domingo, 9 de novembro de 2014

à margem

Fazer teatro já é fora do comum.
Fazer um teatro à margem, é mais complexo ainda.

Embora eu saiba fazer o teatro-feijão-com-arroz, e me agrade algumas fórmulas pré estabelecidas, descobri, a pouco tempo, que só me excita o TERCEIRO TEATRO.
Aquele que é desagradável, questionador, provocador, que põe o dedo na ferida.
Este prá mim é o VERDADEIRO teatro.
O que está aquém e além dos grandes circuitos, do usual, comercial, bonitinho.
Por que fazer alguma coisa que o público já sabe onde vai dar?
Por que não surpreendê-lo?
Embora muito competitiva, descobri a pouco tempo (bem pouco por sinal), que não quero mais ganhar festivais. Quero ir, para participar, mas também, principalmente, causar, chocar. Quero que lembrem da minha arte como alguma coisa que os moveu, os tirou da cadeira, os fez refletir de algum modo.
Quero de verdade EXPLODIR O PALCO ITALIANO, para depois conseguir reinventá-lo.
Quero jogo aberto.
Jogo aberto com o público.
E quero poder correr o risco de não ganhar sempre. Quero perder algumas partidas de vez enquanto... por que não faz sentido um jogo que já sabemos quem vai ganhar.
O ator, nem sempre é o dono da bola. No Meu TEATRO, provavelmente, ele nunca será o único dono da bola.

Mas, é claro, fazer esse teatro marginal, como é de se esperar, não é nem um pouco popular.
E temos diversas dificuldades: de encontrar atores, de encontrar uma equipe que viabilize, de achar o nosso público alvo.
Aliás... quem é nosso público alvo?
Uns nos amam, outros nos odeiam, outros sequer nos entendem...
A grande maioria acha que o que fazemos é ruim, pois PARECE MAL ACABADO, mal formulado e totalmente mal interpretado... bem... a esses só posso dizer... FODA-SE. Claro que é um foda-se bem educado, bem compreensível... pois gostar é uma opção, e não gostar também. Afinal, não gosto da maioria das músicas famosas que tocam e muito menos dos programas na televisão que estão bombando. Talvez, meu gosto realmente não bata com o da maioria.

Mas também tem o time dos que ACHAM que o que fazemos não é teatro. Como assim?... Bem com esses eu devo concordar em partes. Teatro é vida, e algumas coisas para mim, são vida. Apenas legitimam essa gloriosa vida que levo.

Bom, anda temos os que gostam. É para eles que fazemos.

Estar à margem é muito bom, podemos ver o centro de maneira distanciada. Nos colocamos na beira do precipício, no risco. Não precisamos seguir as regras do centro. Não ficamos oprimidos por ele. Circulamos em volta, bebemos de tudo, olhamos em 360 graus. Quem nos quer de verdade, se desloca até nós. Emitimos e recebemos a energia do todo, sem estar em evidência. Isso é marginal.