segunda-feira, 26 de abril de 2010

PIZZA FAMILIA


*ATENÇÃO AMIGOS !*

ELA ESTÁ INCLUÍDA NO FESTIVAL DE ESQUETES ARTE INCLUSIVA, E SERÁ NO PARQUE DAS RUÍNAS, AS 18 HORAS.

******** É GRÁTIS!! *******

E O PÚBLICO TEM PARTICIPAÇÃO MUITO IMPORTANTE, É ELE QUEM DECIDE QUAL O ESQUETE ( CENA ) VENCEDORA, ATRAVÉS DO VOTO POPULAR.
COMPAREÇAM E VOTEM NA PIZZA! O ESQUETE VENCEDOR GANHA UMA PAUTA NUM TEATRO DA REDE - ESTOU PRECISANDO MUITO ACREDITEM ! (SOU UMA ARTISTA QUE NÃO TEM ONDE MOSTRAR SUA ARTE!!!)
ABAIXO FOTOS DA PIZZA PRÁ DEIXAREM VOCÊS COM ÁGUA NA BOCA E GOSTINHO DE PIZZA...














ENTRADA FRANCA!!
O PARQUE DAS RUÍNAS FICA :
Rua Murtinho Nobre, 169 - Sta Tereza, CHEGANDO NO LARGO DOS GUIMARÃES TODO MUNDO SABE, QUEM NÃO QUISER FICAR PERDIDO, DA LAPA ATÉ LÁ DE TAXI É 5,00 NO MÁXIMO!




sexta-feira, 9 de abril de 2010

voa voa passarinho...



"Vê mais longe a gaivota que voa mais alto."

Richard Bach

Caramba, ontem era ano novo, hoje já é quase dia das mães. O tempo voa... assusta como voa. Esses dias eu estava no meu outro blog http://aniliah.spaces.live.com/ , onde pode-se colocar um número ilimitado de fotos, e fiquei rindo sozinha e vendo fotos antigas, de 2005, 2006. Parece que tudio aconteceu semana passada. Isso me deu uma sensação de inutilidade. Pensei em realizar muito mais coisas nesses últimos cinco anos do que acabei realizando. Eu não estou me sentindo bem com várias coisas na minha vida, e estou me sentindo meio incapaz de solucionar. Estranho, chato, terrível, ultrapassado. Tudo está ultrapassado, o hoje já é ontem.
ani

segunda-feira, 5 de abril de 2010

um morto fala...

