... escrever uma justificativa para querer publicar poesias...
Ser poetisa me ajuda a suportar as dores do mundo. Minha caneta é minha navalha, minha arma silênciosa. De certa forma é meu remédio, minha cura. Quando eu fui humilhada, escrevi. Quando fui traída, escrevi, quando fui abandonada, escrevi. Quando fui rejeitada, escrevi. Ganhando ou perdendo, continuo escrevendo. Certo ou errado, continuo escrevendo... tenho licença poética (esta é minha justificativa para as frases sem concordânica ou sentido)... Tenho que fazer isso, mesmo que não saia dos meus cadernos ou diários. Mesmo que não preste pra nada. Desde os três anos, quando não era alfebetizada, já fazia poesia, recitava pra minha avó, hoje com 83 anos, que tinha um caderno e pacientemente registrava minhas histórias, meus versos. Escrever é a única coisa que eu faço sem orgulho, sem vaidade. Não é como o teatro, que faço às vezes pelo aplauso. Escrever é sem ego. Por isso, nunca releio. Por isso o que sai dos dedos e da mente sai como um vômito, um aborto, meras borboletas ou suspiros. Não se tem como recolher, reler e rever suspiros, borboletas ou vômitos, tem ? Nunca me achei escritora, porque não sou genial, talvez não seja publicável, ou amável... escrevo como falo, na velocidade do pensamento: sempre rápido, sempre distraída. Mas eu me considero uma boa leitora, e minha leitura favorita são meus diários de adolescente. Nunca vi uma jovem com tantas aventuras, ou amarguras, ou genialidade. Definitivamente, acho que ADULTA emburreci. Por isso, em memória da leitora que sou hoje, leitora dos meus próprios escritos, gostaria de publicar um livro. Pretensão ?? Provavelmente. Mas quem disser qualquer coisa diferente disso, principalmente nas entrelinhas, está blefando. Não há justificativa válida para se publicar, senão for por pretensão... publicar poesias é expor nossas feridas, é autopiedade, é achar que se pode compartilhar estados, sentimentos com as palavras. E achar que se pode FAZER isso é SEMPRE deveras pretensão.
quarta-feira, 31 de outubro de 2012
domingo, 14 de outubro de 2012
Meu AMADO AMANTE
Ele me corrompe, e como uma puta sem vergonha, sigo todos os seus ditames. Aceito, submeto-me, aceito todas as suas condições. Com ele não há negociações. Ele manda, eu obedeço. Tudo nele me emociona. Quando é pobre, quando é rico, quando é feito sem esforço, quando seu esforço é sobre humano. Sou apenas mais uma de suas amantes - e nem ao menos sou a favorita. Por mais que ele me vire a cara, eu corro atrás dele sem cessar. Dou a ele todas as minhas horas livres, as ocupadas também, gasto tudo que tenho, durmo sonhando com ele todas as noites. Não importa quantas vezes eu seja preterida, sempre vou amá-lo como uma doida varrida. Foi assim desde que nos conhecemos.
Já tive fases de odiá-lo. De negá-lo até meu último fio de cabelo. De queimar suas roupas, de tentar ignorar sua existência na minha vida. Já quis matá-lo, e me enterrar junto com ele. Já quis transgredi-lo, abortá-lo, devotá-lo e até mesmo questionar sua real existência... mas ele sempre permaneceu em mim, como um órgão do meu corpo. Como uma marca de nascença - onipresente. Nem por um momento, desde que nos conhecemos tive dúvidas que ele seria meu amado amante e ficaria comigo, mesmo que eu o renegasse completamente. Já fazem 25 anos e ainda sinto a mesma emoção quando piso em seu tablado, quando me maquio para ele, quando projeto minha voz. Tenha uma pessoa ou cem testemunhando nosso ato de amor, eu sempre fico arrebatada com seu poder. O orgasmo que ele me proporciona é tão intenso que perco a linha... Às vezes meto os pés pelas mãos, às vezes erro tudo. Não sei controlar, não sei ser técnica, não consigo dominar a situação. Por isso sei que ele me nega, e talvez seja por isso que que não tenho sorte com ele. Juntos já vivemos perrengues homéricos, já passamos muita humilhação, muita dor e confusão. Já tivemos crises, sagas, causos... já experimentei todas as suas facetas, já lhe multipliquei por muitas partes.
Como amante não fui ciumenta ou egoísta. Lhe apresentei muitas pessoas. Muitas através de mim também se apaixonaram por ele, algumas até vivem como ele uma relação mais intensa que a minha. Não há culpa. Ou desculpa. Porque nossa relação é íntima, intransferível, inigualável. Única. E com seu amor intenso, seria surreal não compartilhá-lo.
Amo-o sem vaidade, sem ego. Amo porque é apenas ele me faz viver de verdade, intensamente, como a vida deve ser.
