz, seus bichos, seus funcionários, sua casa e sua rotina que já era estruturada. Lembro nos tempos de aglomeração, de um carnaval bem atípico, que comecei namorando e terminei solteira. Quando eu ainda virava noites e dias nos blocos que atravessavam o centro e a zona sul. Uma lembrança, hoje, na lua crescente não me abandona: um dia que saí às 6:00, e com a mesma fantasia, sem almoçar, sem ir pra casa, tomando cerveja como se fosse água atravessei três blocos e fui parar na Lapa, com os pés bem sujos, de chinelas havaianas e guardando o dinheiro no sutien. Tinha marcado com um cara que eu estava paquerando há tempos, levei a prima à tira colo com medo desse encontro, já que a paquera era só virtual. Quando eu entrei no baile de carnaval, na Lapa, tava bem vazio - acho que só tinha a gente. Lamentavelmente, meu porre curou de pronto e eu senti como estava fedendo.

Na verdade eu estava fedendo muito, quase como uma mendiga . É bem vergonhoso escrever isso publicamente, mas também foi a primeira e única vez na vida que senti assim, meu cheiro, meu mal cheiro. E infelizmente o cara foi me encontrar. Não sei se ele sentiu meu cheiro, ou se fingiu que não sentiu. Como eu não podia fingir, só tentei disfarçar tomando mais uma cerveja - enganar o olfato, talvez. Ele quis me beijar assim mesmo. E ele não era feio não.  Ficamos só no beijo, embora a gente tenha se pegado melhor num outro dia... mas de fato não quero contar hoje como esse caso acabou.

O que eu queria era dizer como choro muito nessas luas crescentes que vem a minha "COLEGA" e eu leio as poesias que escrevi pra minha filha. 

Ela ainda é um bebê, mas um dia também vai pular carnaval de madrugada. Ela cheira tão bem, mas talvez um dia pode cheirar mal : de tanta cerveja, de tanto carnaval, e tanta rua, de tanto ... exagero.

Ela é mulher como eu. Tão maravilhoso isso. Sermos mulheres. E pensar que possamos ter vivencias semelhantes... e que eu posso reviver através dela. Por um lado sou grata ser mãe mais velha, remocei uns 20 anos com a maternidade, me sinto jovem e disposta para ser a parceira da minha filha até os 20 anos, sem sombra de dúvida. Muitos carnavais ainda, nós duas, quem sabe?

Essa lua crescente me faz ter essas idéias bem malucas e essas saudades repletas de estados bons. E fazer teatro é sem dúvida desenterrar defuntos e reabrir feridas... pois foi por causa dele, do teatro, do ensaio que abri o blog hoje, e fiz a primeira postagem de 2021 e reli dois textos antigos que me lembraram quem eu sou. Pois nessa vida tão doida, todo dia esqueço quem eu sou. Pra que eu vim pra esse mundo e porque eu tenho que acordar mesmo a amanha.

Só quero dizer que, foi muito bom ler textos antigos, fazer faxinas e reabrir agendas e diários antigos, me reconectar com uma Anilia que eu tinha esquecido que habitava em mim. E que nesse fim de semana eu disse pra minha amiga mais antiga, que já estamos com 40, mas me sinto com 18 anos, estreando a minha primeira peça como diretora e lendo um texto da agenda com as cortinas fechadas.


deixa eu ir, que a filha já acorda.

Sempre acorda nessa hora, e eu posso ter saudades disso daqui há 10 anos.

Com certeza , vou ter.

sexta-feira, 25 de setembro de 2020

 Minha Luz


Como não te amar,  perfeição?

Como não chorar toda vez que te olho?

Como mesurar o tamanho disso tudo que sinto e expressar esse TODO em palavras tão pequenas?

Como te olhar e não me ver, não ver minha história e trajetória,

Como ser outra mulher pra você me amar também assim?

Como não conter o riso e choro que se misturam dentro de mim?

Como eu pude duvidar

que um dia eu te amaria

que um dia você seria

a razão da minha existência?

Como explicar esses olhos nos meus olhos e a nossa experiência

de sermos juntas e uma só por nove meses, e dividirmos o mesmo sangue

ouvirmos juntas o coração uma da outra, e partilhamos esse amor...

Eu nunca esperava isso tudo,

Eu não conhecia o mundo,

eu não sabia era NADA.

Eu era uma boba, vivia ocupada, vivia me ocupando, me desculpando

com coisas que julgava importantes...

Hoje nada é mais como antes!

As mil azias tantas vezes 

O peito  dolorido sem leite

As agulhas por nove meses

As costas em frangalhos

A preocupação cinza e o nervo exposto

Eu passaria tudo de novo

pra te segurar por meio segundo!

É mesmo o maior AMOR do mundo...

Como descrever 

essa vontade de morrer

essa vontade de viver

essa vontade de te pôr de volta na barriga

Pra reviver esses dias todos de novo

E sentir tudo novo, porque depois de muito tempo anestesiada,

Essa força vem do nada, uma força que é uma dor, uma dor que nunca passa...

