segunda-feira, 24 de setembro de 2012

PATRIMÔNIO DESESPERANÇA

Não há bom humor na educação.
Não há chances reais na literatura.
Não há verdadeiro financiamento pra arte.
Não há fidelidade real no amor.

Não há como saciar essa fome de ócio.
Esse inteiro desejo de me entregar ao vício
Essa real depressão que cisma em imperar

O que me resta ?
Esperar

A vida assim passa sem esperança
Me inscrevendo sempre nos mesmos editais
Tentando crer que sou capaz
Fingindo que não creio nesta maldição de perdedora.

Tento persistir, busco palavras nas canções do rádio
nos comerciais da TV
no marketing urbano que estupra meus olhos.

Tento vivenciar assim...
... sem espancar num aluno pentelho
sem bater boca com o flanelinha ameaçador
sem me drogar ou me embebedar gastando o pouco que tenho.

Vou levando  e juntando as moedas
Pra me endividar menos no mês vindouro
Sem analisar os sonhos ou escrever nos diários.

Tento não jantar, não tomar refrigerante
Na esperança desestimulante
De não engordar uma grama sequer.
Mas engordar é ser mulher, mulher depois dos 30, evidentemente.

Tento fingir uma honra decente
Criar uma expectativa e um otimismo ilusório
Mas nem as crianças acreditam mais em mim...

Então... sigo assim.
Ainda sem crer em política
sem fazer literatura
sem amar cegamente
sem esperar financiamento.

ANILIA

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