quinta-feira, 28 de maio de 2009

LEVANDO A VIDA NA FLAUTA

TODA VEZ QUE EU CRUZO A AV. CARIOCA E EU PASSO POR AQUELA LOJA DE MÚSICA EU TENHO VONTADE DE COMPRAR AQUELA FLAUTA.
POR DUAS VEZES EU ENTREI NA LOJA E PERGUNTEI O PREÇO, EMBORA JÁ SOUBESSE DE COR : R$ 183,00. NUNCA TIVE CORAGEM DE PEDIR PARA VÊ-LA NAS MINHAS MÃOS, PORQUE SEI QUE NESSE DIA NÃO RESISTIREI E A COMPRAREI.
UM DIA, PASSANDO NUM BUTECO, VI UM TRIO TOCANDO SAMBA ANTIGO. UM RAPAZ TOCAVA FLAUTA TRANSVERSA, FIQUEI MINUTOS IMPRESCIDÍVEIS OBSERVANDO COMO ELE ACARICIAVA E TIRAVA SOM DAQUELE INSTRUMENTO BRILHANTE.
É UM DESEJO BOBO, INEXPLICÁVEL, PORQUE NÃO SEI TOCAR FLAUTA. NUNCA TOQUEI QUALQUER INSTRUMENTO, E PROVAVELMENTE NÃO SABERIA QUEM PUDESSE ENSINAR A FLAUTAR COM HABILIDADE !!
MAS TODA VEZ QUE EU PASSO LÁ E VEJO A FLAUTA SINTO ESSA VONTADE DE COLOCAR A MENINA NA BOCA E SENTIR O SEU SOM. SEI QUE VAI SER HORRÍVEL, QUE NÃO VOU SEQUER PEGAR A EMBOCADURA, MAS QUE DROGA, SEMPRE QUE VEJO AQUELA FLAUTA FICO ASSIM.
PARECE QUE ELA FICA DO OUTRO LADO DA VITRINE PEDINDO PRÁ SER MINHA.
NA ÚLTIMA QUARTA, FIQUEI TRISTE QUANDO VI A LOJA FECHADA. NÃO IA VER A FLAUTA... MELHOR ASSIM. POR QUE COBIÇAR ALGO QUE NÃO LHE PERTENCE?...
ENFIM, PRA QUE MESMO ME SERVIRIA UMA FLAUTA?
DEVE SER PRA LEVAR A VIDA FLAUTANDO POR AÍ...

segunda-feira, 25 de maio de 2009


“Temos a obrigação de inventar outro mundo porque sabemos que outro mundo é possível. Mas cabe a nós construí-lo com nossas mãos entrando em cena, no palco e na vida. Atores somos todos nós, e cidadão não é aquele que vive em sociedade: é aquele que a transforma!”.

AUGUSTO BOAL

ATAREFADA

UNHAS POR FAZER
DIETA POR FAZER
SEXO POR FAZER...
SERÁ QUE TODO DIA TEM COISAS POR FAZER?
SERÁ QUE NUNCA EU VOU ACORDAR UM DIA E DIZER :
PRONTO, HOJE EU NÃO PRECISO FAZER NADA!
NEM XIXI.
NEM LIGAÇÕES, OU CHANTAGENS,
NEM CHOPE COM AS AMIGAS PRÁ POR PAPO EM DIA.
PARECE QUE NÃO. QUE NUNCA.
SÓ MESMO QUANDO A MORTE DER SUAS CARAS
AÍ, NESSE DIA
NÃO PODEREI FAZER NADA MESMO.

ANILIAH

sexta-feira, 22 de maio de 2009

num folder de teatro

...Lera aquela frase num folder de teatro... e de certa forma, viu verdade nua e crua naquelas palavras. Verdades verdadeiramente verdadeiras. rs,rs.
Pegou o folder e guardou na bolsa. Em casa leu com mais cuidado :

" São poucas as pessoas capazes de amar. E seu sofrimento é ilimitado. Elas estariam próximas de Deus. São espelhos que refletem sua luz e tornam a sua vida suportável para nós, infelizes que cabaleiam no escuro. É possível que este seja o caso. Não sei, escolhi outro caminho, chamado desprezo e indiferença. - Ingmar Bergman ."

