"Ela queria e não queria experimentar essa aventura. Mas...
Natural.
Era novo, e ela tinha muito medo. Medo de sair, de não sair, de se expor.
Tinha medo de acabar com a sua vida tão estruturadazinha, seus paradgmas tão absolutamente invioláveis e certos, seus princípios éticos e morais assegurados durante toda a sua vida... aquela absoluta certeza que se ela sacaneasse alguém, mais cedo ou mais tarde ela seria inevitávelmente sacaneada. A lei da Causa e Efeito , ensinaram prá ela. Mas ela estava de saco cheio !! Cheio ou pronto prá explodir ! Queria dar um basta em tudo, sair daquela vidinha pacata dela e viver de novo outras coisas, outros amores, outras chances.
Ao contrário sensu, era assustador. Quebrar a cara era uma coisa inevitável. Certamente iria sofrer... mas quem não sofre no caminho do amor ? Uma vez num livros desses populares e bobos, leu uma frase nada boba e extremamente marcante : que o amor era um caminho que vc poderia se privar , se desejasse, não precisava percorrê-lo, não sofreria, não passaria mágoas, perdas, traições, dor... mas essas coisas estão no caminho do amor. Mas privando-se delas também se privaria das delícias de amar e ser amada, de viver intensamente, enfim, era como se pra não enxergar as coisas ruins da vida, você acabasse por furar os dois olhos. Realmente não veria nada feio, mas também não veria as maravilhas, as delícias, as coisas boas do mundo.
Mas ela não era inexperiente, entendia que o risco era maior. Entendia também que ali estava envolvidas outras vidas, não só a dela. Era tão duro tomar uma decisão, simplesmente porque ela se considerava coadjuvante da sua própria vida!! Rídiculo, mas era a pura verdade.
Mas os dias ficaram muito pesados prá ela . Deus não habita na dúvida, habita na certeza. Mas no seu mundo, havia um tempo que estava sem religião, sem Deus, sem nada.
Mas era tanto "mas", tanto "tanto", entretanto e talvez... Era um momento bem confuso mesmo. Confuso até pra ela.
Então decidiu não decidir. Isso mesmo, não decidiria nada. A vida decidiria por ela, e falaria no momento oportuno. Quem sabe ela, a vida, lhe pegasse no colo e dissesse : dorme menina, dorme e não chora. Não chora que eu decido, não chora que eu faço tudo por você , confia em mim !
Então, antes mesmo dessa proposta da vida, ela, a menina, decidira confiar na vida e seguir em frente.
Segurou na mão da VIDA e disse : deixa ela me levar !
E assim foi indo."
FIM
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