...mas agora eu estou sentido de novo! E de novo, e de novo, e de novo!

Eu sinto MUITO, sinto de novo, um novo amor, um novo sentimento, um novo momento, um novo normal...

Um ciclo que se inicia, que condena tudo que havia

que me deixa com tanto medo de errar, de vacilar

que como moto contínuo me impele e me conduz

A um caminho sem placas ou mapas,

mas um caminho de muita LUZ.







quarta-feira, 5 de agosto de 2020

GRÁVIDA!



FICAMOS GRÁVIDOS!

Uma surpresa atravessou nossa vida... uma gravidez muito querida, desejada, ansiada...

quarta-feira, 16 de outubro de 2019

DES - ÂNIMO

Desânimo............AH....

Acabo de fazer 41 anos, mas me sinto com 22. Ainda não percebi o peso da minha idade, e me sinto bem fracassada, apesar de ser ser um SUCESSO.
Muita gente olha pra mim e pensa que deve ser bem legal ter tantas coisas: um grupo de teatro, um ponto de cultura, um emprego público. Mas ninguém consegue enxergar que eu não queria nada disso às vezes.
Eu queria poder ficar mais tempo com a minha vó, ter uma casa mais organizada, poder ler e escrever quando e como eu quisesse, queria ter tempo.
Não ficar tão desanimada e cansada. Não precisar gritar, nunca.
Saber lidar com os alunos mais difíceis, o desespero do Léo. A raiva da minha vó.
Se eu pudesse escolher só uma coisa de presente de aniversário, eu escolheria ter de novo 22 anos. A disposição de fazer sexo quando eu tinha 22 anos e a cabeça de hoje. A animação de ir pra rua com 22 anos e a cabeça de hoje. A inspiração quando eu tinha 22 anos e a cabeça de hoje. O corpo de hoje mesmo, acho que fiquei mais bonita, sem ser pretensiosa... Só que eu queria poder fazer yoga, meditação, qualquer coisa pra mover a mente e o corpo.
Envelhecer é cruel. E parece tão injusto! Perdemos vitalidade quando ficamos mais espertos.
E a roda da fortuna não pára de girar...





