quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

pós - mortem

Na vida, tive umas 30 vezes vontade de morrer.
Essa última foi cacetada.
Uma vontade que não passa.
como se a vida me contasse uma piada
sem a menor graça.

Acho que não deixo testamento
nem lamento de ninguém
Deixo sim, essa vontade de ir além
Tanta poesia entalada
tanta sinuca não jogada
tanta vontade de completar alguém.

Deixo muita tristeza,
muita água fira,
muito remédio pela metade.
E um ciclo no início
que me daria a oportunidade
de acabar de vez com a solidão e ter finalmente um filho.

"Pelo menos acabei o mestrado.
"Pelo menos sorri um bocado
"pelo menos viajei à beça...

E fiz cada ano uma peça
Sempre com aquilo que me espizinhava.

Pelo menos eu apostei na jogada
E sonhei tudo que sonhei
ainda que esses sonhos fossem impossíveis.

No meu funeral sempre imaginei que teria sol
E só poucos amigos ajuntados
cantando legião urbana, assistindo vídeos mofados
bebendo uma cerveja brahma, declamando uns textos fracassados

Na vida sempre quis ir antes
Abandonar antes
Deixar de amar antes
morrer antes.
Pois quem vai saudades leva
Mas quem fica, a saudade detém, deteriora, extermina, extrapola
e enforca, sem porém.

Posso morrer agora?
Posso ir embora?
...
Dar B.O.?
Fechar o pano?
botar um ponto
final
?




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