Sua imensidão, seu mistério e sua eterna complexidade me fascinam. E embora ele seja objeto da minha eterna análise, só hoje compreendo que jamais o entenderei completamente. Confiar como segue seu curso, é portanto minha única chance de ser feliz ao seu lado. Dominá-lo é... impossível... E talvez nem seja meu real desejo.
Nas cartas do meu tarô, as dúvidas ao seu respeito já são assuntos rotineiros...
E embora eu seja essa mulher devotada, o TEATRO nunca foi meu amado amante fiel. Foram inúmeras contradições, batalhas perdidas, decepções fatais, dores de cotovelo eternas.Como uma droga altamente viciante, ele me domina e nunca me deixou dominá-lo completamente. E quanto mais ele acaba comigo, preciso a cada momento dele com mais e mais intensidade. É uma relação doentia - vocês diriam. Eu diria: é só assim que sei me relacionar com ele.
Quanto mais o TEATRO me vira as costas, mais eu corro e me jogo aos seus pés, implorando para que ele não saia da minha vida, que ele me dê mais essa última chance.
E assim vamos vivendo eternamente, cheios de últimas chances, de últimas vezes, de finais não felizes.
Processos vão, processos vêm, pessoas vão, pessoas vêm, namorados vêm e vão, amigos vêm e vão, desejos vem, desejos vão... mas eu e o teatro, meu amado amante, estamos sempre ali. Juntos, unidos, eternos, invioláveis.
FIM
Já tive fases de odiá-lo. De negá-lo até meu último fio de cabelo. De queimar suas roupas, de tentar ignorar sua existência na minha vida. Já quis matá-lo, e me enterrar junto com ele. Já quis transgredi-lo, abortá-lo, devotá-lo e até mesmo questionar sua real existência... mas ele sempre permaneceu em mim, como um órgão do meu corpo. Como uma marca de nascença - onipresente. Nem por um momento, desde que nos conhecemos tive dúvidas que ele seria meu amado amante e ficaria comigo, mesmo que eu o renegasse completamente. Já fazem 25 anos e ainda sinto a mesma emoção quando piso em seu tablado, quando me maquio para ele, quando projeto minha voz. Tenha uma pessoa ou cem testemunhando nosso ato de amor, eu sempre fico arrebatada com seu poder. O orgasmo que ele me proporciona é tão intenso que perco a linha... Às vezes meto os pés pelas mãos, às vezes erro tudo. Não sei controlar, não sei ser técnica, não consigo dominar a situação. Por isso sei que ele me nega, e talvez seja por isso que que não tenho sorte com ele. Juntos já vivemos perrengues homéricos, já passamos muita humilhação, muita dor e confusão. Já tivemos crises, sagas, causos... já experimentei todas as suas facetas, já lhe multipliquei por muitas partes.
Como amante não fui ciumenta ou egoísta. Lhe apresentei muitas pessoas. Muitas através de mim também se apaixonaram por ele, algumas até vivem como ele uma relação mais intensa que a minha. Não há culpa. Ou desculpa. Porque nossa relação é íntima, intransferível, inigualável. Única. E com seu amor intenso, seria surreal não compartilhá-lo.
Amo-o sem vaidade, sem ego. Amo porque é apenas ele me faz viver de verdade, intensamente, como a vida deve ser.
Sua imensidão, seu mistério e sua eterna complexidade me fascinam. E embora ele seja objeto da minha eterna análise, só hoje compreendo que jamais o entenderei completamente. Confiar como segue seu curso, é portanto minha única chance de ser feliz ao seu lado. Dominá-lo é... impossível... E talvez nem seja meu real desejo.
Nas cartas do meu tarô, as dúvidas ao seu respeito já são assuntos rotineiros...
E embora eu seja essa mulher devotada, o TEATRO nunca foi meu amado amante fiel. Foram inúmeras contradições, batalhas perdidas, decepções fatais, dores de cotovelo eternas.Como uma droga altamente viciante, ele me domina e nunca me deixou dominá-lo completamente. E quanto mais ele acaba comigo, preciso a cada momento dele com mais e mais intensidade. É uma relação doentia - vocês diriam. Eu diria: é só assim que sei me relacionar com ele.
Quanto mais o TEATRO me vira as costas, mais eu corro e me jogo aos seus pés, implorando para que ele não saia da minha vida, que ele me dê mais essa última chance.
E assim vamos vivendo eternamente, cheios de últimas chances, de últimas vezes, de finais não felizes.
Processos vão, processos vêm, pessoas vão, pessoas vêm, namorados vêm e vão, amigos vêm e vão, desejos vem, desejos vão... mas eu e o teatro, meu amado amante, estamos sempre ali. Juntos, unidos, eternos, invioláveis.
FIM
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