terça-feira, 15 de outubro de 2019

Será que eu vou conseguir ou o desespero da desistência

Eu sei que já falei isso muitas vezes, mas hoje, realmente bateu aquele desespero e descobri que eu não tenho mais IDADE pra fazer teatro. Estou extremamente cansada de tudo! As últimas produções têm me deixado num estado de completo abandono. As pessoas não são nunca "fechamento", nunca se dedicam como eu preciso ou gostaria. Parece uma luta sem fim, que só eu estou encabeçando a batalha. Olha, pra ser sincera, sempre foi assim, mas de uns anos pra cá esse abismo se tornou mais profundo...
Não posso dar conta de tudo e quero dar, como se isso fosse normal. Há 15 anos vivo nessa correria maluca, se tornou algo normal na minha vida, mas hoje, me dei conta que não quero mais isso, e que o teatro de grupo tem me deixado extremamente infeliz. Sei que entro em crise toda véspera de estréia, ou quase isso, mas dessa vez,  meus motivos pra essa crise são outros e bem mais profundos. Me dei conta que não tenho a mínima capacidade produtiva, e nem ninguém do meu lado atualmente TEM. Que forço uma barra absurda pra transformar as pessoas e tentar fazer com que elas sejam o que EU QUERO e não o que elas realmente querem!! 
Percebi  que preciso dar esse tempo para que a vida siga seu fluxo e tudo se alinhe conforme a sua verdadeira natureza. Eu insisto nisso, nesse lance de teatro de grupo. Insisto pra que o Gene Insanno não morra, porque eu achava que se ele morresse, eu morreria também. Mas não suporto mais viver por nós dois. Não sozinha.
Me sinto como aquelas mulheres que apanham, quase morrem, mas mesmo assim não conseguem largar o marido malvado. Eu não consigo largar o TEATRO: um vício escroto que está acabando comigo. Digo que sem ele eu não poderia ser feliz, mas descubro, hoje, aos 41 anos que todos os meus problemas e a maior infelicidade da minha vida é essa frustração de não conseguir alcançar meus objetivos nessa área, por mais que eu tente. Ele é prioridade na minha vida, mas SÓ NA MINHA VIDA. De ninguém mais que me deu as mãos e me disse que toparia viver comigo essa história. 
O Gene Insanno está acabando com meu casamento, não só com meus dias de folga, não só com minha paciência, lucidez ou amor. Ele é culpado deu não passar os dias com minha família, da minha casa ser uma verdadeira zona, d'eu não me dedicar aos meus estudos superiores, d'eu não ser uma professora melhor, d'eu não ter um filho, d'eu não ter dinheiro, d'eu não ter vida própria!! D'eu não ter nunca férias, sabe que merda significa isso?? Que eu não viajo por prazer, que nunca páro de pensar na próxima produção ou festival. D'eu NÃO TER AMIGOS.
Hoje percebi que estou odiando o que faço e não posso mais continuar com isso.
Eu não sei se vou conseguir parar, porque sou viciada.
Não se pode ver lágrimas quando a gente escreve, mas ao reler isso daqui há um tempo, vou lembrar que estava em prantos. Sozinha, na minha casa, diante de toda a impotência que se apresenta, com muita raiva de mim por não ter conseguido  dar conta nem da metade do que eu me propus, tento desabafar em algum lugar, pois nem isso eu tenho mais: alguém pra compartilhar essa dor. 
O Léo não aguenta mais eu reclamando dele, porque ele entende que a culpa é quase toda minha. Eu meti a gente nessa merda de furada... insisto pra que o menino se vire em produção, mas ele não tem a menor chance ou noção disso. Não posso pedir que ele faça nunca mais isso!! É cruel e desumano, na real é como se eu fizesse um "desvio de função"... e lamento que tenha exigido isso dele por tanto tempo, quando na verdade, ele sempre foi ator e não mais que isso. Espero que um dia ele me perdoe por essas exigências malucas, que ele sempre fez por amor a mim, e não porque ele realmente gostasse.
EU não tenho mais condições de bancar isso. Essa vida no teatro. Penso que preciso dar um tempo pra mim, pra tudo. Até que eu entenda essa trajetória, olhando pra traz e veja quais são meus erros e porque dá certo com tanta gente, mas comigo não dá. Até que eu ligue para meus amigos e consiga tomar uma cerveja, e volte a ter vida social, uma vida que nunca tive. Até que eu consiga fazer exercícios, ou construir um armário pro meu quarto. Que saia do vermelho e consiga juntar algum dinheiro. Até que um filho venha e me explique o sentido dessa vida... sem arte.
Eu tenho que me conformar que talvez a gente não possa mesmo escolher a vida que leva, mas a vida que escolhe como vai levar a gente... e que essas escolhas talvez possam não ser tão ruins. E que o segredo da felicidade seja aceitar esses caminhos.
Eu não escolhi a educação, a vida escolheu pra mim... e olha, hoje, eu amo e me emociono muito com a educação. Seu feliz nesse caminho.  Eu não escolhi muitas coisas, mas percebo que as escolhas que foram feitas no universo são as mais sábias. As coisas chegam no tempo certo, aprendemos quando devemos aprender, sofremos quando devemos sofrer.
Conversando com a minha prima, eu vi que talvez eu me faça exigências demais. E que eu não preciso estar sempre em movimento. Montar uma peça todo ano, ir pra todos os festivais, me inscrever em todos os editais. E que parar é necessário pra sobrevivência.
Quero parar, mas não sei se vou conseguir. 
Não é a primeira vez que desejo isso, mas é a primeira vez que isso me bate de uma maneira tão necessária. Olho pra minha vida e não gosto nada nada do que vejo. Não sei se parar de dirigir, por hora, seja a solução de todos os meus problemas, mas com certeza, será a solução de boa parte deles.

...
Eu me lembro que com 24 ou 25 anos, eu tomei a mesma resolução prática, por motivos bem semelhantes: tinha acabado de terminar a faculdade de direito, estava desempregada, desesperada e me sentido sozinha para produzir, dirigir, divulgar... enfim... acho que consegui ficar uns 6 meses sem teatro, o destino me puxou de volta e comecei a ensaiar freneticamente duas peças, uma delas, inclusive, é essa, que reestreia em Campo Grande, no próximo fim de semana. A primeira versão dela.
Eu tranquei a UNIRIO, nessa época eu ainda fazia faculdade, e lembro de todo um sofrimento psicológico de ver todos os meus amigos ensaiando e eu não. 

Mas penso que hoje, isso vai me soar bem diferente. Eu sei que posso lidar com esse abandono de uma maneira bem mais normal. E que o desespero da desistência não vai me fazer morrer, talvez... me faça viver. Viver bem melhor do que eu vivo agora.
Assim espero.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Conselhos para mim:


"Não me diga que a inspiração acaba
quando você empunha a caneta.
Não me diga
Que não decifra a minha letra.
Não finge que nada te mexe por dentro
E que não sentes
Esse medo violento
Da solidão sombria...
Você quer se sentir tão cheia, plena, completa
Mas ainda não descobriu sua meta
E vive empurrando TUDO
com a barriga
Não se faz de decidida,
de louca varrida,
de mulher organizada...
Pois na bagunça da tua vida
você não acha mais nada!
Nem a si mesma
Nem os outros
Nem teus segredos mais antigos
Suas febres, teus perigos
suas bruxarias profanas.
E pára de organizar a vida alheia!!
como se tudo que te rodeia
precisasse ser etiquetado...
Olha pra ti.
Olha pro lado.
teus móveis estão todos quebrados...
Você não é gerente de NADA!
e nesse júri da vida, você não foi convidada.
Seria bem melhor
Você se ver lá dentro
E por dentro se achasse inteira
E numa prática verdadeira
Achasse a cura que precisas.
E não me vem com desculpas eternas!
...do tempo, do sono, da lida
Com desculpas não se arruma a vida
e você vai ficando por aí.
Mas veja bem,
O ditado já é antigo
Se conselho fosse bom
te vendia
te obrigava
te fazia entender...
só que a vida é justamente,
o que não queremos saber."
10/02/2019
ANILIA FRANCISCA