...E entendeu finalmente porque indentificara-se tanto. Ela também tinha preferido o o desprezo e a indiferença.

anih

quinta-feira, 14 de maio de 2009

flashs cotidianos

flashs cotidianos

não gostava muito de comer carne, mas depois de assistir aquela versão de fando e lis de SB, ao voltar prá casa e passar pelo homem do churrasquinho, pediu um, mal passado. 'com farofa?' - o rapaz perguntava, 'por que não?' - respondeu meio incrédula de que realmente ia comer aquilo.
e comeu, com fome. estranho, ela estava com fome. lembrou antes de entrar que precisva comprar papel higiênico, no buteco da esquina comprou uma coca-cola em lata. curioso também porque não tomava nunca coca cola. passou por duas academias a caminho do supermercado e viu as pessoas malhando com prazer. pensou rápido quando ia começar sua malhação sempre adiada. odiava malhar, mas sabia que se não fizesse isso bem rápido ia virar uma baranga. a baranga das barangas. sempre adiava as coisas : o silicone que sonhava em colocar, a plástica que queria fazer, o pelling, a malhação, o carro novo que ia trocar e também a viagem prá europa. adiava seus sonhos, adiava sua vida. a verdadeira vida que queria viver.
entrou no supermercado, não escolheu o papel mais caro, nem o mais barato. escolheu o papel higiênico de preço médio, não que isso fizesse diferença, mas por costume. ao passar pela caixa um rapaz atrás dela tinha quatro latas de cerveja na mão. a caixa de mal humor disse : gelada é mais cara. o rapaz fez aquela cara de 'quem te perguntou alguma coisa ?' , mas mesmo assim apenas comentou : 'não é o preço que está na geladeira?'. a caixa argumentou que sim, que era o preço da galeadeira, mas que quente o preço era outro. ai que saco, pensou, que caixa de supermercado enjoadinha. alias, ainda estava com o churrasquinho e a coca na mão, deu uma nota de dois reais e sem esperar troco saiu do supermercado com o papel higienico debaixo do braço, sequer o embrulhou. ao passar de novo pelas portas da academia, um homem alto e bem bonito passou e ficou olhando, depois envorgonhada, percebeu que ele olhava pro pacote de papel higiênico que sequer fora embrulhado e era carregado desastradamente embaixo do braço...
entrou na portaria ainda com vergonha de que outras pessoas olhassem o pacote, 'e nem era papel o mais caro', mas dane-se.
no elevador uma mulher que ela nunca tinha visto antes, reclamava que o inquilino tinha comprado um coelho. isso mesmo um coelho e colocara os bicho dentro de casa. o maldito coelho cagava tudo e a faxineira disse que tinha cocô de coelho até no armário. 'cala a boca mulher' - teve vontade de falar isso, mas apenas sorriu quando a mulher perguntou : 'esse povo que vem da roça, não entende que é ridiculo ter coelho, se ainda fosse gato ou cachorro, veja bem, eu até gosto de bicho, mas não dentro de casa, você não concorda?'. ainda bem que chegou o andar da mulher que odiava coelhos... ela gostava de coelho, mas não teria um no seu apartamento, sua gata morreria de ciúmes.
entrou em casa, ainda sentia fome, mas a lata de coca ficou pela metade. entrou na internet, verificou e-mails. ele tinha mandado mais um, dizendo que estava com saudades. ela sorriu mas achou triste a situação. estava incomodada com a carne do churrasco nos dentes, e foi passar fio dental.

flashs cotidianos

segunda-feira, 11 de maio de 2009

poesia noutro canto

Muito boa a poesia que eu postei hoje no meu outro blog...
se você ainda não conhece o espaço, vale a pena dar uma conferida...
abraços liricos
anih

http://aniliah.spaces.live.com/

domingo, 10 de maio de 2009

flamengo

"futebol
maldito ópio da massa
que explode, extravasa
extrapola na cabeça
quarenta e cinco minutos de tensão
em duas vezes,
por vezes
na prorrogação
pagando com juros, sem parcelas
uma vida de dedicação
ao time ingrato e tão comercial
melhor perder que empatar
prá chorar as mágoas e os potes no primeiro bar
e solidarizar-se no ombro rubro negro amigo...
homem agarra homem
não psica, é gol, quase gol...
e no drible mais ingênuo
a falta nos descarta mais um jogador !
como é dura a vida de torcedor
que troca as pernas , cheio de dor
enfarta, descabela, xinga o juiz
mas na vitória dorme feliz
esperando na fila a cada novo campeonato
ah time ruim, time ingrato, time lindo, desiderato
time cruel, de tradição...
é "raça, amor e paixão
oh meu mengooo". . .




