quarta-feira, 6 de maio de 2009

Amanhã eu vou fazer 31 anos.
Curioso, mas eu não me lembro de ter passado pelos 29, 28 e nem mesmo 27. Só me lembro dos meus 20 anos. Aos 20 anos eu acreditava em tudo, e por isso tinha muito mais força que agora. Ah meus doces e intensos 20 anos...
É muito chato isso. É como se dez anos passassem sem que a gente percebesse, e num bater de asas de uma borboleta, você já acordasse balzaquiana !
Estou em deprê total. Não fiz nada que eu imaginei que faria (ou que já tivesse feito) depois dos 30 anos. Cadê meu livro, meu filho e minha árvore? Cadê meu grupo forte de teatro, meu espaço cultural, meu casamento de véu e grinalda na praia?
Eu só estou cinco quilos mais gorda, meus peitos mais caídos e minhas rugas piorando. Não nado mais como gostava, não escrevo mais como gostava, não faço mais teatro como gostava. Não sou mais a mesma. E não sei se gosto dessa aqui que me tornei.
No chuveiro, hoje, a água caía em torrentes e se misturavam com minhas amargas lágrimas, forçando não fazer caretas para não piorar as rugas. Refleti que essa vida que eu levo, está muito distante de ser a vida que eu realmente quero.
Se o ano da gente começa realmente após o nosso aniversário como diz a astrologia, pelo menos eu estou com um pouco de sorte, porque meu ano estaria começando amanhã.
E nesse recomeço de ano, eu decidi fazer algumas resoluções - resoluções de ano a novo, por assim dizer.
Eu lembro que aos 20 anos eu fiz uma lista das 21 coisas que eu gostaria de fazer antes dos 21 anos. Tenho sorte, porque agora posso ter mais dez itens na lista. Azar porque agora tenho mais cabelos brancos que eu posso contar na cabeça, e deixei de acreditar no amor verdadeiro como eu acreditava naquela época.
Perdi algumas referências de lá prá cá, e perdi também muitos amigos. Conheci a morte, como eu não conhecia, e conheci a dor que eu ignorava. Se me tornei melhor? Não sei se conhecer certas coisas melhoram alguém...
Não faço idéia se há 31 coisas que eu desejaria. Mais velha e menos coisas prá querer... rs... na verdade, acho que já me satisfaria muito bem com cinco coisas somente. Mas fiquem tranquilos, não vou colocá-las aqui... seria injusto vocês ficarem na expectativa, basta eu.
Essa reflexão ao menos me fez sentir melhor, porque eu fiquei com uma sensação tosca de que eu não fiz nada de importante nesse tempo. Mas eu fiz. Sei que fiz. Pode não ser como eu queria, posso ter pegado outros caminhos, posso ter me equivocado, ou escrito com outra mão, mas com certeza eu escrevi meu destino, porque eu fiz as escolhas. Até as piores. E não me arrependo porque estou muito maior agora.
Bem vindo então esses trinta e um anos. Vividos, convividos, devidos.

5 comentários:

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  3. Sabe, que ter conhecido você mudou sim a minha vida. Embora não tenhamos contato de grandes amigos, saiba que, ainda que longe, você pode contar comigo como tal.
    Se fez algo de importante? Te afirmo que sim. Pelo menos pra mim. Coisas pessoas demais que soariam piegas se eu as escrevesse aqui, mas que foram muito importantes.
    Nunca vou me esquecer dos ensaios, das peças, dos exercícios, da garra que eu via em você, do seu talento. Serei um eterno admirador da sua arte, da sua poesia, do seu teatro, dos seus ataques de chilique. Gosto muito de você, Aniliah.
    Fique bem, e se te consola, também tenho cabelos brancos, embora tenha ainda 25 anos.

    Beijos.
    Rodolfo Roger (www.odrasticofantastico.blogspot.com)

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  4. ei que maravilha saber que suas palavras são de coração, eu tb sou sua fã, vc sabe... rs

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  5. Só pra solidarizar,
    o início do poema "Tabacaria"
    de Fernando Pessoa:

    "Não sou nada.
    Nunca serei nada.
    Não posso querer ser nada.
    À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo."

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