sexta-feira, 18 de maio de 2018

saudades de um ELE que ele não sabe

Eu queria mesmo era te fazer feliz, e acho que isso bastaria para minha felicidade também. Queria TER coragem pra te fazer elogios como eu tenho pra te fazer críticas. Te dizer coisas simples, como: adoro quando você acorda cedo comigo e passa o café. Quando lava a louça ou faz meu pão. Quando limpa a caixa dos meus gatos e cata pulga deles. Quando fica com seus olhos verdes de menino, só me encarando deitado. Quando me puxa pro seu peito. Quando finaliza suas mensagens e seus e-mails com "eu te amo". Quando pega as sacolas pesadas pra mim e se acha o homem mis forte do mundo. Quando ainda me dava flores. Quando lembrava dos nossos "Mêsniversário". Quando me chamava de gatíssima. Quando ria engraçado.
Queria não estar tão cansada todo dia e conseguir ter tempo pra não fazer nada. Não sentir dor, tristeza, dúvida, medo. Queria não ser forte. Ter coragem de ir dessa pra uma melhor. Não dar satisfações. Não me sentir responsável. Por nada. Por ninguém. Conseguir ser desapegada. Não ser tão doente. Conseguir viver o momento, não o passado, não o futuro: o presente.
Ele não sabe que não é mais ele. Ele não sabe que não me faz mais feliz. Ele nem desconfia que eu ainda gosto dele. Talvez ele pense que em dez anos, eu já deixei de amá-lo. E por isso ele não é mais ele. Talvez.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Ciclos que não se completam e gatos malucos

Comprei uma agenda com mandala lunar em 2018 e isso tem me deixado deprimida. Tenho feito alguns rituais, como plantar a minha lua e também colocar a cada lua nova minhas metas e expectativas... depressão. Nunca consigo realizar nem metade do que me proponho e tenho a nítida sensação de estar ficando muito velha pra essa estrada. Nunca consigo realmente realizar aquilo que planejei e não vejo o lado bom nisso. Esse mês resolvi fazer diferente. Eu vou escrever aquilo que for fazendo de bom, ou que considerei na mente como meta, mesmo sem escrevê-la. Um plano fadado ao fracasso - mas vamos ver se dessa vez me livro da frustração.
Ao chegar de Araruama, me gato sentiu o cheiro das gatas de lá - provavelmente no cio e enlouqueceu. Queria conversar comigo, transar com minha mochila, sei lá. Enquanto tentava escrever atrasada como tinha sido meu fim de semana na tal agenda ele não parava de miar e de tentar me morder. Fiquei assustada, e mesmo depois de dar uma comidinha de agrado tive que trancá-lo no quarto.
Estava tentando aproveitar esse tempo sozinha tranquila, (agora muito raro) para  jogar tarô, ouvir musica, tomar um banho demorado e ler. Não sei se isso tem a ver com plantar a lua - pra quem não sabe é entregar a menstruação à terra, reza a lenda que isso nos foca e nos traz para uma reflexão interna. É possível. Tenho repensado em tanta coisa na vida. Deve ser também a chegada aos 40. Estou no meu inferno astral, a menos de um mês do meu aniversário, tateando no escuro o que me move de verdade nesse mundo cão.
Sei que fiz coisas que me orgulho, outras que me envergonho, outras ainda que gostaria de fazer de novo... e ainda sei que não entendo tudo, estou longe de entender, entender coisas inclusive que já aconteceram ( que com o lapso temporal você espera assimilar melhor), mas creio que não vai ser nessa encarnação - na próxima quem sabe.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

MADEIRADA



"Você me machuca
me fere
me arrasa
me deixa tão triste
E com uma dúvida tão terrível
Se essa união é tão unida
É tão boa como deveria ser
Como eu imaginei que seria.

Você não me entende
Não se comunica comigo
de forma decente.
Não aceita nenhum palavra
Ou opinião minha
sem uma contestação
que me tire do sério
Ou te tire do sério
... daí é só madeirada

Você não se vê.

Mas tão pouco me vê também.

Não vê como eu realmente sou
Ou como gostaria de ser.

Você vê uma mulher que eu não quero ser...
Uma estranha.
Que de fato não sou, pois não sou o que não quero.

Quisera você ver o melhor de mim.
Uma parte que guardo só pros privilegiados,
Pros que me admiram
ou amam
ou sentem afeto
ou de alguma forma
Enxergam a MULHER QUE QUERO SER.
mesmo que não seja ainda.
Crescer.
É minha meta.
Esforço - uma sina.