quarta-feira, 6 de maio de 2009

Amanhã eu vou fazer 31 anos.
Curioso, mas eu não me lembro de ter passado pelos 29, 28 e nem mesmo 27. Só me lembro dos meus 20 anos. Aos 20 anos eu acreditava em tudo, e por isso tinha muito mais força que agora. Ah meus doces e intensos 20 anos...
É muito chato isso. É como se dez anos passassem sem que a gente percebesse, e num bater de asas de uma borboleta, você já acordasse balzaquiana !
Estou em deprê total. Não fiz nada que eu imaginei que faria (ou que já tivesse feito) depois dos 30 anos. Cadê meu livro, meu filho e minha árvore? Cadê meu grupo forte de teatro, meu espaço cultural, meu casamento de véu e grinalda na praia?
Eu só estou cinco quilos mais gorda, meus peitos mais caídos e minhas rugas piorando. Não nado mais como gostava, não escrevo mais como gostava, não faço mais teatro como gostava. Não sou mais a mesma. E não sei se gosto dessa aqui que me tornei.
No chuveiro, hoje, a água caía em torrentes e se misturavam com minhas amargas lágrimas, forçando não fazer caretas para não piorar as rugas. Refleti que essa vida que eu levo, está muito distante de ser a vida que eu realmente quero.
Se o ano da gente começa realmente após o nosso aniversário como diz a astrologia, pelo menos eu estou com um pouco de sorte, porque meu ano estaria começando amanhã.
E nesse recomeço de ano, eu decidi fazer algumas resoluções - resoluções de ano a novo, por assim dizer.
Eu lembro que aos 20 anos eu fiz uma lista das 21 coisas que eu gostaria de fazer antes dos 21 anos. Tenho sorte, porque agora posso ter mais dez itens na lista. Azar porque agora tenho mais cabelos brancos que eu posso contar na cabeça, e deixei de acreditar no amor verdadeiro como eu acreditava naquela época.
Perdi algumas referências de lá prá cá, e perdi também muitos amigos. Conheci a morte, como eu não conhecia, e conheci a dor que eu ignorava. Se me tornei melhor? Não sei se conhecer certas coisas melhoram alguém...
Não faço idéia se há 31 coisas que eu desejaria. Mais velha e menos coisas prá querer... rs... na verdade, acho que já me satisfaria muito bem com cinco coisas somente. Mas fiquem tranquilos, não vou colocá-las aqui... seria injusto vocês ficarem na expectativa, basta eu.
Essa reflexão ao menos me fez sentir melhor, porque eu fiquei com uma sensação tosca de que eu não fiz nada de importante nesse tempo. Mas eu fiz. Sei que fiz. Pode não ser como eu queria, posso ter pegado outros caminhos, posso ter me equivocado, ou escrito com outra mão, mas com certeza eu escrevi meu destino, porque eu fiz as escolhas. Até as piores. E não me arrependo porque estou muito maior agora.
Bem vindo então esses trinta e um anos. Vividos, convividos, devidos.

sábado, 2 de maio de 2009

" Eu te amei
Ao som do Djavan
E você foi meu amor mais puro
mais menino
E na minha inocência vã
Eu acreditei na eternidade do AGORA.
Você foi prá sempre, sem demora
Você foi de verdade
Com você eu não fingia
que gozava à vontade...
Você deixou um cheiro
inesquecível em mim
Um gosto
Terrível de se experimentar
Você foi tudo e era
No mesmo lugar.
E mesmo passando anos
Eu nunca deixei de lembrar
Como você era dentro de mim
E um dia,
Numa mesa de bar,
eu vou te contar tudo isso
Vou te contar como sofri
Como essa dor não tem a ver comigo.
Vou te mostrar
Que não é possível ser a ÚNICA a lembrar.
Vou te mostrar as cicatrizes
das feridas que você fez em mim
E pode ser que nesse dia
Tudo passe e chegue ao fim...
Por enquanto sigo fria
Inerte à qualquer amor
E mesmo que tal melancolia
Me ataque sem pudor
Vou dizer : BASTA
Já passou !
E seguir focando o nada
E ignorando a nossa história."

aniliah
(28/02/2009)

Algumas pessoas e situações são indignas de qualquer tipo de comentário, ou lembranças... ainda assim, nós comentamos ou lembramos. Lembramos em dias ébrios, lembramos em dias brancos.
O que dá mais raiva é que justamente essas pessoas indignas, são as únicas que temos essa vontade explícita de comentar !
Hoje, eu vejo como um abismo imenso separou-me de certas pessoas. E confesso que embora tenha vivido momentos sublimes, únicos, e os melhores da minha, vida, talvez, nessas companhias, confesso, que hoje, não as queria ao meu lado.
Passou, né ?
Eu e a minha dificuldade imensa de deixar o passado, no passado.

THE END