É um fardo muito pesado. Um fardo que não sei se quero, não sei se posso carregar.
É difícil ser adulta, é difícil ter tantos sonhos - e se tornar comprometida com todos eles. É difícil continuar escolhendo a arte, embora nem sempre ela escolha você. Como uma velha história que ouvi há anos sobre Dulcina de Moraes... Ela chamava ARTE de LIBER. "Todos querem LIBER, mas LIBER quer muito pouca gente". É difícil ter essa luta infinita que parece em vão, mas não vai ser em vão, não pode ser. Dessa árvore tem que sair algum fruto. Nem que seja um fruto pequeno, azedo, mal. Nem que seja um fruto não comestível. Ás vezes penso se não sou eu que fui mordida pela mosca azul da soberba e da vaidade e por isso insisto tanto nessa tecla tão batida. "Ah, ser artista, qual é, vai estudar pra um concurso público!"
Eu queria muito saber como são os critérios para saber quem vai prá qual teatro, quem ganha tal prêmio e quem não, quem decide o quê na cultura do meu país. Por que tudo está se tornando uma grande bandalha, se é que já não foi desde sempre.
Eu sempre realizei todos os meus sonhos na arte, porque sempre paguei por todos eles. E hoje conversando com uma amiga, descobri que pago, pago sempre porque nunca desisti deles, porque sempre fiz, da melhor maneira, mas fiz. E queria achar mais gente comprometida que fizesse como eu. Que não ficasse só nas minhas costas, porque estou cansada disso. Cansada de correr riscos sozinha, de gastar sozinha, de ficar na merda sozinha. Como disse no início, é um fardo que estou de saco cheio de carregar, e quando mais velha mais pesado ele vai ficando, por isso não sei se ainda posso suportá-lo.
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