Quisera riscar a palavra VIOLÊNCIA do seu vocabulário. Da nossa vida.
E você nunca mais me falasse com violência
Nunca mais me pegasse com violência
Nunca mais conversasse com violência.
Não soubesse o que isso significa, ou é.

Bodas de madeira?
Madeira podre?
Com Cupim?
Foi tudo tão ruim?

Foi uma história que você apagaria?
Deletaria da sua memória?
O que você faria diferente?
Colocaria verniz?
Carinho?
Mais amor?
Algum valor?

Quisera nunca mais chorar por você
Nunca mais querer desistir.
Descobrir que sentido tem te amar assim:
sem a plenitude, a totalidade, a ânsia de gozo, o silencio de nunca mais sair do quarto
de fingir que o mundo não existe
e que a felicidade dorme embaixo da nossa cama, escondida.
Quisera ser compreendia
PLENAMENTE

EU, tão pretensiosa nesse querer.
Um ser
estranho, complexo e sensível ao extremo.
EU, uma pessoa que diz uma coisa, faz outra e pensa outra.
Eu, uma contradição.
Eu, Anília, uma mulher que nem ainda se vê assim,
(como você também não vê),
Que nem consegue ainda se entender e saber.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

MEGALOMANIA

CAIR DO PEDESTAL

As vezes a vida nos prega cada peça...
...algumas coisas acontecem só pra te provar que a vida de ninguém é sua. Que você não tem em absoluto domínio e nem "manda" na vida de ninguém. Não decide pelos outros. Você só tem o poder de decidir sobre sua própria vida. Somente isso, e isso já é demais. Isso já deveria bastar.
Mas não! Não para uma pessoinha megalomaníaca como você. Uma dominadora, uma mulher incapaz de ouvir o outro.
Acho que você realmente deveria abrir seus olhos  e pensar que faz um jogo de manipulação sem perceber.
Talvez você seja má, e dentro do seu mundo.
Talvez.
Mas incompreensiva é certo que é. Sem a empatia  necessária de se colocar no lugar do outro, vive por aí, frustrada  - porque ninguém faz o que você quer, como você quer ou da forma que você quer.
Você precisa perceber enquanto é tempo, sacar que ... o que te faz infeliz é esse desejo maluco e incontestável de controlar. O controle. O terrível controle.
E não há artifícios suficientemente sofisticados que você não tenha usado pra não perder o controle, ou pelo menos tentar imaginar que você tem algum controle sobre algo. Psicoterapia, chantagem emocional, depressão, imaginação, poesia, abstração, teatro, escrever em blog, escrever no face, virar  vítima, virar a vilã, ameaçar... mas algo você ainda não fez. E vendo agora de fora, de longe, percebo que é a única coisa que  você deveria fazer: ABRIR MÃO, DESISTIR.

Mas abrir mão do controle é ... muito difícil. Complexo. É cuidar só de si.
É esquecer um pouco todo mundo que você quer consertar, mandar, venerar, amar. É esquecer que o mundo se vive junto, e que vender iogurte em duplas, dia dos namorados, mesa para dois, cadeira dupla de cinema e o pague um leve dois são apenas jogadas de marketing baratas.

Fazer isso seria o mesmo que reencarnar, numa nova vida. Numa vida que você não estaria tão acostumada com o outro, o mundo do outro no seu mundo. Seria não fazer mais parte dessa Companhia. E de nenhuma outra, na verdade. Seria ser uma mulher errante. Uma aventureira, uma excêntrica, sem lar, família, ou gatos, ou casa, ou até mesmo emprego.

Seria aprender a viver o dia, o presente singular. A viver tua história e não a história que te criaram ou que você sonha pros outros.
é... seria mesmo um desafio deixar de ser tão megalomaníaca, e tão controladora. Mas você não consegue, talvez nem possa, pois ser assim é tudo que te resta para continuar viva. E viver essa merda de vida que você vive.

sábado, 15 de abril de 2017

re-Começarrr

Re-começarr
agora, do nada.
Como se eu tivesse 16 anos, mas sem os mesmos sonhos.
Acho que
Nunca tive de verdade
Vontade de morrer
Como estou tendo agora.
Acho que, viver
sem entender o porque dessa hora
seria pior, com certeza.

...
tempos de paz
nunca mais
é muita briga, reclamação, dramalhão e chororô voraz.
É muita tristeza
acabar dessa forma com nossa história
Uma história sem muitos frutos
mas com lembranças divertidas.
PASSOU O TEMPO, E DAÍ?

Mais cabelos brancos e mais rugas
e com certeza menos garotos a fim
Bunda mais mole, cabeça com mais neura
um tempo distante, numa noite qualquer
uma saideira
de bloody-mary
onde o bloody só por ser do meu coração.
que se misturou com a vodka barata.

