quinta-feira, 14 de maio de 2009

flashs cotidianos

flashs cotidianos

não gostava muito de comer carne, mas depois de assistir aquela versão de fando e lis de SB, ao voltar prá casa e passar pelo homem do churrasquinho, pediu um, mal passado. 'com farofa?' - o rapaz perguntava, 'por que não?' - respondeu meio incrédula de que realmente ia comer aquilo.
e comeu, com fome. estranho, ela estava com fome. lembrou antes de entrar que precisva comprar papel higiênico, no buteco da esquina comprou uma coca-cola em lata. curioso também porque não tomava nunca coca cola. passou por duas academias a caminho do supermercado e viu as pessoas malhando com prazer. pensou rápido quando ia começar sua malhação sempre adiada. odiava malhar, mas sabia que se não fizesse isso bem rápido ia virar uma baranga. a baranga das barangas. sempre adiava as coisas : o silicone que sonhava em colocar, a plástica que queria fazer, o pelling, a malhação, o carro novo que ia trocar e também a viagem prá europa. adiava seus sonhos, adiava sua vida. a verdadeira vida que queria viver.
entrou no supermercado, não escolheu o papel mais caro, nem o mais barato. escolheu o papel higiênico de preço médio, não que isso fizesse diferença, mas por costume. ao passar pela caixa um rapaz atrás dela tinha quatro latas de cerveja na mão. a caixa de mal humor disse : gelada é mais cara. o rapaz fez aquela cara de 'quem te perguntou alguma coisa ?' , mas mesmo assim apenas comentou : 'não é o preço que está na geladeira?'. a caixa argumentou que sim, que era o preço da galeadeira, mas que quente o preço era outro. ai que saco, pensou, que caixa de supermercado enjoadinha. alias, ainda estava com o churrasquinho e a coca na mão, deu uma nota de dois reais e sem esperar troco saiu do supermercado com o papel higienico debaixo do braço, sequer o embrulhou. ao passar de novo pelas portas da academia, um homem alto e bem bonito passou e ficou olhando, depois envorgonhada, percebeu que ele olhava pro pacote de papel higiênico que sequer fora embrulhado e era carregado desastradamente embaixo do braço...
entrou na portaria ainda com vergonha de que outras pessoas olhassem o pacote, 'e nem era papel o mais caro', mas dane-se.
no elevador uma mulher que ela nunca tinha visto antes, reclamava que o inquilino tinha comprado um coelho. isso mesmo um coelho e colocara os bicho dentro de casa. o maldito coelho cagava tudo e a faxineira disse que tinha cocô de coelho até no armário. 'cala a boca mulher' - teve vontade de falar isso, mas apenas sorriu quando a mulher perguntou : 'esse povo que vem da roça, não entende que é ridiculo ter coelho, se ainda fosse gato ou cachorro, veja bem, eu até gosto de bicho, mas não dentro de casa, você não concorda?'. ainda bem que chegou o andar da mulher que odiava coelhos... ela gostava de coelho, mas não teria um no seu apartamento, sua gata morreria de ciúmes.
entrou em casa, ainda sentia fome, mas a lata de coca ficou pela metade. entrou na internet, verificou e-mails. ele tinha mandado mais um, dizendo que estava com saudades. ela sorriu mas achou triste a situação. estava incomodada com a carne do churrasco nos dentes, e foi passar fio dental.

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