quinta-feira, 19 de março de 2009

antes eu tinha muita imaginação, muitas histórias pra contar... eu só não tinha espaço e ninguém para contar as minhas histórias. então passei a contar pras paredes, pra vida, pro chão verde de cimento, pra umidade que crescia em cada mês de marçco nas paredes do meu quarto. depois eu cresci e continuei a procurar gentes para contar as coisas que eu sonhava, ou pensava, ou escrevia, ou lia. de fato eu era uma menina muito falante. ou carente. não sei bem. sei que ainda adolescente, arrumei pessoas que queriam me escutar. acho que foi de tanto insistir. talvez seja de tanto falar coisas à toa. umas que faziam sinceramente sentido, outras, nenhum. mas isso também não faz sentido nenhum. umas pessoas começaram a dizer que eu dizia coisas boas, e bonitas, e eu começcei a registrar isso, em folhas, em papéis. ok , até aí tudo bem, mas ainda achava sem sentido escrever só pra mim, queria dizer pra todo mundo, não era suficiente recitar algumas poesias em festinhas, ou ler crônicas pros amigos da família. bom, então ganhei um computador, e desde o início achei bem interessante a idéia de ter um blogger... já escrevia em meus diários e meu sonho secreto sempre foi um dia morrer e ter toda a minha vida publicada, quiçá até cinematografada, pelos diários malucos que eu tinha... ter um blogger seria tornar minha vida privda pública, seria participar todo mundo das coisas que eu achava bom ou ruim, enfim, talvez fosse uma maneira de aplacar a imaginação. ou solidão. fiz por algum tempo meu primeiro blogger, que desisiti também bem rápido por ser totalmente abandonado, não visitado e esquecido. caiu em ostracismo total : jamais entendi. me achava tão criativa e inteligente, porque as pessoas não entravam todos os dias naquele espaço carinhosamente por mim criado para ler minhas genialidades... eu era incompreendida. não faz mal, Picasso também foi. depois disso me envolvi ainda mais com teatro, e faculdade, e festinhas, e mais teatro, no fim, nos palcos o que me dava mais prazer era ver algo que eu tinha escrito encenado. mais uma maneira de me fazer ouvir. queira que aquelas palavras por mim organizadas, fossem ditas por outras pessoas e ouvidas por outras ainda. de fato foram, e minha imaginação parecia inesgotável ! podia passar noites e noites escrevendo e tinha achado uma maneira de ser ouvida por muitas pessoas ao mesmo tempo : ouvida do palco... que veículo maravilhoso é o teatro. só que crescendo eu também comecei a querer fazer teatro de gente-grande, e aí as coisas se complicaram um pouco. eu tinha que gastar mais que tinha ou que podia, eu tinha que pagar prá que meus textos fossem ditos por esse maravilhoso vício que são as artes cênicas. se fosse apenas "pagar", tudo bem... mas não era bem pagar... era trabalhar bem duro, ter expectativa, ensaiar, investir... era um pagamento que não tinha preço. era uma coisa bem estranha mesmo. só sei que no fim me envolvi muito em algo que queria mais-ou-menos só prá ter pouco de algo que no fundo eu queria muito , queria desde pequena : ser ouvida. claro que depois veio outro blogger, e esse continua a não ser visitado por ninguém, destino que aceito sem culpa, sem remorço e que não doi nem um pouco. falar sozinha, escrever prá mim, já são coisas que não doem mais. antes doía, antes sangrava. hoje eu entendo que a gente não escreve prá ninguém, ou antes, escreve prá gente mesmo. pra expurgar, prá por pra fora. pra entender que mesmo escrevendo páginas e páginas a nossa 'genialidade' é efêmera, e só existe prá gente mesmo. umas pessoas vão gostar, outras achar normal, outras ainda, odiar... mas isso tudo não fará a menor diferença. não vai mudar a minha vida ou me tornar uma tennesse willians de copacabana. nem uma grande escritora. e na verdade, nessa altura da vida, eu sei qaue o maior prazer mesmo não é ser ouvida, é compreender que eu posso falar à vontade, escrever à vontade. e ser feliz assim mesmo. e ser feliz por isso mesmo. e fim.

Um comentário:

  1. Bom texto e excelente conclusão...rs

    adorei o blog... e vou vistar sempre!

    beijos

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