Re- começar, re-novar, re-fazer, re-amar, re-staurar
e me lembrar de novo como eu era antes.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

pós - mortem

Na vida, tive umas 30 vezes vontade de morrer.
Essa última foi cacetada.
Uma vontade que não passa.
como se a vida me contasse uma piada
sem a menor graça.

Acho que não deixo testamento
nem lamento de ninguém
Deixo sim, essa vontade de ir além
Tanta poesia entalada
tanta sinuca não jogada
tanta vontade de completar alguém.

Deixo muita tristeza,
muita água fira,
muito remédio pela metade.
E um ciclo no início
que me daria a oportunidade
de acabar de vez com a solidão e ter finalmente um filho.

"Pelo menos acabei o mestrado.
"Pelo menos sorri um bocado
"pelo menos viajei à beça...

E fiz cada ano uma peça
Sempre com aquilo que me espizinhava.

Pelo menos eu apostei na jogada
E sonhei tudo que sonhei
ainda que esses sonhos fossem impossíveis.

No meu funeral sempre imaginei que teria sol
E só poucos amigos ajuntados
cantando legião urbana, assistindo vídeos mofados
bebendo uma cerveja brahma, declamando uns textos fracassados

Na vida sempre quis ir antes
Abandonar antes
Deixar de amar antes
morrer antes.
Pois quem vai saudades leva
Mas quem fica, a saudade detém, deteriora, extermina, extrapola
e enforca, sem porém.

Posso morrer agora?
Posso ir embora?
...
Dar B.O.?
Fechar o pano?
botar um ponto
final
?




Legião

Legião

Ouvir ÍNDIOS e lembrar do PC
Ouvir PAIS E FILHOS e lembrar de mim, de tudo
Ouvir MENINOS  E MENINAS e perceber que podemos ser de todo mundo
Mesmo sem a mudança levar o tempo, de ser tão veloz.
Ouvir TEMPO PERDIDO e lembrar do Pablo,
Aquele melhor amigo de muito tempo atrás.
Entender que éramos tão jovens e tão inteligentes
E que agora ficamos suspensos e perdidos no espaço.


Reconhecer muito tristemente
que aos 15, 16 e 17 anos
Talvez ,
tinhamos todo o tempo do mundo
E que fomos os mais felizes,
QUE ÉRAMOS OS MAIS INTELIGENTES,
E QUE DE CERTA forma, também eramos os mais felizes
do mundo
Porque éramos tão jovens...

e teatro era por amor, só por amor... sister! You don't know me.

Alguma coisa bate muito forte
agora 20 anos depois.
Um necessidade forte e triste de perceber que,
talvez, esse amor não tenha acabado
e que não estamos distantes de tudo, porque temos nosso próprio tempo.

...

"o que foi escondido é o que se escondeu
O que foi prometido ninguém prometeu...
Somos tão jovens""

20 ANOS DEPOIS

cada qual no seu canto: não temos com quem chorar e nem pra onde ir.

Mas agora a coragem que temos no coração...
Quem é o inimigo? Quem é você?
Por que?... Lutar? ... mais?
Vamos desistir? Pois de repente vi você cair.

Não é bem assim que que as coisas são... pois mentir é fácil demais.
OMITIR é fácil demais...
Volta pro esgoto baby... Será que alguém ainda te quer???

E mesmo com tudo diferente, veio mesmo de repente
um vontade de crescer!... Por que quem um dia irá dizer, que existe razão nas coisas feitas pelo coração????

Se fosse só sentir saudades, mas tem sempre ALGO  MAIS.

por que se explicar? ... se não existe perigo?

Sentir seu coração perfeito, pois mesmo que as estrelas começassem a cair,
me diz... diz me diz?...

Quando se aprende a amar o mundo passa a ser teu.
Pois é preciso AMAR as pessoas... de verdade.  É preciso amar todo mundo
Como se não houvesse amanhã.

anilia


sábado, 1 de outubro de 2016

Para o teatro que amamos...


Quanto tempo dura um grupo? Quanto tempo dura um processo?

É o tempo ou a intensidade das relações que contam?

Sou passional porque vivo no limite. No limite da minha paixão, da minha pesquisa, do meu teatro.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Sobre ser sozinha