Eu já estou morto.
Vocês estarão lendo isso aqui, me achando bem vivo, mas as palavras são de um morto. É clichê esse negócio de memórias de um morto, é clichê desde o tempo de Machado de Assis, o mas o fato é que todo morto, se não expurga o que o atormenta, não 'descansa em paz'. E o que me atormenta é um caso banal. Tão banal, por ser carnal, ou tão carnal que é banal, ah tanto faz. O que me faz dar voltas ao túmulo, foi um episódio inesquecível, aliás uma mulher inesquecível que passou por minha vida.
Preciso falar dela, preciso dizer ao mundo o quanto ela foi importante na minha vida. Não, ela não foi o AMOR da minha vida. Não, mil vezes não, isso não é um conto romântico, não passas nem de longe de uma história cor-de-rosa, de contos de fadas e de trama apaixonada. Digo que ela foi importante, porque foi a mulher que me ensinou a transar. Por favor, mortos não têm remosos, nem tão pouco vaidades, não estou nem aí que ela me processe. Já estou morto mesmo, e mortos não respondem processos legais. MAS EU PRECISO FALAR DA MELHOR FODA DA MINHA VIDA.
Preciso dizer isso, agora que já morri, pois somente agora tenho certeza que não terei outra melhor do que esta. E quem sabe meu relato possa servir de inspiração, conforto ou lição a outros como eu. Outros homens sexualmente introvertidos como eu era. Machistas como eu era.
Bom, vamos começar do princípio. Eu tinha 22 anos, era cabeludo e hippie. Viajava o mundo com minha mochila nas costas, nos anos 70, tinham vários como eu. Sexo era uma coisa linda, e claro, todo mundo fodia todo mundo, eu tinha muitas mulheres, muita variedade sexual. Bissexualidade também era uma coisa comum. No meio de tanta maconha e LSD, era meio dificil escolher o parceiro sexual, que dirá se ele era macho ou fêmea. Todos cabeludos, todos meio fedorentos e não-depilados, digamos que o órgão sexual era um mero detalhe. O que importava eram as carícias, era viajar o mundo e cair na comunhão cósmica que aquelas tribos undergrounds proporcionavam. O que importava mesmo era PAZ e AMOR, um mundo livre da guerra do Viatnã e ter grana suficiente prá apertar o baseado do dia. Diga-se de passagem que antes e morrer, parei de fumar maconha. Aliás já estava sem fumar há dez anos, por considerar o teor de THC dos baseados atuais, ridículos comparados aos dos anos 70. Maconha de hoje não dá onda, definitivamente não dá. E as que dão não vale o preço!
Numa dessas viagens loucas, com minha galera mais louca ainda, fui parar numa cidadezinha bem pequena, no interior do Espírito Santo, cujo o nome é irrelevante no momento, mas vale ressaltar que tal cidade tinha como principal atração a exposição agropecurária de gado de corte e gado leiteiro. Enfim, rual, ruralíssima perto da mente que já tinha desde os 17 anos ido parar não se sabe como e com que recussos em Londres, Budapeste, Índia, Portugal, São Francisco e Califórnia no Estados Unidos, Amsterdã, e Chapada da Diamantina na Bahia !! Digamos que, sempre aparecia uma chance de se viajar, tendo um passaporte em dia e sendo descendentes de italianos como eu era. Mesmo sem um puto no bolso, os anos 70 era um verdadeiro paraíso pra viajantes profissionais, que não criavam laços e que não faziam questão de se arriscar um pouco mais. Sempre se tinha o céu de estrelas como cobertor, uma tia idosa prá doar um rango e um trampo mais ou menos interessante prá quem sabe ler e recitar umas poesias.
Lá nessa cidade, conheci a melhor e a única puta que já transei.
Depois dela minha vida, mudou.
Ela, já era puta, desde os treze. Quando nos conhecemos ela tinha 28, e eu considerava meio coroa, dentro dos meus 22 anos. Não, não paguei pelo encontro, se é que vocês se importariam com isso. Até pagaria, diante da beldade que se apresentava, mas ferrado como eu era é claro que eu não tinha dinheiro. Nos encontramos numa festa, numa casa abandonada, invadida pelos meus amigos hippies pra passamos mais aquela noite. A casa era uma mansão, sede de uma chácara, ainda com as adegas cheias de vinhos lacrados e com fotos da familia residente peduradas por todas as paredes.
Detonamos os vinhos, e também parte dos queijos curados e doces em compotas que comportadamente foram arrumados na dispensa.
Minha musa perturbadora, chegou com um viado, famoso na região por ter um bar que vendia as melhores cachaças da cidade. Ela estava tão linda. Jamais diria que era prostituta, ao menos que me dissesse. Tinha um vestido que transparecia a pureza de uma madre, a inocência de uma virgem. Era modesto e feio. Meio cafona pra moda daquela época cafona. Tinha os cabelos soltos, incrívelmente negros e retos. Não usava nenhuma maquiagem. Tinha uma aparência tão limpa que chegava a brilhar, embora a única jóia que trouxesse consigo fosse um cordão dourado com um pingente de chave. Mas toda aquela contradição me atraiu. Bebemos vinho juntos e não quis compartilha-la com ninguém, subimos as escadas e fomos insasiávelmente para o quarto onde numa onda de lambeções e chupões como grandes devoradores que éramos e que estávamos parecia interminável. Antes porém da ansiada penetração, confessou-me: Sou puta. Não estou te cobrando nada, sei que não tem dinheiro para me pagar, mas é isso que faço, é a única coisa que sei fazer.
Enfim, eu não estava nem aí. Na hora ela podia ser realmente qualquer coisa, eu não ia me importar mesmo. Mas a verdade verdadeira é que a identificação sexual foi absurda. Não saímos do quarto pelas 72 horas seguinte e não deixamos ninguém entrar. Não tinha fome, nem sede, e a minha maior e única necessidade era do seu corpo. Nunca eu podia chamar aquilo de amor, porque era uma mistura muito grande de sangue, suor, lágrimas, porra, cuspe, cabelos, cheiros, unhas, pêlos, enfim... aquilo não foi amor, aquilo não tinha nome.