É estranho ser sozinha de novo... depois de tanto tempo. A gente esquece o silêncio e  vontade de falar. Esquece que agora é sempre a sua vez de dirigir, ou lavar a louça. Hoje almoçando, vi minha amiga, casada há mais de trinta anos, separada a um ou dois. Pelo menos ela teve filhos, pensei.
Depois pensei de novo.... quem sabe, é : ainda bem que não tive filhos. Mal consigo cuidar das gatas. É muito ruim mesmo você chegar tão cansada que não consegue dar comida, ou limpar a caixa de areia... mas mesmo assim ter que fazer: é sua vez de limpar a caixa de areia.
Mas não me pego chorando como nas outras separações. Ao contrário, é só uma opressão no peito. Uma tristeza que dá ruga na cara, daí prefiro não fazer cara de triste. Talvez porque a ficha ainda não caiu, ou talvez porque ainda tenha muitas coisas dele por aqui. A letra dele nos papéis, as roupas no armário... até a louça suja que foi abandonada às pressas. Parece só que ele foi viajar, ou passar o fim de semana fora. Irônicamente são os dias mais frios do ano. Irônicamente, não contei pra ninguém, nenhum amigo, só a minha avó, e mesmo assim sem contar todos os motivos. Os motivos na verdade eram tantos e não era nenhum. São motivos de oito anos atrás que sempre voltam e me fazem teimar em ter esses ideais.
Nunca pensei em casar com um homem rico. Sempre quis um cara que fosse trabalhador. Que trabalhasse, mesmo ganhando pouco...  Mas que não ganhasse nada, nunca?? Isso nunca pedi. Tenho certeza... enfim, esse é só um dos motivos. Mas chega de motivos. O que nos motiva é bem mais do que fatos, é também a personalidade, que mudou muito. Dizem que mudamos muito de sete em sete anos. E lá se foram oito.
Eu talvez tenha mudado muito mais do que ele.
E agora, convivendo sozinha com essa minha personalidade tão diferente, nem sei mais se saio daqui, largo o emprego e reencarno em outra vida. Já não sei mesmo quem é essa moça séria e chata, que vive cansada e não sabe mais das coisas. Essa pessoa que não gosta mais de teatro como gostava antes, que não gosta muito de nada .... parece-me mais próximo aquela frase "A vida nada mais é que uma morte lenta".
Parece-me que não tenho mais euforia ou depressão. Que depois dos 35, me colocaram um óculos que vê a vida em tons pastéis... e depois disso, nada mais.

segunda-feira, 13 de junho de 2016

O teste

Não sei porque são assim os homens de teatro...
Ou só são assim os homens que me relaciono? Eles não sentem dor, ou desistem muito fácil.
o FATO é... que...
Não sei se te quero metade na minha vida.
Metade das tuas roupas, metade dos teus sapatos. Todas as fotografias e todos os nossos espaços.
Todas as suas contas,
meus pedaços...
meus cacos quebrados.
De uma tristeza tão triste que perco a fome e a vontade de tomar banho.
E a real vontade de entender, porque eu não mudo "de vez" você?...
Por que você não é exatinho o que eu quero?
O homem que eu pedi e sonhei?
Por que você não faz exatamente o que eu mandei?...

Não sei onde foi parar teu amor que era tão grande, TÃO GRANDE, TÃO GRANDE...
Ou era de fato só ilusão, acomodação, chateação, cretinisse?...
Ou era só aquela vontade de disse me disse?...

E entro no meu carro, alimento os gatos e lavo a roupa
Numa eficiência solitária, que me espreme o coração, como se um alicate ficasse torcendo
e no meio dele todo esse vazio estranho, que me propõe indecentemente, sofrer na DINAMARCA
ENQUANTO HÁ TEMPO!!

Quero fuga, Quero não pensar mesmo nisso tudo.
Quero perdão, um perdão dos dois lados. Mas o meu lado como o mais certo.
Quero não ver mais você e essa raiva virar saudades.
Quero te esquecer, mas não te quero fora da minha vida.
Quero você comigo, ainda, meu amor.
mas sublime, mas aconchego, mais desculpe.
mais baixo. fala baixo.

Será que você vai passar no teste?

domingo, 17 de abril de 2016

exaque-ca

ENXAQUECA DESLUMBRANTE

POR QUE  cabeça tão cheia
de dores
de cores
de coisas que não preciso ter?

Por que são de fato
mudanças que doem
que mexem e exigem.

Enxa-que-ca-ca-ra-lho



Quem eu sou?

Me pergunto diante de tudo isso, quem eu sou de verdade?

A cada momento me descobrindo, ou não me descobrindo uma pessoa assim... má. Tosca, cruel. De certa forma desonesta, de certa forma grossa, de certa forma estranha, de certa forma anti-social, de certa forma focada, de certa forma enganada, de certa forma inconformada. Porque ficar nessa forma me inconforma.
Mas o que dói é ver você assim, tão volúvel: sem dizer na minha cara o que pensa sobre meus pensamentos... mas na cara dos outros transformá-los em vil instrumentos, que manipulo de forma fria.
Essa é a traição, essa minha ignorância sobre sua postura tão indeterminada: é o que me faz sofrer agora.
Mas eu sofro por cretinisse, não tenha nenhuma pena de mim, por favor!!!  Não tenha, porque seus defeitos, todos, estão tão escancarados, listadinhos na minha frente - que mesmo fechando forte, espremendo meus dois olhinhos e tapando os meus ouvidos, mesmo assim não deixaria de perceber...  se quisesse.

É que esse amor me impede, me proíbe de ver esses buracos negros em você.

E nessa luta me sinto sozinha, porque me coloquei sozinha e na hora de chorar inconformada, me sentido injustiçada, não tenho um número na cabeça que posso ligar. Não tenho um ser humano no mundo que posso confiar. Vivo numa ilha, que eu mesma me coloquei, cercada de gente que realmente não entende o idioma que falo.
Estou só, tão só nas minhas opiniões e problemas, e defeitos. Estou só, tão só,  por ter um ideal de mundo e uma vida bem confusa, numa confusão que detesto. Estou só por só conseguir ter amigos que trabalham comigo, e que de certa forma, nem amigos meus são de verdade. Estou só por não ter um companheiro que 'feche" comigo em qualquer hipótese, primeiramente, porque ele não entende metade do que eu digo.

É muito estranho ouvir teorias sobre você. Muito estranho as pessoas te analisarem. Muito estranho você e sua personalidade serem o centro da conversa... nunca pensei em ser tão pré-julgada por pessoas que sequer te conhecem bem.

Mais estranho ainda é , que mesmo sem um número, ainda assim, você ligar para a única pessoa que você acha que pode te entender no mundo... e ver que  ela não atende o telefone, e que se atendesse... bem foi melhor que não atenda... ela de verdade não te entenderia. Se ela atendesse, entenderia?

Não me arrisco mais em me descrever.
Não quero mais saber quem eu sou.
Não preciso saber do que sou capaz.
NÃO, NÃO, AGORA NÃO.

Não concordo com você. Nem com outras pessoas.
Elas não podem saber quem eu sou.
Porque nem eu sei quem eu sou.
Elas não podem saber o que é ser malvada, insensível, cruel.
Já sofri maldade, insensibilidade, crueldade.
resguardando as proporções...
elas não sabem nada o que falam... me descrever assim seria imaturo.
Inclusive você, que pensa que me conhece é o rei dos imaturos. Você não sabe nada.

Acho que ainda vivo mais uns anos
E até lá, sou esse mistério que anda, fala, se comunica. Esse mistério que já foi muito estranha, muito pirada, muito louca varrida. Mas mudo muito, como as minhas estradas. Por isso prefiro seguir assim, ainda sozinha e ainda sem concordar com você, com os outros, com nada.


ANILIA

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

domingo, 9 de novembro de 2014

à margem

Fazer teatro já é fora do comum.
Fazer um teatro à margem, é mais complexo ainda.

Embora eu saiba fazer o teatro-feijão-com-arroz, e me agrade algumas fórmulas pré estabelecidas, descobri, a pouco tempo, que só me excita o TERCEIRO TEATRO.
Aquele que é desagradável, questionador, provocador, que põe o dedo na ferida.
Este prá mim é o VERDADEIRO teatro.
O que está aquém e além dos grandes circuitos, do usual, comercial, bonitinho.
Por que fazer alguma coisa que o público já sabe onde vai dar?
Por que não surpreendê-lo?
Embora muito competitiva, descobri a pouco tempo (bem pouco por sinal), que não quero mais ganhar festivais. Quero ir, para participar, mas também, principalmente, causar, chocar. Quero que lembrem da minha arte como alguma coisa que os moveu, os tirou da cadeira, os fez refletir de algum modo.
Quero de verdade EXPLODIR O PALCO ITALIANO, para depois conseguir reinventá-lo.
Quero jogo aberto.
Jogo aberto com o público.
E quero poder correr o risco de não ganhar sempre. Quero perder algumas partidas de vez enquanto... por que não faz sentido um jogo que já sabemos quem vai ganhar.
O ator, nem sempre é o dono da bola. No Meu TEATRO, provavelmente, ele nunca será o único dono da bola.

Mas, é claro, fazer esse teatro marginal, como é de se esperar, não é nem um pouco popular.
E temos diversas dificuldades: de encontrar atores, de encontrar uma equipe que viabilize, de achar o nosso público alvo.
Aliás... quem é nosso público alvo?
Uns nos amam, outros nos odeiam, outros sequer nos entendem...
A grande maioria acha que o que fazemos é ruim, pois PARECE MAL ACABADO, mal formulado e totalmente mal interpretado... bem... a esses só posso dizer... FODA-SE. Claro que é um foda-se bem educado, bem compreensível... pois gostar é uma opção, e não gostar também. Afinal, não gosto da maioria das músicas famosas que tocam e muito menos dos programas na televisão que estão bombando. Talvez, meu gosto realmente não bata com o da maioria.

Mas também tem o time dos que ACHAM que o que fazemos não é teatro. Como assim?... Bem com esses eu devo concordar em partes. Teatro é vida, e algumas coisas para mim, são vida. Apenas legitimam essa gloriosa vida que levo.

Bom, anda temos os que gostam. É para eles que fazemos.

Estar à margem é muito bom, podemos ver o centro de maneira distanciada. Nos colocamos na beira do precipício, no risco. Não precisamos seguir as regras do centro. Não ficamos oprimidos por ele. Circulamos em volta, bebemos de tudo, olhamos em 360 graus. Quem nos quer de verdade, se desloca até nós. Emitimos e recebemos a energia do todo, sem estar em evidência. Isso é marginal.