Ela teve que sair dali, afirmando ter seus compromissos, suas contas prá pagar, e não tinha como ficar sem comer, ou sequer beber água. Na prática o sexo é vital, mas viciante. Pediu que eu a encontrasse no tal bar do viado da cachaça, no dia seguinte.
Após ouvir inúmeras gozações de todo o meu grupo, me acusando se enquandrado ao sistema e careta, não suportei a espera e fui naquela mesma noite no boteco atrás dela. Que por sinal sequer sabia o nome. Chegando lá, nem sabia por quem procurar.
Mas ela apareceu, disse que ali a chamavam de Renata, mas seu nome de verdade era Maria. E Maria, como eu sempre preferi guardar pediu que eu esperasse e após seu trabalho daquela noite, me levou pra sua casa. De lá saímos apenas no dia seguinte, as 14 horas, pra que eu buscasse as minhas coisas.
Avisei para o grupo que eu acompanhava, que ia ficar mais um tempo por ali e me mudei prá sua modesta casinha com minha mochila e meu violão.
Ela exerceu em mim toda a sua maternidade recalcada. Me fazia comida, me dava banho, pediu que eu fizesse a barba e remendou meu jeans. A contra-gosto cortei os cabelos e todos os dias ela me presenteava com seu sexo. O seu melhor sexo. Aos 22 anos, achava que podia gozar quantas vezes eu quisesse, na hora que eu quisesse. Maria me fez acreditar nisso. Ela me fez crer que eu era super homem e tinha super poderes. Me fez crer que nada era mais sagrado que o sexo ( uma puta me fez crer nisso!) e principalmente que a mulher sente prazer. Muito mais prazer que qualquer outro homem, então ela também tinha super poderes, aliás era isso que ela me fazia acreditar.
Naqueles dias, achei que a felicidade de fato existia.
Hoje morto, reconheço que nunca, nem quando fiquei rico, e comprei coisas que o mundo capitalista exigia, ou quando tive meus filhos, ou quando casei ou quando sobrevivi as pontes de safena, nunca, fui tão feliz, como quando comia ensopadinho de chuchu e tocava violão no colo de Maria, sentindo os mosquitos do Espírito Santo, tendo as cigarras como companhia.
Maria me dava de tudo, roupas, um teto, uma cama deliciosa.
Nada me exigia, nada, só meu afeto e umas poucas poesias mal recitadas.
Bem, na verdade ela pediu que eu parasse de fumar maconha. Achei bom, e acabei parando de fumar cigarros também. Já vestia galochas e troquei a barba pelas costeletas. Já escovava os dentes e tomava banho todo dia, duas vezes por dia até. Aboli a cultura hippie de vez... Ela tinha mesmo me enquadrado. Era tudo perfeito, tirando o fato de eu preferir ignorar de como entrava dinheiro na nossa casa, e jamais voltar de novo no bar no viado, onde a Maria virava Renata e trazia nosso pão de cada dia. Fingindo não saber e não ir lá, escamoteava meu ciúme e minha posse jamais adaptada a filosofia hippie. Por isso nunca tinha tido uma namorada até então.
Nosso romance que parecia eterno, acabou mais rápido do que eu pude supor e mais cruel por me poupar detalhes que caíram no esquecimento. Sei que um dia eu estava passando na cidade, e próximo estação de trem, ouvi homens conversando sobre a Renata. Um deles elogiava a sua habilidade oral, e como ela fazia com gosto tudo que fosse pedido.
Na mesma hora saltaram lágrimas dos meus olhos. Tive vontade de dar um soco no homem com cara de caipira e confesso que pela primeira vez na vida tive um sentimento de posse que me fez cair na real e entender como funcionava a vida.
Claro que meu orgulho e meu moralismo nunca me deixaria brigar ou discutir com Maria. Ela já massacrada pelas dificuldades e pela fome ententendia muito melhor do mundo de prostituição do que eu, ex-hippie filhinho de papai que não ligava pra casa há seis meses.
Ao chegar na sua casinha, quis pedir: não seja mais puta!
Mas apenas peguei minha mochila, meu violão e disse que tinha que ir. Ela chorou, quis saber o motivo, quis reinvindicar direitos da sua dedicação. Mas depois dos sexo de despedida, a deixei adormecida, ainda melada de lágrimas e nua, e pura. A puta mais pura que existiu.
Hoje morto, entendo que sempre busquei Maria, nas bocas, bucetas, e peitos que beijei. Sempre quis Maria, nunca mais vi Maria. As vezes duvidei que ela tivesse mesmo existido, ou tivesse apenas sido uma viagem no meio de tantas porcarias que eu tomava na época, mas a prova de sua existênicia, foi ter deixado em mim, um sentimento que me acompanhou estranhamente, até o dia da minha morte.
Explico: antes dela, não sabia o que era posse. Não compreendia porque as pessoas queria ter dinheiro, ter casa, ter jóias, ter família, TER o que quer que fosse. Eu não tinha nada antes dela, e não entendia porque deveria ter alguma coisa: vínculos, histórias, trabalho, pessoas, tudo era tão transitório, tudo efêmero.
Então, ela se ofereceu prá mim, e finalmente tive algo, ou alguém. Não entendia o significado da palavra exclusividade, até sentir que se ela fosse minha, não queria que ela fosse de mais ninguém.
Pronto, foi essa a história da melhor foda da minha vida. Agora que estou morto e não menos perturbado, posso fazer uma auto-análise dessa minha louca história.
Maria, uma puta, que dividia seu amor com muitos, me ensinou a importância de ser único, de querer ser único e de ter as coisas. Coisas suas. Só suas. Todo o resto da minha vida foi construído a partir dessa lição. Acumulei coisas, fiz riqueza, construí fortunas. Tive apegos, tive ganância e tive ambição. Uma coisa puxou a outra, e tudo a partir de uma mulher, uma única mulher, que se deu para mim, mas nunca foi minha, realmente toda minha, por inteiro. Por não tê-la, quis ter todo o mundo, mas o mundo inteiro, não foi suficiente como aquele refogado de chuchu e aquele colo na varanda com as cigarras...

assinado : um morto